terça-feira, 3 de março de 2015

Celebração entre amigos:
O show de Ringo no Rio

Dear old Richie...
Sim, eu adoro montinhos de pedras milenares, claustros medievais, muralhas com ameias, museus cheios de quadros luminosos e histórias do mar. Mas as viagens mais solares e são as que me levam pra perto da adolescência, aquela época em que a vida ainda era feita de pelo menos oito milhões de possibilidades. Na última sexta-feira (27/02) foi assim: eu estava no Rio de Janeiro, assistindo o show de Ringo.

Pra quem já viu Paul McCartney ao vivo quatro vezes — é, eu sei, sou uma sortuda :) —, era um absurdo nunca ter assistido um show do dear old Richie, meu Beatle favorito (junto com os outros três, rss). Mas Ringo é um fofo e nem me puxou as orelhas. Pelo contrário, fez uma apresentação adorável, junto com sua All-Starr Band, uma fórmula super simpática de reunir velhos roqueiros em clima de confraternização.

Casa cheia pra Ringo
Esqueça as bobagens que você andou lendo na imprensa sobre o show de Ringo. O que mais a gente pode querer do que ver um ídolo inteiraço no palco, acompanhado por uma banda muito competente, cantando um repertório de clássicos inesquecíveis? Essa formação da All-Starr Band pode não ser uma constelação tão reluzente quanto algumas anteriores, mas segura a onda com garbo.

O show de Ringo foi assim: simples, direto e delicioso. E se alguém me disser que não chorou feito um bezerro, fazendo coro em A Little Help from My Friends, ou é marciano ou está mentindo.

Assista um pedacinho e me diga: 

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A crítica também foi gélida sobre a última passagem de Robert Plant pelo Brasil, e acabou desestimulando um monte de gente a ir ver o cara, que fez um showzaço inesquecível em Brasília. Sei lá o que acontece com a crítica hoje em dia (talvez seja déficit de anos vividos). E não é só que o pessoal apenas não conseguiu entender a proposta da All-Starr Band. Parece que a própria essência dos Beatles anda escapando à compreensão.


Porque só isso pode explicar que em pleno 2015, 53 anos depois de Ringo ter entrado na banda, ainda tenha gente que o questione como um dos Fab4. Tá, ele não é Bonzo, nem Keith Moon, nem Charlie Watts. Ringo é maior do que todos esses grandes, simplesmente porque era o melhor baterista para compor a melhor banda de todos os tempos. O cara certo, com a química certa (e se algum pentelho vier com aquela gaiatice de que ele não sabia rufar, vai ficar de castigo, de cara para a parede, pelos próximos 20 posts deste blog).

Primeiro grande momento: ele arrasa em Boys


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Além do mais, eu adoro a proposta da All-Starr Band. Basta rever o Concerto para Bangladesh, organizado por George Harrison e Ravi Shankar, em 1971 para entender onde Ringo teve a ideia, iniciada em 1989, de excursionar com velhos roqueiros de vários matizes. Naquela apresentação beneficente, pioneira em reunir pesos pesados do porte de Eric Clapton e Bob Dylan em prol de uma causa humanitária, nosso baterista mais querido está em casa, sacudindo as madeixas com a mesma carinha de menino feliz do tempo dos Beatles.


Desde 1989, ele já rodou o mundo com um elenco variável de velhos parceiros, muitos deles assíduos frequentadores do prato do meu toca discos, nos anos 70. Recapitular as turnês da All-Starr Band é quase como folhear uma daquelas Enciclopédias do Rock que a gente economizava meses pra comprar na banca de revista, com a cumplicidade do jornaleiro, que escondia o exemplar de outros fregueses até eu conseguir juntar a grana. (Enquanto escrevo este post, estou matando as saudades ouvindo uma coletânea das apresentações da All-Starr Band, com gravações feitas entre 1989 e 2000, que eu adoro).

E não podia faltar Yellow Submarine


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Nomes como Joe Walsh e Burton Cummings (do Eagles), Dr. John (que esteve no elenco do Concerto para Bangladesh), Billy Preston (tecladista que arrasa em Let it Be, único instrumentista jamais creditado em um disco dos Beatles), Rick Danko, Garth Hudson e Levon Helm (The Band), Jim Keltner (baterista e eterno grande amigo dos Beatles), Bruce Springsteen, Randy Bachman (Bachman-Turner Overdrive), Mark Farner (do Grand Funk Railroad, cujo LP We're an American Band quase furou de tanto tocar lá em casa), John Entwistle (The Who), Peter Frampton, Gary Brooker (Procol Harum), o grande Jack Bruce (Cream), Simon Kirke (Free e Bad Company), Ginger Baker (Cream), Roger Hodgson (Supertramp), Greg Lake (Emerson, Lake & Palmer) e Edgar Winter já passaram pela banda organizada por Ringo.

Estou só torcendo pra que ele volte logo e sempre. E se ele aceitar sugestões, a minha Enciclopédia do Rock está amarelada e amassada por anos de consulta, mas eu ainda sou capaz de encontrar um caminhão de gente que eu gostaria de ver dividindo o palco com meu baterista mais amado :)

O resto da deliciosa viagem ao Rio eu conto nos próximos posts.


Ringo Starr & His All-Starr Band, turnê 2014/2015
27 de fevereiro de 2015, Vivo Rio, Rio de Janeiro

Ringo Starr (vocais, bateria, percussão e teclados em Don't Pass Me By), Steve Lukather (ex-Toto, vocais e guitarras), Gregg Rolie (ex-Santana, vocais e teclados), Todd Rundgren (vocais e guitarras), Richard Page (ex-Mr. Mister, baixo e vocais), Warren Ham (saxophone e percussão) e Gregg Bissonette (bateria, percussão e backing vocals).

Músicas 
(as canções cantadas por Ringo estão em negrito. Os intérpretes das demais estão indicados)

Matchbox
, It Don't Come Easy, Wings (Richard Page), I Saw the Light (Todd Rundgren), Evil Ways (Gregg Rolie), Rosanna (Steve Lukather), Kyrie (.Page), Bang the Drum All Day (Rundgren), Boys, Don't Pass Me By, Yellow Submarine, Black Magic Woman (Rollie), Honey Don't, Anthem, You Are Mine (Page), Africa (Lukather), Love Is the Answer (Rundgren), I Wanna Be Your Man, Broken Wings (Page), Hold the Line (Lukather), Photograph, Act Naturally, With a Little Help From My Friends, Give Peace a Chance (todos).



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O "Muro Lennon", em Praga
Liverpool dos Beatles: Um mapa sentimental e alguns motivos para voltar

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