domingo, 8 de maio de 2016

Onde comer em Villa de Leyva

Rincón Gourmet: Villa de Leyva tem uma boa oferta de restaurantes, bares e cafés
Villa de Leyva é pequenininha, mas é muito bem estruturada para o turismo. Sem muito luxo, mas com capricho, o que não falta nessa adorável cidade colonial colombiana são lugres simpáticos e aconchegantes para uma bebidinha depois dos passeios ou uma boa refeição. Talvez a cena gourmet da cidade, sozinha, não seja um motivo para a sua viagem, mas, pela minha experiência lá, posso garantir que ela não vai destoar. Confira as dicas:


A 160 km de Bogotá, já na província de Boyacá, a culinária da Villa de Leyva tem influência da forte tradição da cultura do trigo, nos tempos da colônia, o que faz com que este cereal rivalize com o milho na mesa local, ao ponto de desbancá-lo até como base da arepa. O milho, porém, é a base da almojábanas, um pão doce, cuja massa também leva queijo.  

O que comer na Villa de Leyva

Besitos de novia, o doce que é a cara da Villa de Leyva
Besitos de Novia
Imagine um bolo de massa bem leve, cortado em tijolinhos com no máximo dois dedos de espessura, recobertos por suspiros e devolvidos ao forno, para consolidar a casquinha. Essa é a alma do besito de novia, ou "beijo de namorada", um doce clássico em Villa de Leyva que conquista primeiro os olhos, com suas singelas embalagens em papel de seda de cores fortes.

O segredo do besito desvendado: casquinha de merengue e recheio de biscocho
besito foi criado na cidade e é um orgulho local. A massa do bolo (que os locais chamam de biscocho)é preparada com amido de milho, açúcar e ovos e o resultado é bem gostoso. O melhor lugar para comprar o doce é no Parque Nariño, onde se concentram algumas das confeiteiras mais tradicionais. Foi lá que eu comprei três pacotes com 10 unidades cada, no dia de ir embora, ,as só um chegou "vivo" a Bogotá. 

Como é um produto artesanal, sem conservantes, não é exportável e, portanto, difícil de encontrar fora da cidade. Mas se você estiver passeando na Colômbia e der de cara com esses pacotinhos, não vacile: prove, e não vai se arrepender.

Arepas de trigo


Arepas de trigo prontinhas para o café da manhã. À direita, uma linda arepita sendo assada antes de saltar para o meu prato 
Se você leu o post sobre comer em Bogotá, já sabe que eu não dispenso as minhas arepitas no café da manhã colombiano. Na Villa de Leyva, não foi diferente. O que mudou foi a forma de preparo, pois o costume da cidade são as arepas de trigo, em vez das tradicionais, de milho. É que a região de Boyacá, onde está Leyva, foi o grande celeiro de trigo do país, na época da colônia.

Muito clarinhas, achatadas, com cerca de meio centímetro de espessura, as arepas de trigo podem não apagar meu amor pelas de milho, mas são muito gostosas. Ainda mais com um queijinho feito com o leite produzido nas cercanias. Ou, se for caso de já começar o dia escancarando, com uma boa camada de arequipe (doce de leite). Como têm um sabor mais neutro que as arepas de milho — neutro pra nós, eurocêntricos e adictos do trigo — elas acolhem melhor as combinações mais extravagantes.

Onde comer em Villa de Leyva

Lomos: bons queijos, geleias e, claro, as minhas arepas matinais
Lomos
Calle 11 nº 8a-28

Esse lugar foi indicado pelo pessoal do meu hotel em Leyva, que não serve café da manhã. Embora oficialmente seja uma charcuteria artesanal, o Lomos serve de tudo um pouco das gostosuras clássicas da cidade e também algumas especialidades da província de Antioquia, terra dos donos da casa, como as arepas de trigo (que não são só apreciadas em Boyacá).

Com uma cara de vendinha do interior de antigamente e atendimento caloroso dos donos, o lugar é simples e simpático, com o desjejum preparado à vista do freguês em um fogão meio a lenha, meio a gás (que você nas fotos deste post, assando as minhas arepas). Os ovos frescos, recém chegados, são uma tentação.

No Lomos, além dos embutidos produzidos lá mesmo, estão à venda uma série de guloseimas feitas por produtores das redondezas. Gostei dos queijos, das geleias, das arepas e do papo com os donos e outros clientes, quase todos moradores ou "veranistas" da cidade. Bom desjejum, por 7.500 COP (R$ 9).

Perdi a conta das fotos que fiz da Plaza Mayor de Villa de Leyva - linda com qualquer luz e de qualquer ângulo

Os restaurantes da Casa Quintero voltados para a Plaza Mayor são menos agitados do que os que ficam no pátio do velho casarão
El Santo
Casa Quintero, Plaza Mayor, esquina com Carrera 9ª


A Casa Quintero é um edifício colonial restaurado e ocupado por uma infinidade de restaurantes e bares com as mais variadas caras, estilos e culinárias. Vive lotada, até pela localização, com uma das fachadas voltadas para a Plaza Mayor e outra para a Carrera 9ª, a rua da muvuca de Leyva. Os restaurantes mais concorridos são os que ficam no antigo pátio colonial, no centro da construção. Se você gosta de agito e de ver gente, vai gostar.

Na minha primeira noite em Villa de Leyva, jantei no El Santo, um dos restaurantes da Casa Quintero. Mais quietinho, voltado para a Plaza Mayor, muito despojado e com uma trilha sonora bacaninha. 

A comida do El Santo é simpática, com um toquinho de ousadia — o molho de tamarindo do meu filé estava interessante. Mas os que eu mais gostei foi de relaxar com música agradável, ser muito bem atendida e bebericar um vinhozinho chileno (Viña Morandé, Vale do Maipo) bem quietinha com meus pensamentos. Jantar com vinho a 40.000 COP (R$ 48).

Puerto Libre
Calle 11 N 9 - 15
Esse ceviche de camarão aí da foto estava tão bom que eu repeti
Quando eu entrei neste restaurante, instalado ao redor de um amplo pátio colonial com mesinhas e guarda-sóis, tudo o que eu queria era fugir do calor absurdo da rua. Eu já tinha virado Villa de Leyva do avesso e ainda explorado algumas atrações dos arredores da cidade e o Puerto Libre tinha a cara exata do lugar que eu estava buscando: agradável, fresco e tranquilo — tinha música ao vivo, mas não comprometia.

Não estava muito inspirada para almoçar, pedi só uma bebida e um ceviche de camarão para beliscar. Geeeente, que ceviche!! Estava tão bom que eu repeti.

A casa é especializada em pratos feitos no wok, com grande variedade de frutos do mar. Também serve carnes na parrilla, mas fiquei felicíssima com meu pedido. Uma pausa que valeu pelo almoço, por 30.000 COP (R$ 36).

El Rincón Gourmet
Calle 13, nº 8-83

O Rincón é um piano bar bem charmoso
 na parte mais sossegada da Villa de Leyva
 
Este foi o responsável pela minha melhor refeição em Villa de Leyva. Pequeno, aconchegante e bonito, o Rincón Gourmet é um piano bar na banda mais sossegada da cidade, adiante da Plaza de Armas, com decoração discreta e esmerada, iluminação suave e atendimento muito simpático.

A felicidade pode ser simples: tortilla e flã de queijo
Foi lá o meu jantar de despedida da cidade. Como o calor afeta meu apetite, fiquei apenas na tortilla, que estava simplesmente perfeita, leve como uma pluma e toques de temperinhos que não consegui identificar, mas que davam um tom bem especial ao prato.

Depois de bebericar, comer bem e ouvir o piano tocado pelo dono da casa, resolvi atacar a sobremesa, o flã de queijo com molho de laranja e coulis de frutas vermelhas que me fez suspirar — ainda mais que foi acompanhado por uma copiosa dose de xerez. Ótimo jantar, por 67.000 COP (R$ 80).



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