terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

4 dias em Foz do Iguaçu:
Roteiro e dicas práticas


Em um feriadão de quatro dias, dá para ver os principais encantos de Foz e região. Na foto, o lado brasileiro das Cataratas do Iguaçu
Fazia um tempão que eu queria voltar a Foz do Iguaçu, cidade que visitei várias vezes, sempre a trabalho – com direito a escapadinhas rápidas para ver as cataratas e outras atrações. A oportunidade pintou agora, neste Carnaval, como uma surpresa boa: depois de pesquisar vários destinos no Brasil e na América do Sul, encontrei passagem aérea para Foz por um preço bem em conta e as diárias dos hotéis para o período estavam pagáveis — apesar do feriadão que lotou a cidade.

Neste post, organizei algumas dicas práticas para sua viagem e detalhei meu roteiro, uma sugestão para quem tem pouco tempo em Foz do Iguaçu:

A Garganta do Diabo vista do lado argentino 
Quanto tempo
Viajei na sexta-feira de manhã. De Brasília a Foz, contando o tempo da conexão em Curitiba, foram cerca de seis horas, com chegada no começo da tarde. A volta foi na terça-feira, ao meio-dia.

Tive quatro dias para Foz do Iguaçu e explorar um pouco mais a região. É um período razoável para ver o que há de mais interessante por lá, as cataratas (lado brasileiro e lado argentino), e para esticar um bate e volta às ruínas das Missão Jesuítica de San Ignacio Miní, um lugar que há décadas eu sonhava visitar.

Ruínas de San Ignacio Miní:
sonho antigo na minha listinha que já teria valido a viagem
Represa de Urugua-í ("uruguaizinho", "rio dos caranguejos" em guarani), no caminho para as ruínas de San Ignacio Miní
De bônus (e que bônus!!), fiz uma parada na casa onde Che Guevara passou os dois primeiros anos de vida, no caminho para San Ignacio. Também dei uma passadinha no Free Shop de Puerto Iguazu. 


Só essa placa à beira da estrada identifica a entrada para o sítio onde Che Guevara passou os dois primeiros anos de vida. À direita, o Rio Paraná visto do pequeno museu dedicado à sua memória
O roteiro
Trilha na mata que cerca o Hotel San Martin
Sexta-feira – chegada por volta das 14:30h (calor de derreter catedrais). Aproveitei para relaxar na piscina do hotel, o San Martin Resort & Spa, e, quando o sol deu uma folga, fiz uma trilha pela mata até a beira do Rio Iguaçu, no terreno do hotel mesmo.

Sábado – Cataratas do lado brasileiro
Esse é passeio para um dia inteiro (das 9h às 17h, que é o horário de abertura do Parque Nacional das Cataratas), pois além da trilha até a Garganta do Diabo, tem alternativas de passeios de caiaque, de bicicleta, caminhadas na mata e o Macuco Safári.

Desta vez, preferi fazer só a trilha principal, almoçar no Porto Canoas (a área de restaurantes e lanchonetes que fica próxima à Garganta do Diabo). Para essa “versão resumida”, reserve um mínimo de 5 horas.

O que você precisa saber pra organizar a visita ao Parque das Cataratas:
Cataratas do Iguaçu: a natureza confortável

Reserve um dia inteiro para ver o lado brasileiro das cataratas 
Domingo – Cataratas Argentinas
Reza a lenda que os irmãos Cohen estavam pensando neste passeio, no auge do verão, quando batizaram seu filme Onde os fracos não têm vez (rsss). Brincadeira à parte, essa é uma atividade que preenche dois dias de programação, facinho, pois além da trilha mais famosa (à Garganta do Diabo, claro), há outras duas trilhas interessantes.

Quem não é atleta, porém, vai ter dificuldade de fazer tudo em um dia só, depois de enfrentar o calorão nas filas para pegar o trem (o transporte interno do parque dos Hermanos) e de derreter na caminhada pela passarela sobre o Rio, até a Garganta do Diabo.

Veja como foi esse passeio:
Cataratas do Iguaçu: o lado argentino

A noitinha, depois de me hidratar muito e retornar à forma humana, fui dar uma olhada no Free Shop de Puerto Iguazu.

San Ignacio Miní: é longe, mas vale cada minuto na estrada
Segunda-feira – Missão Jesuítica de San Ignacio Miní e visita à casa de Che Guevara, em Caraguatay
Mesmo sem a parada na casa do Che, esse programa toma o dia inteiro. São 510 km de estrada, contando a ida e a volta, e visita às ruínas merece no mínimo umas duas horinhas. Eu não visitei o museu, que está fechado para reformas, mas quem já foi avisa que ele também rende mais uma hora de programação, no mínimo.

Veja como foram essas etapas:
Bate e volta de Foz do Iguaçu à Missão Jesuítica de San Ignacio Miní
A casa de Che Guevara em Caraguatay


Terça-feira – retorno a Brasília

Como é o clima
Piscina: no verão, você vai precisar desse equipamento
Faz muito calor em Foz do Iguaçu no verão — mas muito meeeesmo. Espere encontrar temperaturas próximas dos 40 graus (meu recorde foi 43 graus, em dezembro de 2001). A umidade “amazônica” piora muito a sensação de abafamento.

O verão também é a estação das chuvas por lá e as cataratas ficam no auge da exuberância (outubro, historicamente, é o mês de maior vazão do Rio Iguaçu), mas tanta água resulta em uma névoa persistente em torno das quedas d’água, o que pode atrapalhar a visibilidade e suas fotos (além de garantir que você vai ficar encharcada ao circular pelas passarelas de observação dos parques).

O que levar
A "fumaça" que você vê nas fotos são os respingos das cataratas. Prepare-se para tomar várias "chuveiradas" durante o passeio, como essa que me acertou bem na hora da selfie, na trilha argentina. À esquerda, a passarela do lado brasileiro
Mesmo nas estações mais frescas, nem pense em visitar as cataratas sem muito protetor solar, óculos escuros e chapéu. A vegetação é generosa, mas mesmo assim a exposição ao sol é severa (eu voltei de Foz parecendo uma lagosta).

Repelente contra insetos é item básico de sobrevivência. E não adianta só aplicar antes de sair do hotel. Na visita às cataratas, você vai ver que precisa reaplicá-lo algumas vezes, já que vai suar e ainda levar algumas “chuveiradas” ao caminhar próxima às quedas d’água. Vai pesar na mochila, mas carregue o repelente com você o tempo todo.

Se não quiser se molhar com o spray das cataratas, leve uma capa de chuva. Os ambulantes no entorno da entrada do parque (do lado brasileiro) vendem umas capinhas de plástico meio descartáveis por R$ 5. Nas lojas do Parque Nacional das Cataratas tem uns modelos mais bacaninhas, transparentes, em material mais resistente, que custam a partir de R$ 15.

Eu comprei a baratinha e acabei não usando. O calor era tanto que os respingos das cataratas foram uma benção.

As trilhas do lado brasileiro (esquerda) e do lado argentino oferecem vários trechos de sombra. Mesmo assim, voltei de Foz parecendo uma lagosta
Essa molhação toda pode ser bem complicada para o equipamento fotográfico. Eu tratei de embrulhar a câmera com filme plástico (aquele de embalar comida que vai ao frízer e à geladeira). Deixo só a lente de fora. O celular tem uma capinha à prova d’água, que uso para mergulhar.

Um bom suprimento de lenços de papel (guardados em um saco plástico com fecho, tipo zip) é fundamental para enxugar as lentes da máquina (e dos óculos), coisa que você terá que fazer a cada 15 segundos, rsss.

Pra evitar essa parafernália toda, podia ter levado só a GoPro nos dois passeios às cataratas, mas é uma câmera que não se presta a todo tipo de imagem.

Uma longa passarela sobre o leito do rio leva até o mirante da Garganta do Diabo, no lado argentino das cataratas
Como é o astral
Além de rever a beleza incomparável das Cataratas do Iguaçu, eu tinha uma curiosidade: será que a cidade tinha conseguido realizar a transição, tão falada há uma década, de "destino de compras" para atrair um turismo mais voltado para a natureza? 

Para os estrangeiros, sempre foi assim — Foz só perde para o Rio de Janeiro como destino dos gringos no Brasil. Mas até 2003, data da minha última visita, a cidade ainda atraía mais brasileiros interessados nas compras no Paraguai do que para ver as maravilhas naturais da região.

Isso limitava muito as opções de diversão por lá, que ficavam praticamente restritas a um passeio no Parque Nacional das Cataratas, sem falar da pouca oferta de hotéis e restaurantes interessantes. 

A beleza parece estar ganhando do consumo :)
Pois a boa notícia é que a beleza parece estar ganhando do consumo e a estrutura de Foz do Iguaçu atende muito bem esse "novo turista", mais interessado nas belezas naturais que a cidade e seu entorno têm a oferecer. 

Agora é super fácil conseguir transporte para ir ao lado argentino das cataratas, para bater pernas no centrinho de Puerto Iguazu (onde há bons restaurantes e uma feirinha gastronômica, todas as noites) e até a visita às missões de San Ignacio Miní e Loreto, a mais de 250 km de distância de Foz, já não parece coisa do outro mundo — tem até agências que organizam excursões.

Não que as compras tenham saído da pauta. Nem cheguei perto de Ciudad del Este, no Paraguai (a cidade sempre me deixou tonta com a muvuca em torno de seu comércio), mas o par de horas que passei no Free Shop de Puerto Iguazu, na Argentina, prova que comprar importados sem imposto ainda faz um sucesso danado por lá.

Como circular
Até poucos dias antes de embarcar para Foz do Iguaçu eu estava na dúvida sobre a conveniência de alugar ou não um carro para me locomover por lá. Duas coisas me fizeram decidir a usar transfers e táxis.

Uma foi a descoberta de que as locadoras brasileiras só permitem que seus carros circulem em território argentino no máximo até 50 km da fronteira, o que dá para ir a Puerto Iguazu e às cataratas, mas não até às missões jesuíticas, um ponto inegociável do meu roteiro.

A segunda coisa que me fez bater o martelo foi um post detalhadíssimo de Ricardo Freire, no Viaje na Viagem, com todas as opções de transporte na região (leia que vale a pena: "Transporte em Foz do Iguaçu: trânsfer, carro alugado, táxi ou ônibus?").

Ficar de cara para esse colosso é emocionante
(lado brasileiro das cataratas)
O resultado é que não me arrependi da minha escolha. Pode ser meu apego à vida de pedestre, mas acho muito mais descomplicado não ter que dirigir. Somando o que gastei com transporte por lá, nem cheguei perto do que teria gasto com quatro dias de aluguel de carro (não esqueça que para a viagem a San Ignacio Miní eu teria que pagar um transfer de qualquer jeito).

Usei táxi comum para ir do aeroporto ao hotel (e vice-versa) e para ir jantar em Foz. Do aeroporto ao meu hotel, que ficava na Avenida das Cataratas (bem pertinho, portanto), a corrida custou R$ 20. Para ir do hotel ao centro de Foz, pelo taxímetro, achei o preço bem salgado: R$ 50 — dividindo com outras pessoas até que vai, mas pra quem viaja sozinha...

Para ir às cataratas argentinas e ao Free Shop de Puerto Iguazu, contratei os serviços de Iuri (fone 45-9923-8094), que cobrou R$ 180 e R$ 60, respectivamente.

Quem me levou a San Ignacio Miní foi Roberto, que cobrou R$ 500, para um passeio de dia inteiro e 520 km de estrada. Os contatos dele são esses:  45-91527133 (Vivo), 45-99808198 (Tim) ou 45-30289679.

Onde ficar: Centro ou Avenida das Cataratas?
Quem se hospeda na Avenida das Cataratas está do ladinho da entrada do parque
As notícias dão conta de que a hotelaria no Centro de Foz ganhou um senhor upgrade desde a minha última visita, há quase 13 anos. Mesmo assim, para uma viagem de lazer eu não tive dúvidas de escolher a Avenida das Cataratas.

Primeiro, claro, porque é muito mais fácil e mais perto ir de lá para os dois parques das cataratas (o brasileiro e o argentino) e para pegar a estrada até Puerto Iguazu e San Ignacio — também tive notícias de que o trânsito em Foz do Iguaçu está de amargar.

Segundo, porque no calorão que eu já sabia que ia pegar, é muito mais confortável ficar em um hotel mais "campestre", longe da confusão de um centro de cidade.

Gostei da minha escolha, que achei bem mais prática e relaxante. Fiquei no San Martin Resort & Spa, que tem uma vasta área verde e uma estrutura bem razoável. Vai ter um post detalhadinho sobre ele.

Não importa onde você fique, porém: se viajar no verão, certifique-se de que seu hotel tenha uma piscina. É item de primeira necessidade.

Mais sobre esta viagem
Bate e volta de Foz do Iguaçu à Missão Jesuítica de San Ignacio Miní

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6 comentários:

  1. Adorei o post e vi ainda mais coisas para visitar pela região! Com certeza, repelente e piscina são indispensáveis! Fui de carro e utilizei serviços de transfers em algumas atividades, pois estávamos sem carta verde. Não tive problemas com trânsito e fiquei hospedada ni centro, perto de bares e restaurantes. Estou finalizando o meu post, vou indicar o seu lá! Bj

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    1. Pois é, Gabi, essa parte dos bares e restaurantes eu senti falta. Acabei fazendo várias refeições no hotel (até porque eu chegava morta com farofa dos passeios).

      Doida pra ler seu post. É legal compara as impressões.

      Bjo

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  2. Oi, queria saber como você fez para ir até a Missão Jesuítica de San Ignacio Miní. Estou planejando uma viagem para Foz, em agosto e gostaria de ir até lá. Quanto custou, aproximadamente?

    Beijos! Adorei o blog!!! :)

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    1. Oi, Brenda, a visita às missões vale demais! O lugar é lindo (tem um vídeo lá na página do blog no face e vai ter post :) https://www.facebook.com/fragatasurprise/videos)

      Você pode ir com agências, que fica mais barato, em torno de R$ 120, mas eles exigem um mínimo de oito pessoas para formar o grupo (quer dizer, se não aparecerem interessados suficientes, o passeio não sai).

      Como falei no post, as locadoras não deixam vc ir além de 50 km da fronteira com carro alugado,então, para ir por conta tem que contratar um transfer (carro particular). Eu paguei R$ 500, mais a carta verde.

      Quem me levou a San Ignacio Miní foi Roberto. Os contatos dele são esses: 45-91527133 (Vivo), 45-99808198 (Tim) ou 45-30289679.

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  3. Oi Cyntia, adoro ler os seus posts, suas observações pesam bastante quando faço meus roteiro. Obrigada.
    Com relação a duvida de ficar ou não no centro de Foz eu também tive, mas optei em ficar no centro por conta da variedade de restaurantes. Passamos o Reveillon no Rafain centro e pudemos curtir os barzinhos e restaurantes da região... mas o que mais me impressionou foi que CENTRO lá em Foz tem outro significado! Ruas largas e arborizadas, vários bares bem frequentados, muito lugar para estacionar e sem tomadores de conta.. rsrs

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    1. Oi, Ana, obrigada :)

      Realmente, o centro de Foz tem muito mais opções de restaurantes e bares. A cidade surpreende, passa longe daquele clichê de fronteira, é muito bem cuidada...

      A vantagem da hospedagem na Avenida das Cataratas é só a proximidade com a maior atração :)

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