quarta-feira, 4 de maio de 2016

Belle Époque em Bogotá: o Teatro Colón


Abri a porta do camarote e... uau!
Anote pra quando você for a Bogotá: além dos museus bacanérrimos, das igrejas e do conjunto arquitetônico colonial e republicano, o bairro de La Candelaria guarda uma verdadeira pérola da Belle Époque, o Teatro Colón, inaugurado em 1895 e considerado um dos mais bonitos do mundo.

Fiquei hospedada bem ao lado dele e dei sorte, pois durante os meus dias na cidade estava rolando o prestigiado Festival Ibero-Americano de Teatro de Bogotá. Nada melhor, portanto, do que conhecer o Colón da melhor maneira, que é assistindo a um espetáculo — a montagem coreana A Family on the Road, uma biografia alegórica do maior pintor daquele país, Lee Jung Seop, visualmente encantador, aliás.


Meu "vizinho" em Bogotá:
fiquei hospedada exatamente ao lado do Colón
Essa marquise é muito Belle Époque
Dizer que o Colón é lindo é eufemismo. Sua marquise envidraçada, montada em estrutura de ferro maciço (tão ao gosto da Belle Époque) e sua fachada em linhas sóbrias, talhada em pedra clara, são apenas encantos preliminares.

Cada detalhe do teatro é um espetáculo: a delicadeza da pintura do teto na área da bilheteria, a elegância do salão de entrada e do foyer, os lustres... Até que, depois de caminhar pelo corredor curvo que contorna a plateia em forma de ferradura — e onde estão expostos vários trajes usados em montagens teatrais e de óperas —, eu abri a porta do meu camarote, no terceiro piso, e... uau!!

Seis musas, inspiradoras das artes, adornam o forro da sala de espetáculos
Ainda bem que apagam as luzes durante o espetáculo, se não ia ser difícil parar de olhar os detalhes do teatro
Claro que o primeiro impacto é a visão do palco italiano, com sua imponente moldura dourada e adornada por entalhes. Depois, o olhar vai percorrendo a curva dos camarotes dispostos em torno da plateia e vai descobrindo mais e mais detalhes preciosos da decoração esmerada.

Pensa que acabou? Desloque o olhar um pouquinho mais para cima e tente não ficar boba com a pintura do forro, onde estão representadas seis das nove musas gregas, protetoras das artes Ou com o famoso lustre projetado por Luigi Ramelli, um marco da modernidade em Bogotá, pois já funcionava a energia elétrica muito antes desse conforto estar disponível na cidade — para isso, um gerador a vapor foi instalado no porão do teatro.

O cenário de A Family on the Road, uma montagem coreana com uma beleza visual impressionante - e legendas, naturalmente :) 
A acústica do Colón é maravilhosa. Mesmo lá no meu "poleirinho", no terceiro andar, dava para escutar os atores com perfeição — já entender é outra história, porque a peça era representada em coreano, mas para isso havia as providenciais legendas projetadas sobre o palco.

O Colón é o terceiro teatro a funcionar naquele exato local, bem em frente ao Palácio San Carlos, que já foi sede do governo. A casa de espetáculos pioneira foi o Coliseu Ramírez, do Século 18, que seguia o modelo do corral de comédias — teatro aberto, equivalente ibérico ao modelo elisabetano que se vê hoje no The Globe, em Londres. No início do Século 19, com alguns melhoramentos, o Coliseu foi substituído pelo Teatro Maldonado.

O foyer, ponto de encontro do público antes dos espetáculos e nos intervalos
Bogotá não estava alheia às mudanças que ocorriam no mundo, a partir da metade do Século 19. A popularização da máquina a vapor moveu grandes transformações econômicas e sociais e, naturalmente, nos costumes. 

Longe da fuligem das fábricas onde labutavam as pessoas comuns, as elites embarcaram alegremente no período conhecido como Belle Époque, pródiga com as artes e o hedonismo. O desejo de contemplar e conviver com o belo ia muito além do boom das galerias de arte, onde brilharam os Impressionistas. O teatro também floresceu — não só a dramaturgia, mas as casas de espetáculo. E é aí que a construção do Teatro Colón (concebido como Teatro Nacional) entra na história da capital colombiana.

A pintura do teto na área da bilheteria (esq) e o famoso lustre projetado por Luigi Ramelli para a sala de espetáculos
Do plano à plena inauguração, foram dez anos de trabalho, desde a desapropriação do Teatro Maldonado, a contratação do arquiteto florentino Pietro Cantini, responsável pelo projeto e supervisão das obras, o treinamento de mais de uma centena e meia de artesãos e operários, formados especialmente para a construção e ornamentação do edifício. 

Antes da conclusão total da obra, houve uma inauguração formal do Colón em 1892, no terceiro centenário da descoberta da América por Colombo — daí a homenagem ao navegante no nome do teatro. Mas foi só em 1895 que ele pode funcionar pra valer.

Assistir a um espetáculo no Colón é uma experiência deliciosa. Fique de olho na programação e descubra essa atração turística do jeito que ela merece, no auge da beleza, que é quando a cortina se abre e a mágica de qualquer teatro começa. Garanto que vai ser uma das memórias mais lindas que você vai trazer de Bogotá.

Trajes usados em óperas e montagens teatrais expostos nos corredores do teatro. À direita, a entrada do meu camarote
Teatro Colón de Bogotá
Calle 10 nº 5-32, La Candelaria. Consulte o site para ver a programação. Os telefones da bilheteria são esses: (57+1) 381 6358, 381 6359 ou 3816372


As visitas guiadas ao Colón são realizadas às quartas e quintas, às 15 horas, e aos sábados, às 12h e às 15h, para grupos de até 30 pessoas. Têm duração aproximada de uma hora e custam 5.000 COP (R$ 6). Os bilhetes para o tour podem ser comprados na internet (nesta página) ou diretamente na bilheteria.


O Festival Ibero-Americano de Teatro de Bogotá é realizado a cada dois anos. Desde sua primeira edição, em 1989, veio se consolidando como um dos eventos do gênero mais importantes do mundo, reunindo centenas de companhias de artes cênicas de todo o planeta para duas semanas de atividades, com montagens de rua e em diversas salas da cidade, concertos, dança, circo e bonecos.

Se você gosta de teatro, vai adorar visitar Bogotá na próxima edição do festival, marcada para 2018. Além da chance de ver montagens do mundo inteiro, do clássico ao experimental, aposto que vai curtir o clima festivo que toma conta da cidade.



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Theatro Municipal do Rio de Janeiro
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2 comentários:

  1. Que lindo, eu sou apaixonada por Teatros, tantos que umas das minhas primeiras pesquisas de viagem é ver os teatros que fazem visita guiada, mas a sensação de poder assistir um espetáculo nele é uma vivência completa. Parabéns pelo post Cyntia, uma verdadeira aula de história e pelas fotos lindíssimas.

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    1. Obrigada, Deisy. Eu sou louca por teatros também. Tenho uma listinha de "desejos de viagem" só com eles :)

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