segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Forte dos Remédios,
o melhor pôr do sol de Fernando de Noronha

O Forte dos Remédios é um dos grandes points
de Noronha para assistir ao pôr do sol
Um dia perfeito (e qual deles não é?) em Fernando de Noronha tem hora e lugar para terminar. Quando o sol começa a cair, o melhor lugar para se estar é no Forte dos Remédios, o mais belo camarote da ilha pra se ver o pôr do sol.

O forte foi construído no Século 18, ainda no tempo da Colônia, como a principal estrutura de defesa do arquipélago. Dizer que uma fortaleza tem uma tremenda vista para a paisagem é sempre ocioso —  ainda que por necessidade estratégica, e não por desejo de contemplação, esse tipo de construção  precisa dominar visualmente uma grande porção do território que se destina a defender.

Agora, imagine, um camarote desses voltado para a beleza de Noronha e me diga se eu posso estar exagerando.

As praias do Cachorro e da Conceição vistas do forte.
Lá longe, os Dois Irmãos
O arquipélago de Noronha não se contentou em ser bonito e tratou de ter uma história que é puro enredo de filme da sessão da tarde (a do meu tempo, pelo, menos). Aventuras marítimas, corsários, piratas e conquistadores eram figurinhas fáceis naquelas praias onde hoje a gente nada acompanhada por peixinhos e tartarugas.

O primeiro registro do arquipélago foi feito pelo geógrafo e navegador Américo Vespúcio em uma expedição pela costa brasileira realizada entre 1503 e 1504.

O Forte dos Remédios tinha como função primordial a defesa
 da Baía de Santo Antônio, principal porto do arquipélago
O rei de Portugal, senhor desse pedaço de mundo, parece ter esnobado aquela porção de terra e rocha vulcânica a 350 quilômetros do continente, talvez porque Noronha não disponha de qualquer fonte perene de água potável e, portando, fosse pouco útil para um pit stop de reabastecimento das naus que cruzavam o Atlântico entre a metrópole e as terras recém descobertas.

A vila vista do forte: no canto esquerdo, a igrejinha de N. Sra dos Remédios. Mais ao centro, o Palácio São Miguel, antiga sede do governo da ilha
O fato é que Sua Majestade, El Rei D. Manuel, doou o arquipélago ao asturiano Fernão de Loroña, cristão-novo que servia à Coroa Portuguesa e que acabou se transformando em um dos principais exploradores de pau-brasil, no Século 16.

Esse tipo de magnificência estava ao alcance de Portugal e Espanha, senhores do Novo Mundo, mas ingleses, franceses e holandeses, que ficaram a ver navios no Tratado de Tordesilhas, não estavam dispensando nem raspas e restos de territórios e se revezaram em tentativas de conquista do arquipélago com disciplinada regularidade.

A entrada do forte
Foi só no Século 18 que os portugueses resolveram acabar de vez com essa dança das cadeiras entre invasores, construindo o imponente Forte de Nossa Senhora dos Remédios e dotando-o de uma guarnição militar permanente para a defesa do arquipélago.

O único acesso ao forte é por essa trilha íngreme
Além de ser possivelmente o grande responsável por hoje podermos visitar Noronha sem passaporte, o Forte dos Remédios é um generoso cicerone das belezas da ilha, postado numa elevação que oferece 360 graus de visão hipnótica para várias praias do Mar de Dentro, como a do Cachorro, da Conceição e de Santo Antônio.

A 45 metros de altura, a sensação é de que a alma está voando, ainda mais ao cair da tarde, quando a gente vê, lá longe, a silhueta dos Dois Irmão recortada contra o sol poente.

A chegada ao forte
O bastião principal (esq) e a rampa de acesso ao bastião, ao lado da casa da guarda
Dicas práticas


A Praça de Armas, debruçada sobre o mar
O Forte dos Remédios é administrado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e está aberto ao público, sem limite de horário para a visitação e com entrada gratuita. É uma das belas atrações de Fernando de Norinha e não pode ficar de fora de seu roteiro na ilha.

Como chegar lá
 No canto direito da parte baixa do largo em frente à Igreja de Nossa Senhora dos Remédios começa a trilha que sobe até o forte. Você vai reconhecê-la pelo corrimão de metal que protege o começo da estradinha.


O acesso é feito exclusivamente a pé e prepare as panturrilhas para a caminhada íngreme, sobre o calçamento antigo e bastante irregular. São apenas cerca de 200 metros de subida, porém, nada que um pouquinho de força não dê conta.

Quando ir
O horário de visita mais concorrido é o final da tarde, porque o pôr do sol lá no alto é realmente de rasgar a roupa.

Neste horário, você vai ver a Vila, o Morro do Pico e os Dois Irmãos no contraluz e as fotos da Baía de Santo Antônio ficarão mais bonitas. Se tiver tempo, vá também de manhãzinha, para fotografar a porção Oeste do Mar de Dentro com uma luz mais favorável.

As bandeiras do Brasil, de Pernambuco e do Arquipélago tremulando no bastião principal
O que levar
Quando você for, não esqueça o repelente. Lembre-se, também, que a trilha de acesso não é iluminada. Se for ficar por lá depois do pôr do sol, leve uma lanterna para caminhar com mais segurança na volta.

No fim da tarde, você vai encontrar a porção Oeste do Mar de Dentro no contraluz. A luz dessa hora favorece as fotos da Baía de Santo Antônio (abaixo)

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