quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Minhas melhores escapadas de Carnaval

João Pessoa, Cuba, Punta Cana e Cartagena:
escapada de Carnaval com praia é sempre melhor
Atualizado em janeiro de 2017
A última vez que eu brinquei o Carnaval foi no ano 2000. Em Salvador, claro. E a farra foi tão boa que deu para encerrar minha carreira de foliã, sem traumas. Desde então, pra mim, a palavra forte na expressão “feriados de Momo” é feriados – com todo respeito ao rei e à sua folia. Carnaval virou sinônimo de pausa para uma viagenzinha curta, aquela bem-vinda escapada que recarrega minhas baterias. À beira-mar, de preferência.

Quando dá para enforcar a quinta e a sexta “de cinzas”, aposto em lugares mais distantes — o Caribe é ótimo nessa época, embora as águas estejam um pouquinho menos cristalinas que no verão local (julho/agosto). Cuba, Cartagena e Punta Cana me proporcionaram três carnavais inesquecíveis.

Punta Cana: o Caribe é ótimo na época do Carnaval
No Brasil, minha melhores apostas foram João Pessoa e Foz do Iguaçu. Dona das melhores praias urbanas do Brasil, a capital da Paraíba é muito  tranquila nos dias de Momo — lá, a folia acontece na semana anterior. Foz não tem praia, mas tem o espetáculo das cataratas, a possibilidade de uma escapada bacana à região das Missões Jesuíticas e, claro, hotéis com piscina para aplacar o calor que faz por lá nessa época de Carnaval.

Os destinos que você vai ver neste post são muito mais que lugares para fugir da zoeira e rendem escapadas o ano inteiro. Aproveite as dicas 😎.

(E depois eu conto pra onde estou indo agora, no Carnaval de 2017 😉).


San Ignacio Miní, antiga missão jesuítica em território argentino, um dos passeios que fiz a partir de Foz do Iguaçu na escapada do Carnaval de 2016
Como escolher sua escapada de Carnaval

A maior vantagem de ir para o exterior no Carnaval é a certeza que de que não vai aparecer um carro de som estrondando o último hit da folia, estragando meu sossego — afinal, estamos falando de escapar da festa. Sem contar os preços, é claro, que nesta época, aqui no Brasil, ficam mais animados do que trio elétrico das antigas.

Se você conseguir emendar o feriado, enforcando a quinta e a sexta posteriores ao Carnaval, terá 10 dias de folga e a escolha do destino vai depender mais de seu orçamento do que da equação tempo de voo/tempo líquido para aproveitar a escapada.

O lago Nahuel Huapi visto do Cerro Campanário, nos arredores de Bariloche, Argentina, no meu roteiro de Carnaval aos Lagos Andinos
Além das três experiências no Caribe, já aproveitei o período para ir a Barcelona, esticando até Carcassonne e Girona — roteiro redondinho —, e aos Lagos Andinos, com paradas em Buenos Aires (na ida) e Santiago (na volta).

O fundamental é escolher um destino que não vá consumir metade de sua folga em deslocamentos.

Agora, se você tem só os quatro dias de folga, é melhor escolher um destino doméstico, pra não passar o feriado voando.

O carcará é uma ave muito comum no Pantanal. O Carnaval não é a melhor época par visitar essa maravilha brasileira, mas a viagem acabou sendo ótima, com pouca chuva e muitos bichos 
Além de João Pessoa e Foz do Iguaçu, que não têm erro, já fiz uma aposta atrevida: em 2015, fui para o Pantanal. Fevereiro não é a melhor época naquela região. É tempo de chuva e a paisagem alagada "esconde" os bichos — além de aumentar a quantidade de mosquitos. Apesar do risco, porém, foi uma viagem ótima e muito barata, porque feita em baixa temporada.

Veja as dicas: 
Álbum de figurinhas: os bichos do Pantanal
Pantanal para urbanoides - dicas práticas

Destinos bacanas para o Carnaval


Barcelona

A Casa Millà (La Pedrera) e a Sagrada Família estão entre as obras mais famosas de Gaudí em Barcelona
Dez dias de folga rendem um intervalo bacaninha para explorar uma cidade da Europa e arredores. Em 2011, passei os feriados em Barcelona. O segredo foi comprar a passagem aerea com bastante antecedência. Afinal, viajar no Carnaval não é uma ideia que ocorra só a meia dúzia de pessoas 😊 e as tarifas mais em conta esgotam rapidinho.

Com 10 dias para o roteiro, reservei cinco para Barcelona (quatro na chegada e depois mais um) e programei uma escapada à cidade medieval de Carcassonne, no Sul da França, que é simplesmente um sonho. De trem, são duas horas de viagem até Narbonne, já em território francês, e mais meia hora de lá até o destino final.

A Cité de Carcassonne parece um sonho, de tão linda
Recomendo duas noites em Carcassonne, para explorar a Cité (a cidade amuralhada medieval) e a Bastide (o bairro fora das muralhas, do Século 14) com calma. Aproveite para provar o cassoulet, prato que foi inventado lá.

Na volta de Carcassonne, ainda fiquei um dia em Girona, uma preciosidade catalã que preserva um lindo patrimônio medieval e eu super recomendo a todo mundo que vai a Barcelona.

Veja como foi essa viagem (no post, siga os links para ver os detalhes de cada etapa)
Roteiro: Barcelona, Girona e Carcassonne



Foz do Iguaçu
Foz do Iguaçu rende um roteiro perfeito para os quatro dias de Carnaval
Esse foi o meu destino de Carnaval mais recente. Foi para que escapei nos quatro dias de folga de 2016 e trouxe posts bem detalhadinhos sobre meus passeios por lá. Quatro dias parecem pouco, mas renderam um bocado. Visitei as cataratas do lado brasileiro e do lado argentino e ainda estiquei até San Ignacio Miní para ver as belíssimas ruínas da antiga missão jesuítica (e recomendo muito o passeio). Ainda deu tempo de visitar o primeiro lar de Che Guevara, um sítio nos arredores da pequena Caraguatay que hoje é um museu.

Veja como ficou o roteiro dessa viagem:
4 dias em Foz do Iguaçu: roteiro e dicas práticas

João Pessoa
O amanhecer de um domingo de Carnaval na Praia do Cabo Branco, em João Pessoa
Já falei aqui na Fragata que João Pessoa é o Nordeste do futuro. A cidade resistiu à pressão do turismo de massas e à especulação imobiliária, preservando sua orla — Jampa tem espigões, mas longe da praia — e a silhueta imponente da falésia que caracteriza aquele ponto da costa. Há 20 anos, os críticos diziam que ela tinha "parado no tempo", mas na verdade ela estava apenas enxergando mais adiante e se recusando a ser um destino turístico descartável.

A capital paraibana já não é mais a cidade onde passei uma temporada de trabalho, no início dos anos 90  tão tranquila que eu voltava para casa a pé, sozinha, às duas da manhã, pela Orla de Manaíra. Jampa cresceu, ganhou problemas de metrópole, mas ainda tem uma qualidade de vida muito superior à das grandes cidades. Suas praias, limpas e bem cuidadas, são uma raridade em centros urbanos.

Se quiser variar o cenário, uma viagem curtinha leva a praias gostosas e mais rústicas, como a do Coqueirinho, 25 km ao Sul de João Pessoa.

A Praia do Coqueirinho no Carnaval de 2012
Entre as atrações de João Pessoa, vale dar muitos mergulhos na Praia do Bessa, fazer caminhadas preguiçosas pelo calçadão da Praia do Cabo Branco e admirar a vista do alto da falésia, onde estão um farol e a Estação Cabo Branco (projeto de Niemeyer). O Centro Histórico da cidade surpreende pela riqueza do acervo arquitetônico, com destaque para o Centro Cultural São Francisco, conjunto barroco do Século 16.

Não deixe de esticar o passeio pelo Centro Histórico até o larguinho da Igreja de São Frei Pedro Gonçalves, no final da rua Padre Antônio Pereira, para ver o Hotel Globo, de 1929, cujo jardim, debruçado sobre o rio, é o melhor point da cidade para ver o pôr do sol. O antigo hotel hoje abriga um museu, com peças decorativas e mobiliário em estilo Art Déco, que eu amo — ainda não visitei o acervo, mas o prédio é lindo.

Mais dicas de João Pessoa? Leia esses posts:
Cuba - Havana e Santiago
Até eu, que não ligo a mínima para automóveis, 
deliro com as "antiguidades" que circulam em Cuba
Cuba foi minha estreia nos "invernos de 29 graus" do Caribe, minha primeira escapada para aquelas bandas em um Carnaval. Uma jornada sentimental pelas memórias de uma das grandes aventuras do Século 20 — a revolução de Fidel, Che, Camilo e companhia, com pitadas de tietagem ao fantasma de Hemingway.

Acho difícil alguém visitar Cuba e não sentir uma enorme admiração pela dignidade daquele país tão pequenininho e com recursos tão limitados, mas onde só vi crianças nas ruas indo para a escola. Um país muito pobre, mas com índices de violência e conquistas na saúde e na educação comparáveis aos do primeiro mundo.

Os coquitos, ou coco-taxis, são triciclos com carroceria de fibra de vidro, um meio de transporte muito popular entre os turistas 
Mas se seu barato não é o turismo político, você não vai se decepcionar. O Centro Histórico de Havana (Havana Velha) é um dos conjuntos coloniais mais espetaculares que já vi. O mar do Caribe garante mergulhos inesquecíveis — e olha que meu banho de mar foi em Playa del Este, popular e sem frescura, mas um show de praia, na periferia de Havana.

As baías de Santiago e de Havana, com seus fortes do Século 17 (San Carlos de la Cabaña e San Pedro de la Roca), merecem figurar em qualquer listinha de "paisagens mais bonitas das Américas.


Se Havana é claramente ibérica, latino-americana, Santiago é a a expressão mais fiel do Caribe, com dois pés plantados na África, tão parecida com a minha Salvador que chegava a me confundir — e como é bom sair para dançar em Santiago de Cuba!

Castelo de San Pedro de la Roca, em Santiago de Cuba
Santiago fica na ponta Leste da ilha, aos pés da legendária Sierra Maestra, e foi palco da primeira tentativa de sublevação liderada por Fidel, o assalto ao Quartel de Moncada, em 1956. O lugar hoje é uma escola de primeiro grau e um museu. Além de dançar muito em casas de trova anônimas ou famosas e seguir a trilha das memórias da Revolução Cubana, não deixe de visitar o Castelo de San Pedro de la Roca, do Século 17. O visual lá do alto é lindo, especialmente ao pôr do sol.

Mais Cuba aqui no blog:
Todos os posts sobre Havana
E os posts sobre Santiago de Cuba

Cartagena
Cartagena é apaixonante!
Já que estamos falando em cidades coloniais, chegamos a uma preciosidade. Cartagena foi meu destino no Carnaval de 2007, um encontro que eu sonhava ter desde que vi meu primeiro filme de piratas na Sessão da Tarde. E só posso dizer que a cidade cumpre até mesmo as promessas que nem sonhou em fazer :)

Fundada no Século 16, diante da rota marítima que levava as riquezas das colônias espanholas para a metrópole, Cartagena foi um dos portos mais importantes das Américas e suas ruas centenárias e fortificações estão impregnadas de memórias de navegadores, piratas e aventureiros que tentavam a sorte deste lado do mundo. Tem também uma forte presença africana, como atestam as palenqueras, mulheres de uma comunidade próxima, San Sebastián de Palenque, remanescente de um quilombo, que vendem doces e frutas pelas ruas da cidade.

(Palenque é um idioma crioulo - misto de espanhol, português e línguas de origem afro – criado por escravos no período colonial. A palavra também é usada para designar quilombo, na região).

Uma fachada bem típica de Cartagena. À direita, o campanário da Catedral
Quase cinco séculos depois da fundação da cidade, o núcleo histórico de Cartagena — o Centro e os bairros de San Diego e Getsemani — ainda permanece aninhado em um cinturão de sete quilômetros de muralhas e bastiões, erguidos após sucessivas tentativas de tomada da cidade feitas por ingleses e franceses. O vasto conjunto arquitetônico colonial da cidade ganha ainda mais pintado em cores fortes e adornado por trepadeiras floridas que, pra mim, viraram a marca mais forte de Cartagena.

"Minha" praia na Isla Grande, Arquipélago do Rosário
O melhor jeito de organizar uma temporada em Cartagena é combinar a visita à cidade com uma escapada a uma das Ilhas do Rosário, arquipélago/parque nacional que fica próximo à cidade (menos de uma hora de lancha) e oferece mar caribenho legítimo, hospedagem rústica bem pé na areia e um sossego que não é desse mundo.

Tudo sobre essa viagem
10 horas em Bogotá
Ilhas do Rosário, o Caribe só pra mim
O que fazer em Cartagena
Cartagena: dicas práticas

Todas as dicas de Bogotá

Punta Cana
Linda e muito sossegada, Punta Cana é para quem quer se desconectar do mundo por alguns dias
Essa praia deliciosa da República Dominicana foi meu refúgio carnavalesco em 2006, talvez a viagem mais obscenamente preguiçosa da minha vida. Foram seis dias inteirinhos de completo e irrevogável dolce far niente à beira-mar (pra não dizer que não fiz nada, li alguns livros, rss), aproveitando um mar perfeito: morninho e cristalino.

A Praia de Bávaro, em Punta Cana, onde fiquei hospedada
O esquema em Punta Cana tem poucas variações. O lugar é basicamente uma sucessão de resorts na beira da praia, onde a palavra de ordem é relaxar e desconectar do mundo. Os hotéis costumam funcionar no sistema all inclusive, com todas as refeições e bebidas já incluídas na diária, assim como a maioria das atividades de lazer.

No quesito estrutura, espere encontrar piscinas, saunas, quadras de esporte, boates, cinemas e salas de jogos. O uso de equipamentos náuticos (caiaques, prancha a vela e outros) geralmente é cobrado à parte. Não espere agito ou uma "vida social" intensa (a boate do meu hotel ficava às moscas). Para quem curte mergulho, é comum os hotéis oferecerem saídas em lanchas (pagas à parte) para locais propícios à atividade.

O contato com a realidade local, fora dos muros do resort, é praticamente inexistente. Vá pelo descanso e pelo banho de mar, que é espetacular.

Seis dias entre o azul do mar e o azul da espreguiçadeira. Mas olha só o livrinho na foto: meu ócio não foi de todo improdutivo :)
Para saber mais sobre essa viagem:
Punta Cana: sombra e água fresca

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