quarta-feira, 13 de maio de 2015

Sicília: uma vertigem chamada Taormina

Taormina é uma sucessão de mirantes hipnóticos.
 Esse fica na Piazza IX Aprile, 
ou "Praça do Relógio"
Imagine a cena: uma cidade medieval pendurada sobre o mar azul cristalino e com vista permanente para um vulcão, o elegantíssimo Etna. Um horizonte recortado por montanhas altíssimas e, cá no chão, pertinho da gente, as fachadas de pedra cor de areia que, pra mim, vão ser pra sempre a cara da Sicília.

Perdi a conta das vezes em que Taormina me fez perder a fala, nos três dias em que estive lá. Da primeira cena paralisante você dificilmente vai poder desfrutar: eu vi a neve caindo na cidade, na minha primeira manhã por lá (a última manhã de 2014). Junte a surpresa diante de um fenômeno raríssimo naquelas latitudes com o enlevo de ver o mundo todo branquinho e você vai entender porque essa cidade vai sempre ocupar um lugar especial na minha memória.

Olha o Etna lindão lá no horizonte

A paisagem depois da neve (que deixa a luz bem esquisita
 nas fotos). Lá embaixo, a fofa cidade de Gardini Naxos
Mas você não precisa da neve para se apaixonar por Taormina, uma beldade que faz questão de se mostrar em qualquer clima. A cidade é uma sucessão de mirantes de onde a vista mergulha na beleza do Mar Jônico ou voa na altura das escarpas. Os mirantes de Taormina se debruçam, principalmente, sobre a própria cidade: qualquer bequinho tortuoso promete (e a maioria cumpre) levar a uma balaustrada que se derrama sobre telhados, fachadas e horizonte.

A cidade é linda de longe e de perto. Da paisagem ao detalhezinho que quase passa batido, tudo parece ter sido cuidadosamente feito para encantar.

Essas manchinhas na foto são floquinhos de neve caindo...
Talvez os gregos nem estivessem buscando esse tipo de deleite quando escalaram as escarpas do Monte Tauro, no Século 8 a.C, para estabelecer uma colônia a salvo das investidas dos inimigos. Mas qualquer lugar onde os helenos botavam a mão costuma ter beleza até dizer chega, até hoje — é que o GPS deles era calibrado no Olimpo, para garantir o encontro de locações sempre espetaculares.

No caso da antiga Tauromenion, o resultado é uma vertigem que me acompanha ainda, mesmo quatro meses depois de eu ter voltado pra casa.

As fachadas cor de areia da Sicília...

...e os detalhes das aldravas. Tudo em Taormina parece ter sido pensado para encantar


Taormina, na verdade, parece se dividir em três. Além do núcleo original amuralhado, o Centro Histórico de hoje, a cidade serpenteia montanha abaixo e montanha acima, numa sucessão de palácios e vilas pendurados na rocha, formando um ziguezague que vale a pena explorar a pé, apesar das ladeiras, para ver as belas fachadas, jardins e os surpreendentes belvederes que, numa curva do caminho, nos colocam diante de visões simplesmente celestiais.

O caminho das pedras para ver essa Taormina suspensa (ou pendurada, no mínimo) é a Via Pirandello, uma rua/estrada de inspiração amalfitana que se retorce montanha acima desde a beira mar, em direção à velha cidade amuralhada. É ao longo dessa via que se concentra a maioria dos hotéis "com vista". Caminhar por ela exige uma certa atenção, pois a pista estreita nem sempre oferece uma calçada para os pedestres. Mas a bichinha é tão cheia de curvas e cotovelos que os automóveis são obrigados a trafegar devagar.

Uma curva qualquer da Via Pirandello

As duas pontas do Corso Umberto: a chegada a Porta Messina (à esquerda) e Porta Catania (à direita)
Porta Catania, ou Porta Maggiore
O Centro Histórico de Taormina ainda guarda muito das feições medievais. Devido ao relevo escarpado da cidade, ele se resume, basicamente, a uma rua, o Corso Umberto, que atravessa a área antes protegida pela muralha árabe, entre as portas Messina, ao Norte, e a Porta Catania, ao Sul, antigas entradas da cidade.

Com cerca de um quilômetro e meio, o Corso Umberto é a “Quinta Avenida” de Taormina, apinhado de butiques, restaurantes e confeitarias. É cortado por bequinhos transversais e escadarias tão apertados que a gente até duvida que dê para circular por eles — mas acredite, não só circula, como mora gente lá.

O estreitíssimo Corso Umberto é a "Quinta Avenida" de Taormina
Ao longo do Corso Umberto, duas praças servem de “respiro” ao traçado estreito dessa via principal. A Piazza IX Aprile, ou “Praça do Relógio”, é deslumbrante com seu calçamento em mármore xadrez, cercada pelas igrejinhas de San Giuseppe e Sant’Agostino (que atualmente abriga a Biblioteca e o Arquivo Histórico da cidade) e pela antiga Torre do Relógio.

O quarto lado da praça é uma balaustrada sobre a escarpa, de onde se tem uma das vistas mais belas do Mar Jônico e do Golfo de Naxos. A fofa cidade de Giardini Naxos está lá embaixo, à beira d’água. A foto que abre esse post foi feita no mirante da Praça do Relógio.

Sant'Agostino foi transformada
em Biblioteca e Arquivo Histórico

A Torre do Relógio e a Igreja de San Giuseppe, 
na Piazza IX Aprile
A Piazza Duomo é menorzinha e combina com essa catedral de fachada tão recatada, em pedra bruta, que quase passa despercebida, em contraste com a fonte barroca encimada pela curiosa figura de uma centaurinha estilizada (o centauro, figura mitológica grega que é meio homem, meio cavalo, era o símbolo da cidade). Atrás da fonte fica uma farmácia onde fui comprar protetor labial (sim, o frio estava fazendo estragos) e fiquei boba com o balcão em pietre dure (mosaico em mármore de diversas cores), do Século 16.

Praia em Mazzarò
A terceira porção de Taormina fica no nível do mar, onde águas cristalinas e profundamente azuis são uma tentação ao mergulho, mesmo com a temperatura na casa dos 8 graus. O ponto mais famoso desse trechinho litorâneo é Isola Bella, um rochedo próximo à praia que pode ser alcançado a pé, na maré baixa. Apesar do frio da virada do ano, fiz questão de dar um passeio pela região de Mazzarò, só para ouvir o pio das gaivotas e o barulho das ondas quebrando na areia.

Confesso que inventei de molhar o pezinho no Mar Jônico — uma das ideias mais idiotas que já tive na vida — e vi meu dedinhos ficarem roxos em questão de segundos. Vou ter que voltar a Taormina no verão :)

Vocês ainda vão ouvir falar um bocado dessa cidade linda, aqui no blog. Por enquanto, confira as dicas para organizar sua viagem até lá :)

O Duomo de Taormina...
... e a fonte barroca

Dicas práticas

Como chegar
Taormina fica bem no meio do caminho entre Catânia e Messina, a cerca de 50 quilômetros de cada uma dessas cidades. O aeroporto mais próximo é o de Catânia. De lá mesmo já dá para pegar o ônibus para Taormina.

Messina é o ponto de partida para quem chega à Sicília com o ferry-boat. Se você estiver de carro, a rota será pela Rodovia (autostrada, em italiano) A18. De ônibus, o percurso Messina-Taormina dura entre 1h20min e 1h55min, dependendo do número de paradas. A empresa é a mesma Etna Trasposti que liga a cidade a Catânia. Os bilhetes custam €4,30 (só uma perna) ou €6,80 (ida e volta).

Porta Messina e, à direita, uma das
"largas transversais" do Corso Umberto

Confira todos os detalhes de como chegar a Taormina neste post:
Como chegar e como circular na Sicília

Como circular na cidade
Olhando a sucessão de ladeiras, despenhadeiros e escadarias da cidade, a primeira impressão é que um carro seria uma boa ideia em Taormina. Mas aposto que depois de meia hora tentando circular naquelas vias estreitíssimas, cheia de curvas do tipo cotovelo, qualquer um ia adorar atirar o automóvel do penhasco, para se livrar do trambolho.

Por mais que as panturrilhas reclamem (e vão reclamar, mesmo), o jeito certo de andar em Taormina é a pé. O Centro Histórico é fechado aos automóveis e nas pirambeiras fora dele... faça de conta que ficou sem fôlego por conta da paisagem...

Para ir da cidade até à praia, use o teleférico (funicolare). Além de prática, a gaiolinha envidraçada é um mirante móvel de primeira qualidade. A estação do Funivia (é como o moço se chama)fica na Via Pirandello, logo abaixo da Porta Messina, pertinho do Terminal Rodoviário. 

A estação do Funivia, na Via Pirandello

A gaiolinha cênica e a descida. Mazzarò está 170 metros abaixo

Parada do 
hop-on hop-off no 

Terminal Rodoviário
O percurso do funicular é curtinho, coisa de dois ou três minutos, não dá nem tempo de ficar com medo (rssss). A chegada é no bairro de Mazzarò, 170 metros abaixo. A estação fica na Via Nazionale, a dois passos do mar.

O bilhete para uma viagem custa €3 e o serviço funciona diariamente, das 7:45h às 20h (no verão, até 1:30h da madrugada). As partidas, nos dois sentidos, são a cada 15 minutos.

Para explorar as praias de Taormina e as atrações próximas à cidade, como a linda vila medieval de Castelmola  e as cidades balneárias de Giardini Naxos e Letojanni, há um ônibus tipo hop-on hop-off que parte do Terminal Rodoviário, na Via Pirandello.

O bilhete do hop-on hop-off custa €20 e é válido por 24 horas. Os ônibus passam de hora em hora e têm WiFi a bordo, incluído no preço da passagem.

Nos meses mais quentes também circula um Beach-Bus, que parte da Piazza San Pancrazio (quase em frente à Porta Messina) para diversas praias.

A vista do elevador panorâmico do Hotel Monte Tauro
Onde ficar
Eu fiquei, amei e super recomendo o Hotel Monte Tauro, pendurado na encosta sobre o mar, com uma vista escandalosa, quarto maravilhoso e serviço muito simpático. Confira neste post:

Onde Comer

A Itália na Fragata Surprise
Campânia: HerculanoNápoles e Pompeia
Costa Amalfitana: AmalfiRavello e Sorrento
Emília-Romanha: Bolonha e Ravena
Sicília: AgrigentoCastelmolaPalermo e Taormina
Toscana: FiésoleFlorençaLucaSan Gimignano e Siena
Vêneto: Burano e Veneza

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2 comentários:

  1. Que lugar perfeito, deu até vontade de conhecer esse lugar. Parece ser tão calmo, fresco *--*
    bjos ;**

    Ingrid Abreu
    visite também: http://blogelassemfrescura.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Valeu, meninas. Mas não se enganem com essa carinha que Taormina faz, fora de temporada. No verão, a cidade ferve, em todos os sentidos :)

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