domingo, 4 de setembro de 2016

Évora - dicas práticas

A Cerca Velha, muralha iniciada pelos romanos no Século 3, e o Palácio do Vimioso, sede da Universidade de Évora, fundada no Século 16
Se você vai a Portugal, recomendo fortemente que coloque Évora no seu roteiro. A encantadora capital do Alentejo é reconhecida como uma das cidades mais bonitas do país e fica a cerca de uma hora e meia de viagem de Lisboa, um trajeto confortável, tanto de carro como em transporte público.

Os encantos de Évora são muitos. É um lugar para brincar de voltar no tempo, graças a um conjunto arquitetônico muito bem preservado — com destaque para as famosas muralhas e o Templo Romano. Também é a base perfeita para quem quer mergulhar no aconchego das tradições rurais alentejanas e provar uma culinária que é pura tentação.

O Templo Romano, também conhecido como "Templo de Diana" foi construído no Século 1º. Ao fundo, a torre da Catedral
Neste post, organizei aqui algumas dicas práticas sobre Évora que vão facilitar sua viagem até lá. Só aviso que vai dar vontade de não ir embora nunca mais :).

Leia também:
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Bate e volta a Évora
Passeio bacana nos arredores: Castelo de Montemor-o-Novo


Encantos de Évora: as ruas estreitas do traçado urbano medieval escondem passagens em arco, pátios e decorações em azulejos
Quanto tempo
É possível ver as principais atrações de Évora em um bate e volta a partir de Lisboa, retornando à capital à noite. Foi assim que visitei a cidade pela primeira vez, no inverno de 2012, e fui embora morrendo de vontade de ficar mais.

Desta vez, fiquei duas noites por lá, com tempo para explorar a cidade com mais calma e passear um pouco pelos arredores (fiz uma visita muito legal a Montemor-o-Novo). O Alentejo é belíssimo, cheio de castelos, campos e vilas encantadoras, tem uma culinária famosa e produção de vinhos bem reputados.

Pra saber como foi minha primeira visita à cidade, leia este post: Bate e volta a Évora

Harmonia: as fachadas de Évora são todas branquinhas, com detalhes em amarelo ouro, uma das cores da bandeira eborense. Na foto, a cidade vista do adro da Igreja de São Francisco
Como chegar
Évora está a 130 km de Lisboa. De carro, é um trajeto confortável de cerca de 1h30min pelas Rodovias A12 e A6, muito bem conservadas e sinalizadas. Difícil é prestar atenção na direção com uma paisagem tão bonita: a travessia do Tejo, os campos de oliveiras e sobreiras do Alentejo e os castelos encarapitados nos morros compõem o prelúdio certo para o encontro com uma das cidades mais lindas de Portugal.

De transporte público, a melhor opção é o ônibus da Rede Expressos, que faz o percurso em cerca de 1h45min. Fiz essa viagem em dezembro de 2012 e aprovei. Os ônibus são confortáveis, limpos e pontuais, com WiFi a bordo.

A Praça do Giraldo é o coração da cidade. Um lugar para relaxar, bebericar e contemplar o belo conjunto arquitetônico ladeado por arcadas mouras. A Igreja Matriz de Santo Antão e o chafariz renascentista são alguns dos encantos da praça

A chegada a Évora. O Aqueduto da Água de Prata é uma obra do Século 16 e trazia água de nascentes a 18 km de distância para abastecer a cidade
A partida de Lisboa é na Estação Sete Rios (Praça Marechal Humberto Delgado), interligada ao Metrô (Estação Jardim Zoológico- Linha Azul). O bilhete ida e volta custa € 21,20. A Estação Rodoviária de Évora fica a 1 km da Praça do Giraldo.

Os trens de Lisboa para Évora partem das estações Oriente, Entrecampos e Sete Rios. São vários horários (consulte o site da CP). A viagem também leva cerca de 1h30min, com preços que variam de acordo com o tipo de bilhete. Pesquisando agora, encontrei tarifas na casa dos € 12 (cada perna).

A Estação de Comboios (trens) de Évora fica a 1,5 km da Praça do Giraldo, no Centro da cidade.

As feições militares da Catedral de Évora são típica da época da Reconquista Cristã, no Século 12
Onde comer e o que comer em Évora
A cozinha alentejana é simples, farta e deliciosa. Os pratos mais conhecidos são as açordas (uma espécie de sopa à qual se acrescenta farinha ou pão picado, fazendo um pirão) e as migas (pães amanhecidos encharcados em caldo de ensopados de carne). Os leitões, carneiros e pratos de caça (especialmente os coelhos) também arrancam suspiros. E tem as bifanas, claro, uns sanduichinhos inventados no céu.

Já falei (muito bem) da cozinha eborense e alentejana aqui na Fragata, dá uma olhada:

Muito além do Bacalhau: O que comer - e onde comer - em Portugal

A mesa portuguesa ou Pantagruela rides again

Nessa passagem por Évora, experimentei duas refeições notáveis e deixo a dica dos restaurantes pra vocês:

Mói-te – Cantorias, Tintois e Outras Porras
Largo Alexandre Herculano nº 8. Diariamente, das 14h às 2:00 (aos domingos, só até meia noite).

Mói-te: recanto musical simpático e aconchegante
Simpático, despojado e descontraído, esse pub/bar de tapas funciona no pátio de um belo casarão antigo e é um grande sucesso local. O ambiente é escurinho, o clima é aconchegante e o atendimento é simpaticíssimo. A comida também é ótima — e, apesar disso tudo, a casa é conhecida como um espaço de músicos para apreciadores de boa música. Na noite em que estivemos lá não havia apresentação ao vivo, mas a trilha sonora estava caprichadíssima, do jazz à música africana, passando pela Bossa Nova.

Bacalhau do Mói-te: gostoso, caseirinho, perfeito...
Jantamos lá na nossa primeira noite em Évora, quando saímos mais tarde do hotel e os restaurantes convencionais já estavam começando a fechar— outra vantagem do Mói-te é que a cozinha funciona até bem tarde. Eu pedi o empadão de bacalhau, o resto do grupo preferiu o bacalhau com natas. Tudo muito saboroso, caseirinho e em porções na medida. O vinho da casa chega à mesa em jarra de barro, para ser bebido em canequinhas do mesmo material—um brinde ao Alentejo.

Um jantar relaxado e barato: nossa conta ficou em € 40 (€ 10 por cabeça). Recomendadíssimo!

Estátua de Vasco da Gama nos Jardim Público de Évora. O estandarte que o navegador levou às Índias foi benzido na catedral da cidade, após o rei D. Manoel autorizar a expedição em uma reunião realizada no castelo da vizinha cidade de Montemor-o-Novo

Taberna Típica Quarta-Feira
Rua do Inverno nº 18, Évora. De segunda a sábado das 13:30h às 15h e das 19:30h às 21:30h. Reserve pelo telefone 266 70 75 30. Não aceita cartões de crédito. Menu a preço fixo (antepastos, entrada, prato principal e sobremesa): € 30 por pessoa.


Sabe aqueles lugares onde tudo é feito ao gosto do freguês? Pois esqueça. Na Taberna Típica Quarta-Feira quem manda é Zé e é ele quem decide o que você vai comer – e se vai comer, porque, a partir de certa hora, ele já não aceita comensais, para garantir a qualidade do que serve no restaurante.

A taberna tem horário bem restrito e poucas mesas. Faça reserva
Funciona assim: você chega, senta (se ainda tiver lugar) e Zé vai trazendo os pratos. Na noite em que jantamos lá, tudo começou com uma cesta generosa de antepastos (queijinhos, frios, pães, azeitonas...) e uma copiosa jarra de bom azeite (nas fotos, dá para ver os rastros na toalha de papel que cobria a mesa). Depois um belo de um cogumelo ao forno com molho forte (não me pergunte os ingredientes. Eu perguntei e Zé falou que era segredo).

O cogumelo da entrada e meu prato prontinho para receber uma fatia do assado de carneiro


O prato principal foi um assado de carneiro que alimentaria um batalhão, acompanhado de migas (um pirãozinho feito com pão e o molho do assado) e de purê de folhas verdes — e o requinte de crueldade: a linguicinha picante, feita na brasa, para “temperar”.

Não tenho palavras para essas sobremesas...
Acha que acabou? Pois nem tenho palavras para descrever o doce de gemas (com uma carinha bem parecida com a da nossa ambrosia) e o rocambolinho de massa muito fina e recheio de nozes e gemas que chegaram à mesa, acompanhados de cerejas muito doces e suculentas.

O que dizer desse restaurante? Apenas, que viva o Alentejo!

Hospedagem em Évora
Quinta dos Bastos: hospedagem cercada pelas oliveiras do Alentejo
Pra ficar mais perto da paisagem do Alentejo, nós optamos por uma hospedagem rural, o Hotel Quinta dos Bastos, a 2 km do Centro da cidade (incrível como apenas dois quilômetros fazem a diferença: estávamos pertinho de tudo e no meio do mato, ao mesmo tempo). Já escrevi sobre essa experiência aqui no blog, então é só passar lá no post pra ver os detalhes:

Onde me hospedei em Portugal


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