domingo, 15 de janeiro de 2017

Cataratas do Iguaçu: o lado argentino

O lado argentino das cataratas: de cara para a Garganta do Diabo
Na eterna e estéril disputa que alguns querem estimular entre brasileiros e argentinos, sobra até para as Cataratas do Iguaçu (ou del Iguazú). Qual o lado mais bonito? Onde vale mais a pena ver as colossais quedas d’água? Responder a essas perguntas é absolutamente desnecessário: entre o lado argentino e o lado brasileiro das cataratas, fique com os dois.

O Parque Nacional Iguazú é tão imperdível quanto o nosso. Mas, ao contrário do lado brasileiro — onde a gente vê as cataratas com quase zero de esforço físico —, a porção argentina dessa maravilha é bem mais rústica e exige um pouquinho mais de disposição, especialmente se a visita for feita nos meses de verão, quando o calor em toda a região beira a insanidade.

No lado argentino das cataratas você vai andar mais, suar mais, esperar mais nas filas. E tudo isso vai valer muito a pena.


Como é a visita


O "fumacê" não é incêndio florestal, é o spray das quedas d'água 
Estive no Parque Nacional Iguazú em fevereiro, no feriado do Carnaval, no dia seguinte à minha visita ao lado brasileiro. O lugar estava apinhado de gente, muito mais cheio que o parque “do lado de cá”.

Logo na entrada do parque há um Centro de Interpretação onde uma exposição apresenta um pouco do contexto histórico e social da região, além de oferecer explicações geológicas sobre a formação das cataratas. O centro chama-se Yvyrá Retá, que significa “País das árvores” em guarani, língua do povo tradicional da região.

Uma curta caminhada leva à estação do trem 

Estação Central. Um trem ecológico é o meio de transporte no interior do parque
Depois desse espaço, uma curta caminhada leva à Estação Central, a primeira parada do trem ecológico que transporta os turistas na área do parque.

O trem tem capacidade para 250 passageiros, em vagões abertos que percorrem a mata bem devagar (dá pra fazer boas fotos). O percurso total da pequena ferrovia é de 3,7 km, com troca de trens na Estação Cataratas. O intervalo de partida dos trens é a cada 20 minutos (ou 15, quando há muito movimento de visitantes). Apesar desse dado objetivo, prepare-se: a fila do bicho demora uma eternidade.


Olha a fiiiiiiiila

O trem é aberto e transporta 250 passageiros de cada vez
Da segunda estação (Cataratas), partem duas trilhas importantes, a do Circuito Superior e do Circuito Inferior, trajetos que oferecem lindas vistas das muitas quedas d’água.

A maioria dos turistas (eu, inclusive), prefere correr para a fila do próximo trem, que leva à Estação Garganta do Diabo, de onde parte a trilha para a atração mais famosa do parque.

No dia em que fiz a visita, domingo de Carnaval, a fila para esse embarque estava simplesmente impossível. Tanto que os próprios funcionários do parque recomendavam que se seguisse a pé, pois a demora para tomar o trem poderia passar de uma hora, para quem estava na rabeira da fila. Foi o que eu fiz.

Desisti da fila. Preferi ir caminhando pela mata


A caminhada pela mata, margeando os trilhos do trem, é feita a maior parte do tempo à sombra — o calor é de matar, mas foi melhor do que ficar de pé, debaixo do solão, esperando o trem. São cerca de dois quilômetros. Não espere encontrar banquinhos para sentar e descansar.


Levei cerca de 40 minutos para chegar à Estação Garganta do Diabo, onde uma lanchonete pequena não dava conta da multidão desesperada para comprar água ou qualquer coisa que aplacasse a sede. As opções de lanche também não eram muitas atraentes — meu sanduba desenxabido encantou muito mais aos ávidos quatis (eles também andam em bandos do lado argentino) do que a mim. Mas, é claro, não partilhei o farnel com os bichinhos, porque não é legal, só os torna cada vez mais humanodependentes.

São 1.100 metros de passarela sobre o leito do Rio Iguaçu

Lotação esgotada no "camarote" da Garganta do Diabo
Da Estação Garganta do Diabo parte a passarela de 1,1 km que leva à famosa curva da ferradura das cataratas. Suspensa sobre o leito do rio, a passarela já é em si uma atração. À medida que a gente caminha, o ronco das quedas d’água vai ficando mais em mais forte.

Ao longe, a gente avista muita “fumaça”, mas nem pense em incêndios florestais — como, naquela umidade? O fumacê, na verdade, é o spay de sobe com a pancada ininterrupta das águas que se precipitam no abismo.

O final da passarela, um mirante de cara para a Garganta do Diabo, estava apinhado de gente. Foi preciso ter um pouquinho de paciência para conquistar meu palmo-e-pouco de balaustrada para, enfim, poder me debruçar diante do colosso.

Eis o espetáculo

Banho de spray no meio da selfie
Fiquei tão empolgada que resolvi fazer a primeira selfie para o Instagram — e, justo nessa hora, o vento trouxe uma verdadeira chuveirada de spray que me deixou encharcada. Se eu achei ruim? Naquele calor, o banho inesperado foi uma bênção. E as câmeras e celular estavam muito bem protegidos.

Quanto tempo

Para fazer os circuitos Superior, Inferior e a trilha da Garganta do Diabo você vai precisar de cerca de seis horas. Quer dizer, com boa disposição, dá pra ver muita coisa, até porque os percursos são planos, o que exige pouco do nosso fôlego — mas eu duvido que nos meses de verão alguém consiga caminhar tanto tempo naquele calor úmido.

Eu mesma não dei conta e fiquei só com a trilha da Garganta do Diabo. 

Muita gente recomenda dividir a visita em dois dias. A boa notícia é que se você validar o seu tíquete na saída do parque, no primeiro dia, o ingresso do dia seguinte sai pela metade do preço.

Um dos poucos recantos à sombra no meio da passarela
O que levar

Pesos argentinos. Ao vivo e a cores. Sem eles, você não entra no parque, já que a entrada só pode ser paga en efectivo nativo — nada de cartões, nem dólares, nem reais. As lojas e lanchonetes mais organizadas aceitam cartões.

Uma garrafa d’água é fundamental, até para não perder tempo na fila das lanchonetes, que realmente não parecem ter estrutura para atender a quantidade de gente que visita o parque. Também recomendo levar frutas e sanduíches, pois a única área do parque onde vi alternativas interessantes é logo na entrada, perto da Estação Central (tem até uma loja da sorveteria Freddo, onde aliviei um pouquinho do calor).


Repelente também é importantíssimo, porque a mosquitaiada é animada. O eterno trio chapéu/óculos escuros/protetor solar será seu grande amigo durante a visita.

E não esqueça de proteger muito bem as câmeras e o celular, porque eu garanto que, em algum momento, você vai se molhar.


O que vestir
Roupas leves, por favor. E um calçado confortável, com sola antiderrapante, para não escorregar na passarela sobre o rio.


A travessia da fronteira

Se você está hospedada em Foz, não esqueça que vai atravessar uma fronteira para chegar ao lado argentino das cataratas. Leve a carteira de identidade (a própria, não vale identidade profissional) ou o passaporte. Nos dias que atravessei para a Argentina (também fui á Missão Jesuítica de San Ignacio Miní) o controle de fronteia estava aceitando a carteira de motorista como identificação dos brasileiros.

Quem vai de carro do Brasil para Puerto Iguazu precisa da Carta Verde, um seguro que permite que automóveis da região do Mercosul circulem nos territórios vizinhos.

Veja também como é a visita ao lado brasileiro das cataratas
Cataratas do Iguaçu: a natureza confortável

Dicas práticas



Parque Nacional Iguazú
Ruta Nacional 101, km 142, Puerto Iguazú, Missiones, Argentina

Aberto todos os dia do ano, das 8h às 18h—a bilheteria fecha às 16:30h.
O ingresso para brasileiros e demais cidadãos do Mercosul custa 250 pesos argentinos (não custa repetir: pagamento só em dinheiro vivo e moeda local). É preciso apresentar um documento de identidade comprovando a sua nacionalidade para ter acesso a essa tarifa.

A área de estacionamento é bem ampla. A tarifa para automóveis é de 90 pesos.

Essas borboletas estão por toda parte na região de Missiones
Como chegar
A portaria do parque está a 30 km do Centro de Foz do Iguaçu. Após a travessia da fronteira, siga a Ruta Nacional 12 até a Ruta Nacional 101. O caminho é bem sinalizado.

Eu contratei um táxi no meu hotel para me levar ao lado argentino das Cataratas. O “pacote” é ida e volta: eles deixam o passageiro no parque e combinam um horário para a volta. Em fevereiro/2016, paguei R$ 90 por esse serviço.

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7 comentários:

  1. Seu post me ajudou muito, estou preparando meu roteiro para visitar a região. Muito obrigado!

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    1. Quem bom, Gustavo. Fico feliz de saber que a Fragata ajudou seu planejamento. Um abraço e aproveite muito essa maravilha brasileira :)

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  2. Ola, gostaria de saber se o trenzinho é pago a parte ou vem embutido no preço do ingresso ao parque? Desde ja muito Obrigado.

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    1. Oi, Renato, o transporte está incluído no preço do ingresso. Uma vez no parque, é só ir para a fila do trem e embarcar.

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    2. Mais uma pergunta Cyntia, crianças de 2 anos podem entrar no parque? Ou não é aconselhável levar crianças nessa idade??? Muito Obrigado mais uma vez...

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    3. Renato, não há limite de idade para a visita ao Parque Iguazú. Há acessibilidade para cadeirantes e carrinhos de bebês. O que você deve levar em conta é que é um passeio cansativo, especialmente no calor do verão.

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