sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Florianópolis:
Pra passear e petiscar, melhor não há

Praia dos Ingleses, meu pedacinho de beira-mar em Floripa
Qualquer atividade em Florianópolis, pra mim, está associada a algum tipo de farra gastronômica. A Ilha de Santa Catarina é um paraíso pra quem gosta de frutos do mar e qualquer rolezinho básico acaba em torno de travessas de ostras, camarões, polvos e lulas. Melhor impossível.

Eu fui só tomar banho de mar, mas olha o resultado 😋
(Camarões ao alho e óleo devorados em uma barraca na Paia dos Ingleses)
Além da mesa farta, tem muita coisa legal pra fazer em Florianópolis. Quer praia bonita? Tem. Aldeias bucólicas pé na areia, a poucos quilômetros do centro? O fato de essas coisas legais geralmente desembocarem em algum tipo de comilança é só uma feliz coincidência. Se você gosta de combinar paisagens e sabores, vai adorar Floripa. Bora passear comigo?

Santo Antônio de Lisboa

A enseada em Santo Antônio de Lisboa
Taí um lugar que eu estava doida pra conhecer — e que correspondeu plenamente às minhas expectativas. A antiga aldeia colonizada por açorianos fica em uma tranquila enseada, voltada para a Baía Norte e o continente. O lugar é tão sossegado quanto as águas abrigadas que banham sua praia.

A povoação de Santo Antônio de Lisboa, uma das mais antigas da ilha, foi iniciada no Século 18. O tempo passou, mas as feições atuais do bairro ainda permitem reconhecer a pequena colônia.


O traçado urbano se resume, praticamente, a uma rua principal (chamada Caminho dos Açores) margeada por casinhas antigas, e a “rua da praia”, um caminho à beira-mar sombreado por árvores frondosas, onde diversos bares e restaurantes oferecem mesinhas de pista pra a gente contemplar a vista bonita e — o que foi que eu disse no começo do post? —se deliciar com ostras cruas, ao bafo, gratinadas...

Na chegada, vale a pena parar para ver a lojinha de artesanato Feito pelo Desfeito e o antiquário (abaixo)


Logo na entrada de Santo Antônio de Lisboa, vale a pena parar para uma visita à loja de artesanato Feito pelo Desfeito e ao antiquário que fica logo ao lado. Eu fiquei bem tentada a comprar tuuuuudo que vi na lojinha, mas acabei me contentando com um farol (perfeito para guiar minha coleção de barquinhos) e um Santo Antônio muito bonitinho, presente pra minha mãe.

Em um dia comum de semana, foi fácil estacionar o carro antes do centrinho histórico de Santo Antônio, onde a circulação de automóveis é restrita. O bairro foi mesmo feito para ser percorrido a pé, pequenininho e sossegado.

Nossa Senhora das Necessidades: sem ouro e sem riquezas, um Barroco encantador feito só com o talento dos artesãos


Não deixe de visitar a surpreendente Igreja Nossa Senhora das Necessidades — responsável pelo nome original da aldeia. Por trás de uma fachada muito simples, o interior da igrejinha comove pelo engenho dos artesãos que, sem acesso à riqueza e aos douramentos, capricharam em sofisticados entalhes para compor uma decoração barroca ao mesmo tempo requintada e singela.

As antigas casinhas da colônia açoriana hoje abrigam lojas de artesanato, cafés e restaurantes

Santo Antônio de Lisboa é sossegada e bucólica. Virou meu xodó em Floripa
Como chegar
Santo Antônio de Lisboa está a 15km do Centro de Floripa e a 13km da Avenida Beira-Mar Norte. O acesso é pela Rodovia José Carlos Daux (a SC-401). O percurso é bem sinalizado, mas, para não correr risco de errar, o melhor ponto de referência para a entrada da aldeia é o antigo posto de pedágio.

Armadilha para pescar ostras (à esquerda) e as bichinhas no meu prato
Onde comer
Já que tudo em Floripa acaba em belisco, não deixe de provar as famosas ostras de Santo Antônio de Lisboa em um dos muitos bares à de frente para o mar. Eu escolhi ao acaso o Freguesia, que tem mesinhas com guarda-sóis ao ar livre, na calçada da praia. Sou suspeita pra falar, porque amo, mas as ostras (cruas, minhas favoritas) e ao bafo estavam deliciosas.

Freguesia Oyster BarRua 15 de Novembro nº 179, Santo Antônio de Lisboa. Funciona diariamente das 10 à meia noite. O cardápio tem ostras de todo jeito: gratinadas, no estrogonofe, de moqueca, à dorê, no ceviche... Eu sou ortodoxa, fui no tradicional e adorei.

Freguesia Oyster Bar
A Rota do Sol Poente

Santo Antônio de Lisboa fica bem no centro da chamada Rota do Sol Poente, um caminho à beira-mar, voltado para as águas calmas da Baía Norte, que tem ainda a antigas aldeias de Sambaqui, ao Norte, e Cacupé, ao Sul.

No dia que visitei Santo Antônio, assisti a um belo pôr do sol (apesar das nuvens) e segui o Caminho dos Açores (a rua principal da aldeia, que vai desembocar na Estrada Haroldo Soares Glavan, que acompanha o mar) rumo ao Sul, para encontrar meus amigos no famoso restaurante Zé do Cacupé.

A casa, tradicionalíssima, é perfeita pra ir de turma — só assim você dá conta de pedir todas as tentações do cardápio, como as ostras, polvos, camarões, lulas... Uma esbórnia.

Cacupé é pequenininha, sossegada, praticamente se resume à estradinha à que margeia a praia (as transversais, geralmente, são entradas de condomínios. O restaurante Zé do Cacupé fica na rua da praia e você pode ter dificuldade de encontrar estacionamento, em dias mais movimentados.

Restaurante Zé do Cacupé
- Estrada Haroldo Soares Glavan nº 1964, Cacupé

Coqueiros
As pedras na praia de Coqueiros
Bairro gostoso, eminentemente residencial e com carinha de balneário de antigamente (apesar da poluição não aconselhar muito o banho em suas águas), Coqueiros é outro point para quem quer conjugar passeios e comilanças em Floripa. 

O bairro fica no continente, banhado pela Baía Sul. A vista da beira-mar, em Coqueiros, é muito bonita, pois a área fica quase em frente ao Centro de Floripa, do outro lado das águas. As praias da região ganham com o charme adicional das formações de pedras que sugerem cidades de fantasia.

Rancho Açoriano, em Coqueiros
A vibe residencial de Coqueiros só é quebrada à em frente à praia, onde há uma grande concentração de bares e restaurantes. Foi exatamente por isso que eu fui até lá: almocei muito bem, em um mesão cheio de amigos, no Rancho Açoriano, especializado em peixes (pedimos tainha, corvina e robalo, estavam todos ótimos).

Rancho Açoriano – Rua Desembargador Pedro Silva nº 3.240, Coqueiros.

Mercado Público
Mercado de Floripa: sou fá dessa tradição
Se eu sou fã de mercados, é claro que eu não poderia deixar de ir bater o ponto no Mercado Público de Floripa, um dos mais bacanas do Brasil no quesito comilança. O lugar é bonito, arrumado, bem cuidado e muito limpo, mas o que o torna imperdível, mesmo, são as opções de petiscos e pratos oferecidos por lá—as ostras estão entre as estrelas da casa.

Tem artesanato, hortaliças, frutas...

... e muitos boxes bacanas para quem quer só petiscar
Fazia tempo que eu não ia ao mercado de Floripa e fiquei surpresa com as melhorias implantadas na reforma feita após o incêndio de 2005, e na reforma de 2013. O que é bom, porém, não muda: foi um prazer reencontrar os pastéis de camarão do tradicional Box 32, onde arrematei a farra com umas patinhas de rã à milanesa que estavam dos deuses.

Pastéis de camarão e patinhas de rã: farra boa

O tradicional Box 32
Construído na primeira metade do Século 19, o Mercado Público ocupa uma área onde a tradição da venda de frutos do mar remonta ao início da colonização da Ilha de Santa Catarina. Além dos bares e restaurantes que atraem multidões de turistas e manezinhos, o mercado vende tudo um pouco —das hortaliças e frutas às peças de vestuário, passando pelo artesanato. Sempre um ótimo passeio.

Mercado Público de Florianópolis - Rua Jeronimo Coelho nº 60. Aberto de segunda a sexta das 7h às 19h (os bares vão até as 22h). Sábados, das 7h às 14h (bares até as 17h). Fecha aos domingos.

A paisagem da Avenida Beira-Mar Norte
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