quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Cataratas do Iguaçu: a natureza confortável

Um espetáculo sem sacrifícios
Tem trilha, tem cachoeira — tem até mosquito. Mas o turismo ecológico nunca foi tão confortável como no Parque Nacional das Cataratas, em Foz do Iguaçu.

Ficar cara a cara com aquele colosso — e bote colosso nisso — é um deleite que não discrimina idade nem preparo físico. A estrutura do parque é tão bem planejada que dá quase para pensar em “mordomia”, com ônibus que nos deixa na cara do gol, trilha pavimentada e subidas e descidas que não alteram o fôlego nem de fumantes cinquentonas como eu.


Eu sempre desconfio que a dificuldade de acesso e os perrengues do caminho contribuem para aumentar o arrebatamento que a gente sente ao contemplar uma paisagem. Mas as Cataratas são tão espetaculares que a absoluta ausência de sofrimento para chegar até elas não diminui em nada a sua maravilha — nem o fato de vê-las pela terceira vez, como foi o meu caso, no feriadão do Carnaval 2016.

É mais ou menos como ir para o céu sem precisar morrer — muito menos encher o pé de bolhas. Nem o mais preguiçoso se queixa. Veja como foi a minha confortabilíssima aventura por lá.

Como é a visita
A entrada do Parque das Cataratas


A chegada - Fiquei hospedada do ladinho das Cataratas, no San Martin Hotel e Spa, a 400 metros da portaria do parque. Com a proximidade, pude dispensar o transporte (que sai dos hotéis com hora marcada, geralmente muito cedo) e economizei o táxi. Fui e voltei a pé.

O Centro de Visitantes do parque é bem estruturado. Aí ficam a lanchonete (que não experimentei), uma bilheteria com uma quantidade enorme de guichês — não peguei nem 15 segundos de fila para comprar ingresso — e um Centro de Informações que orienta os visitantes sobre os passeios credenciados que são realizados na área do parque. É um bom lugar para pegar o seu mapa.

A loja de produtos do parque e a fila (pequenininha) para embarcar nos ônibus


A enorme loja de produtos licenciados com a marca das Cataratas fica logo ao lado da bilheteria e, além das lembrancinhas, é um bom lugar para comprar aquele objeto útil que você esqueceu, tipo a sacolinha de nylon resistente ao chuvisco que vem das cachoeiras (pra abrigar melhor as câmeras fotográficas) e capa de chuva, item indispensável — mas, se quiser economizar, os ambulantes vendem capas de chuva simplesinhas e meio descartáveis por R$ 5, do lado de fora do parque.

Na parada do ônibus em frente ao Hotel das Cataratas começa o circuito principal
Ingresso comprado, é hora de ir para a fila do embarque nos ônibus que levam ao circuito principal, a trilha para ver as Cataratas. São os únicos veículos autorizados a circular com os turistas na área do parque.

Os ônibus, modernos e confortáveis, são adaptados para garantir a acessibilidade a quem tem alguma dificuldade de locomoção. Uma parte da frota tem dois andares (o segundo andar é “avarandado”, sem vidraças, bom para as fotos). Durante a viagem, o sistema de som oferece algumas informações sobre as Cataratas e as opções de passeios.

Meu tempo de espera na fila do ônibus foi bem curtinho, coisa de 15 minutos ou menos, em pleno sábado de Carnaval.

Logo no começo da trilha, um tremendo mirante. E a partir daí você vai estar sempre de cara para a maravilha
Desci no início da trilha do circuito principal, em frente ao Hotel das Cataratas, onde fica um senhor mirante para as quedas d’água. Mesmo sendo a terceira visita, fiquei um tempinho de queixo caído, admirando o espetáculo de som e fúria das águas. Uma cena realmente indescritível.

A partir daí, prepare a câmera, porque você vai caminhar o tempo todo de cara para a beleza.





A trilha é bem confortável, pavimentada e quase sempre à sombra


E tem sempre uns lugares especiais para as fotos
O circuito principal é todo pavimentado, com piso regular, e protegido por balaustradas, um caminho que vai descendo a encosta rumo à passarela sobre o leito do rio e que deixa o visitante de cara para as cataratas. A caminhada, neste trecho é feita quase sempre à sombra, mas o calor úmido, no verão, é um desafio à resistência física.


A passarela de cara para a Garganta do Diabo


No final dessa trilha está o acesso à passarela sobre o leito do Iguaçu, belo mirante para a Garganta do Diabo. Acho que nem se eu tivesse mergulhado no rio eu teria conseguido ficar mais molhada do que fiquei nesse trecho do passeio. Mas nem pense em desistir —  percorrer aquela vai deixar você descabelada, encharcada e absolutamente extasiada.

Depois disso, suba o elevador ou as escadarias de volta e você chegará a uma área com restaurante, lanchonetes, banheiros e lojas, onde pode pegar o ônibus e retornar à entrada do parque.


Quanto tempo
A trilha do circuito principal não é longa, mas você vai querer andar muito devagar. Dá pra fazer a caminhada em cerca de uma hora, mas é melhor reservar de três a quatro horas para o passeio pelo Parque das Cataratas, para curtir bastante o visual, fazer paradinhas estratégicas e fazer muitas fotos.

No verão, o melhor é aproveitar a manhã, mais fresquinha. Quando a fornalha de São Pedro estiver funcionando a pleno vapor, lá pelo meio da tarde, você já pode estar se refrescando na piscina do seu hotel.

O restaurante, com vista para o rio
O que levar
Além da capa de chuva, é fundamental ter uma garrafinha com água, pois no meio da trilha há apenas uma lanchonete onde se abastecer de líquidos. Óculos escuros, chapéu e protetor solar são importantíssimos e o repelente é item de primeiríssima necessidade — o lugar é um paraíso e, você já sabe, paraísos têm mosquitos. No caso, muitos, mas muitos mosquitos meeeesmo.



As Cataratas do Iguaçu são o tipo de lugar que você não vai querer visitar sem uma câmera fotográfica. Para evitar danos ao equipamento, vale tomar alguns cuidados, pois a garoa que "emana" das cachoeiras é permanente e deixa tudo e todos encharcados.

Eu tenho uma capa à prova d'água para o celular, que uso em mergulhos e recomendo. A GoPro também tem a caixinha protetora dela. Pra não abrir mão de levar a Nikon, embrulhei a bichinha em bastante filme plástico (aquele de acondicionar comida na geladeira), deixando só a lente sem proteção. Num saquinho tipo zip-lock, levei um bom suprimento de lenços de papel, essencial não só para secar a lente da câmera, mas também as lentes dos meus óculos (além de fotografar, eu queria ver, né?).


O que vestir
No verão, Foz do Iguaçu é um forno — talvez o lugar mais quente que já visitei. Nessa época, use peças leves e confortáveis. Materiais do tipo dry fit, que secam rápido, são muito recomendáveis, porque você evita o desconforto da roupa molhada por muito tempo.

Em junho e julho faz frio de verdade por lá. Agasalhe-se bem. O spray das cataratas está mais moderado nesse período, porque a vasão das cataratas é menor, mas mesmo assim você vai se molhar. Não esqueça, portanto, de usar um casaco impermeável ou uma boa capa de chuva por cima dos agasalhos.


Em qualquer época, use calçados confortáveis, amigáveis à caminhada. Salto, nem pensar — só o das águas do Rio Iguaçu abismo abaixo, formando um dos mais belos espetáculos da natureza que você vai ver na vida.

Cuidados importantes
Caminhe sempre pelas trilhas demarcadas. Essa é uma regra que garante sua segurança e a integridade da mata e da fauna. Leve um saco para armazenar o eventual lixo que venha a produzir (os tais lencinhos de papel que você vai usar para secar a lente da câmera, por exemplo). O parque é bem servido de lixeiras, mas em alguns pontos da trilha elas podem já estar abarrotadas.


Uma recomendação especial é em relação aos quatis, personagens pitorescos e inescapáveis nas cataratas. Eles são fofinhos, sim. Na verdade, são o bando de meliantes mais enternecedores que eu já vi. Mas, se você vacilar, vão roubar sua comida, tentar entrar na sua bolsa e lhe seguir com a maior cara de santos até você ceder à culpa e dar alguma guloseima cheia de açúcar, sódio e gordura hidrogenada pra eles.

Mas não ceda. Dar comida aos quatis é uma crueldade, porque isso os torna cada vez mais dependentes dos humanos, incapazes de caçar o próprio alimento — bora combinar que não é por falta de natureza que eles estão viciados em fast food, né?

Fofinhos, mas delinquentes 😊
Quando estiver comendo, redobre o cuidado com os quatis, porque eles podem atacar em busca de comida. Mordidas, arranhões ou mesmo lambidas de quati devem ser levados muito a sério, já que eles podem transmitir o vírus da raiva. Se acontecer, procure rapidamente um médico.

Outros passeios
 Eu sou uma contempladora, portanto, fazer o circuito principal das cataratas já me satisfez a alma. Quem gosta de alguma adrenalina e de pitadinhas Indiana Jones na vida, porém, vai gostar de fazer o Macuco Safari (passeio de barco até a base de algumas quedas d’água) e as trilhas oferecidas no parque (a do Poço Preto e das Bananeiras, que combinam caminhada e passeio de caiaque). Você pode se informar sobre todas essas atividades no site oficial do Parque das Cataratas.

Leia também as minhas dicas para visitar o lado argentino das cataratas:
Cataratas do Iguaçu: o lado argentino
  
Dicas práticas



Parque Nacional do Iguaçu
BR-469 (Avenida das Cataratas), km 18. Aberto diariamente das 8h às 17h

Ingresso para brasileiros: R$ 36,30. Visitantes do Mercosul: R$ 50,30. Estrangeiros R$ 63,30. Crianças pagam meia-entrada. Esses valores já incluem o uso do transporte no interior do parque.

É possível comprar as entradas pela internet (aqui), mas a fila na bilheteria, em pleno sábado de carnaval, estava tranquilíssima.

 Quem vai de carro precisa pagar a taxa do estacionamento (R$ 21) junto com a aquisição do ingresso.

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2 comentários:

  1. Amei o post. Deu vontade de ir correndo para lá. Eu fui qdo tinha 12 anos. Tenho que voltar.

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    1. Obrigada, Cris :) Cada visita às Cataratas parece que é a primeira. Lindo demais aquele lugar

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