domingo, 3 de julho de 2016

Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra: lindo, surpreendente, imperdível


Museu Nacional Machado de Castro: favorito instantâneo
Coimbra é mestra na sedução. Quando eu pensei que ela já tinha conquistado até o meu último pedacinho de coração com sua paisagem, sua universidade e o sotaque mouro de suas ladeiras tortuosas, ela trata de me apresentar uma atração simplesmente imperdível, o Museu Nacional Machado de Castro.

Instalado em dois edifícios integrados, o antigo Paço Arquiepiscopal (o palácio dos arcebispos) e um prédio moderno, a uma quadra do conjunto histórico da Universidade de Coimbra, o museu já começa a encantar pela vista maravilhosa de seu terraço, debruçado sobre as ladeiras e telhados que se esparramam morro abaixo, na direção do Rio Mondego. 

Do terraço do museu, a vista privilegiada para a Sé Velha de Coimbra e o Rio Mondego
Mas o melhor, mesmo, é o "recheio". O Museu Nacional Machado de Castro tem uma fabulosa coleção de arte sacra reunida principalmente a partir de acervos de conventos e igrejas da cidade e arredores — o que dá uma boa ideia do esplendor de Coimbra em séculos passados. Altares, imagens, retábulos, objetos rituais de finíssima ourivesaria (como riquíssimas custódias)...

Pra completar a festa, tem o prazer de caminhar por uma autêntica construção do Século 1º, o Criptopórtico que sustentava o Fórum de Aeminium, a Coimbra romana, que está no subterrâneo do museu.

A Deposição do Túmulo, obra prima do escultor normando João de Ruão, que viveu em Coimbra no Século 16

O Museu Nacional Machado de Castro foi uma imensa e agradabilíssima surpresa (nunca o tinha visto figurar na lista de atrações imperdíveis da cidade) que enriqueceu demais a minha passagem por Coimbra. Quando você for, não perca. Por enquanto, vamos dar um passeio comigo por lá?

Antes de entrar no museu, observe uma espécie de nicho voltado para o pátio. Foi lá que encontrei esses azulejos
A visita
Reserve pelo menos três horas para curtir o Museu Nacional Machado de Castro como ele merece. Seu deleite vai começar bem antes de ver o acervo — duvido que você não dê uma parada no terraço do restaurante do museu para suspirar com a vista e curtir a brisa, enquanto beberica alguma coisa.

Quando visitamos o museu (depois de ver os edifícios históricos da Universidade, outro programaço em Coimbra), aproveitamos para almoçar por lá. Já tinha passado um pouquinho da hora e só estavam sendo servidos sanduíches, mas recomendo.

O Criptopórtico
Os retratos de Trajano e de Agripina, achados arqueológicos em exposição no Criptopórtico Romano
O roteiro do museu recomenda que a visita seja iniciada pelo Criptopórtico, estrutura que serviu de alicerce ao Fórum Romano e, posteriormente, ao Paço Arquiepiscopal, construído no mesmo local. Antes de descer as escadas, observe a maquete da estrutura exibida logo na entrada, para compreender melhor o que vai ver cara a cara.

Um criptopórtico é uma espécie de alicerce usado na arquitetura romana, podendo ser totalmente subterrâneo ou não. Suas galerias abobadadas geralmente eram usadas como silos para armazenar alimentos. O de Coimbra tem dois pavimentos e compensava o desnível do terreno — o Fórum ficava bem na encosta do morro. Está muito bem conservado e suas várias galerias são quase um labirinto —confesso que me perdi um pouquinho por lá, mas não tive do que reclamar.

As galerias do Criptopórtico Romano são meio labirínticas, mas eu nem me importei de me perder um pouquinho :)
Achados arqueológicos do período romano estão em exposição nas galerias do Criptopórtico. São lápides, marcos miliários (colunas usadas para marcar as distâncias nas estradas romanas), ornamentos e esculturas, como os retratos de Trajano (imperador romano entre os anos de 89 e 117) e de Agripina (mãe do imperador Calígula).

O que ver no acervo
Capitéis românicos, do Século 12, que pertenceram a igrejas da região 
Pra mim, existem duas alegrias na visita a um museu: o reencontro com velhos conhecidos (os artistas universalmente famosos) e ser apresentada a mestres maravilhosos que eu ainda não tinha tido o prazer de conhecer. 

A visita ao Museu Machado de Castro me permitiu descobrir artistas magníficos, como o Mestre Pero (Século 14), Gil Eanes (Século 15, que trabalhou na ornamentação do Mosteiro da Batalha), e Diogo-Pires-o-Velho (Século 16). Foi também a oportunidade de finalmente ver ao vivo exemplares da obra de João de Ruão (Século 16) e Diogo-Pires-o-Novo (Século 16, apontado como maior expoente da escultura no período manuelino). Todos eles — e muitos mestres anônimos — vão me acompanhar pra sempre.

Virgem do Ó (à esquerda e ao centro), Santa Ágata e Santa Mártir, do Mestre Pero

São Miguel (esquerda e centro) de Gil Eanes, e Santo André, de Diogo-Pires-o-Velho
A coleção de esculturas do museu é impressionante
O forte do acervo são as esculturas — estátuas de santos e painéis, alguns monumentais, com cenas religiosas. Coimbra foi pródiga nesta arte, já que está próxima a pedreiras de calcário brando, bom de esculpir, como a famosa Pedra de Ançã. Isso atraiu grandes artistas à cidade.

Mas também prepare-se para ver pinturas, tapeçarias, peças de mobiliário e uma coleção impressionante de joias e peças sacras, como a inacreditável Custódia do Sacramento, com 1,62 metro de altura. 

Entre tantas maravilhas, caí de paixão irrecorrível por um cavaleiro medieval esculpido pelo Mestre Pero para o túmulo de Domingos Joanes, senhor de Touriz, que serviu ao primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques. Ele está tão lindo e tão compenetrado em seus paramentos de batalha que eu quase não conseguia seguir adiante na visita.

 A peça que eu mais amei em todo o acervo foi esse cavaleiro medieval, obra do Mestre Pero
A inacreditável Custódia do Sacramento é dois centímetros mais alta que eu
Os restos de um claustro do Século 13, que pertencia à vizinha igreja de São João da Almedina, os personagens de uma Santa Ceia em tamanho natural, esculpidos em terracota pelo francês Hodart (Século 16) e pinturas preciosas do Século 15 — como A Senhora da Rosa e o Tríptico de Santa Clara também merecem ser vistos com muita atenção. 

O claustro de São João da Almadina
A Senhora da Rosa, pintura mais antiga do museu, e o Tríptico de Santa Clara
Obras de João de Ruão no Museu Nacional Machado de Castro

Museu Nacional Machado de Castro
Endereço: Largo Dr. José Rodrigues, Alta de Coimbra (entre a Sé velha e a Universidade). As linhas de ônibus 28, 34 e 103 passam por lá.
Horários: de quarta a domingo, das 10h às 18h. Às terças-feiras, das 14h às 18h. Não abre às segundas.
Preços: Visita completa: €6. Para ver só o Criptopórtico, o ingresso custa € 3. Estudantes, menores de 12 anos e maiores de 65 pagam meia. 

A entrada do museu ainda conserva o pórtico do antigo Paço Arquiepiscopal. À direita, a igreja de São João de Almedina
Azulejos reproduzem teoremas de Arquimedes: a arte a serviço do aprendizado





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