quarta-feira, 8 de abril de 2015

Além do Pelourinho: dois passeios bacanas
no Centro Histórico de Salvador

Varanda do Palácio Rio Branco, na Praça Municipal

Quando a gente fala em Centro Histórico de Salvador, a primeira coisa que vem à cabeça é o Pelourinho, a referência mais marcante no imenso conjunto arquitetônico colonial que nós herdamos dos portugueses.

O Pelô, com certeza, merece a fama e a preferência, mas acaba ofuscando outras atrações que também merecem uma visita, como o bairro do Santo Antônio (já falei dele aqui), os palácios da Praça Municipal e ao Convento de Santa Teresa, no Sodré, menos famosos, mas igualmente interessantes.´

O Forte de São Marcelo, a Marina e a Igreja da Conceição vistas da varanda do Palácio
Nessa passagem por Salvador, agora nos feriados de Páscoa, fui rever o Palácio Rio Branco, com suas inacreditáveis varandas debruçadas sobre a Baía de Todos os Santos, e o Convento de Santa Teresa, que abriga o espetacular Museu de Arte Sacra da Universidade Federal da Bahia — e também tem uma vista para o mar de deixar a gente babando. 

Veja as dicas pra quando você for:


Praça Municipal: adoro o contraste das linhas sóbrias da Câmara Municipal (à esquerda) com o estilo "bolo de noiva" do Palácio Rio Branco
Palácio Rio Branco
Praça Tomé de Souza s/n. Para ver o andar superior, onde fica a Sala Pompeiana e o Salão dos Espelhos, é preciso se engajar nas visitas guiadas (agende pelo telefone 71-3117-6491), realizadas de de terça à quinta, das 10h às 15 horas, ou aos sábados das 13:30h às 17h. A visita é gratuita. Para ver só o térreo, o edifício está aberto em horário administrativo.

A Praça Municipal — ou Praça Tomé de Sousa, pois em Salvador a maioria dos logradouros têm um nome “formal” e um nome popular —  é uma velha conhecida dos turistas, graças ao Elevador Lacerda, seu ponto turístico mais famoso.

Se a gente não contar as povoações tupinambás que existiam às margens da Baía de Todos os Santos (Kirimurê, para os indígenas) e a Vila do Pereira, fundada pelo náufrago Caramuru, na altura do Porto da Barra, foi lá que a cidade nasceu oficialmente, em 29 de março de 1549, com a chegada do primeiro governador-geral português, o mesmo Tomé que dá nome à praça.

A escadaria do Palácio Rio Branco
Depois de prestar meus respeitos ao bolinho e ao milk shake da Sorveteria Cubana, na entrada do elevador, fui visitar o Palácio Rio Branco, antiga sede do governo da Bahia. A aparência atual do edifício, com aquela fachada meio espetaculosa de cúpulas confeitadas e águias esvoaçantes, tão características do estilo eclético, é resultado de uma reconstrução feita no início do Século 20.

O palácio original, com mais de 300 anos, foi posto abaixo no bombardeio da cidade, em 1912, quando duas facções das oligarquias locais foram às vias de fato após a eleição presidencial que contrapôs o baiano Ruy Barbosa ao Marechal Hermes da Fonseca, vencedor do pleito.

Esse teto em jacarandá é um escândalo
O interior do palácio tem um quê de Belle Époque tardia (foi reconstruído em 1920), com tetos ricamente decorados em estuque e uma escadaria de ferro, trazida da França, de cair o queixo, no saguão principal.

A galeria lateral tem um teto de jacarandá que é de dar aperto no coração, de tão bonito. Mas nada ganha das varandas que se derramam sobre as águas da Baía e os telhados do bairro da Conceição, 70 metros abaixo. Uma sucessão de escadarias e terraços que desce a escarpa, rumo à Cidade Baixa, está atualmente interditada ao público, mas faz parte do encanto.

Detalhes do interior do palácio


Convento de Santa Teresa/ Museu de Arte Sacra da Universidade Federal da Bahia
Rua do Sodré s/n, Dois de Julho. Como já disse, só abre de segunda a sexta, das 11 às 17 hora. A entrada custa R$ 10. Apesar de meio fora de mão e do horário chato, vale demais a visita.

Da Praça Municipal, uma caminhada de 700 metros leva o visitante à segunda parada desse passeio pelo Centro Histórico de Salvador. Basta descer a Rua Chile, subir a Rua Carlos Gomes e virar na primeira à direita, numa ladeirinha de 50 metros que desemboca na portaria do Museu de Arte Sacra (se você estiver carregada de câmeras fotográficas, com aquela bandeirosa cara de turista, talvez seja melhor ir de táxi. Eu preferi essa alternativa e paguei R$ 8).

Essa preciosidade baiana é muito pouco visitada, talvez por ficar escondidinha na Rua do Sodré, uma área tradicional, mas bastante maltratada pelo tempo. Outro motivo deve ser o horário absurdo que a Universidade Federal da Bahia (UFBa), mantenedora do museu, inventou: só abre de segunda a sexta, das 11 às 17 horas!! Mas não deixe que isso a desanime, pois você vai ver um dos grandes tesouros de Salvador.

Salão do Palácio Rio Branco
Em uma cidade tão debruçada sobre o mar, poucas construções podem se gabar de uma localização tão espetacular quanto o velho Convento de Santa Teresa, sede do museu.

Fundado no Século, 17 em um “dente” da escarpa da Cidade Alta e sobre o que hoje é a Avenida do Contorno, ele é um dos mirantes mais privilegiados de Salvador (e de um sossego raro no Centro Histórico). Só seu pátio externo já valeria a visita, com aquela vista escandalosa para a Baía de Todos os Santos.

Vista da porta principal, a igreja parece uma simples moldura para o altar de prata
O museu, aberto em 1959, abriga o que  talvez seja o mais importante acervo de peças sacras do País, com altares inteiros retirados da antiga Sé de Salvador (demolida para dar lugar a um terminal de ônibus, tsc, tsc, tsc...) da Igreja da Trindade e outros templos do tempo da colônia. Guarda imagens valiosíssimas, datadas dos séculos 16 ao 19, e ricos objetos litúrgicos como custódias, castiçais e relicários em prata e ouro e cravejados de pedras preciosas.

O prédio principal do convento é de uma inteligência arquitetônica que deveria torná-lo visita obrigatória a todos os candidatos a construtor: a circulação do vento que vem do mar refresca o edifício de maneira deliciosa, mesmo nas horas mais quentes do dia (quando fiz a visita, o sol estava a pino e a temperatura era de 28 graus, do lado de fora, mas o interior estava agradabilíssimo, com a circulação da brisa por todos os ambientes).


Além de inteligente, a construção é linda, com suas traves de madeira aparentes, nos tetos, assoalhos impecáveis e as preciosas arcadas em cantaria que se multiplicam pelos ambientes.

A Igreja, vista da porta de entrada, parece simples, com arcos de pedra de cantaria e painéis de azulejos, como uma moldura discreta para o precioso altar de prata que se destaca ao fundo. É que dá porta a gente não consegue ver o espetáculo dos altares laterais barrocos herdados da velha Sé da Cidade de Bahia, uma sucessão de deslumbres de entalhes e douramentos.

É pena que não seja permitido fotografar o acervo do museu, mas acredite em mim: você precisa ir lá. Aproveite que os funcionários são extremamente solícitos e demonstram uma apego comovente às peças em exposição — "Já viu a imagem de Sant'Ana Mestra?", "Preste atenção na Santíssima Trindade", recomendam aos visitantes, destacando algumas das peças mais impressionantes do acervo.

A entrada do Museu: a partir deste ponto, nada de fotos

A vita do pátio do museu de Arte Sacra
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Um comentário:

  1. Oi, Cyntia. Tudo bem? :)

    Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Bóia – Natalie

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