sábado, 13 de dezembro de 2014

Dublin:dicas práticas de uma cidade adorável

Momento fofura no Rio Liffey, que corta o Centro de Dublin
Eu esperava gostar muito de Dublin. Não imaginava, porém, que fosse gostar tanto. A capital irlandesa pode até não ter aquela beleza sísmica, de fazer trepidar o coração da gente. Mas como é simpática, acolhedora e animada.

Gostei do astral, da arquitetura (que belo acervo de edifícios georgianos tem a cidade!), das atrações históricas (seria capaz de morar na biblioteca do Trinity College) e, principalmente, das pessoas.
O entardecer à beira do Rio Liffey e suas notas melancólicas...
Nem a feroz crise econômica enfrentada pela Irlanda — aquela que começou em 2008 — consegue deixar sisudos os calorosos dublinenses. Os irlandeses são os europeus que não têm medo do contato visual. Eles olham diretamente nos olhos e, depois que o visitante afina o ouvido no diapasão do sotaque local, a conversa flui como se a gente fosse de casa.

De sombrio, mesmo, só o tempo: como chove naquela terra! Desconfio que o clima seja o grande responsável pela lotação dos pubs, nessa cidade onde não é feio beber de manhã 😉

A gente vai conversar um bocado sobre Dublin, a nova queridinha da Fragata. Por enquanto, fique com algumas dicas pra já ir organizando sua viagem pra lá.

Mais um momento fofura na Ponte Grattan
Como chegar
Nós chegamos a Dublin de avião, em um voo Ryanair, vindos de Liverpool (voo de 50 minutos, siga o link para os detlahes). Saímos do país, também de avião, com a companhia irlandesa Aerlingus, direto para Paris.

Dublin está conectada com as principais capitais europeias, mas não recebe voos diretos do Brasil.

Como a Irlanda não integra o tratado de Schengen, é preciso passar pela Imigração na chegada, mesmo que o passageiro esteja vindo de outro país da União Europeia. Portanto, tenha com você os documentos que costumam ser pedidos nessas situações (passagem de retorno, seguro saúde e reserva de hotel, por exemplo).


Na nossa chegada, o oficial da Imigração só perguntou o propósito da viagem e quantos dias íamos ficar. Na hora de ir embora, porém, tive um pequeno estresse com a atendente da Aerlingus, que exigiu ver o meu bilhete Paris-Brasília para emitir o cartão de embarque para a capital francesa.

Já tinha ouvido falar que alguns procedimentos de imigração estão sendo terceirizados para as companhias aéreas, mas fui pouco precavida e deixei a cópia da passagem na mala. Por sorte, a moça aceitou o email com o bilhete, que eu mostrei pra ela no smartphone (por sorte, também, o Aeroporto de Dublin tem WiFi gratuito e rapidíssimo).

Como é voar Aerlingus
A companhia irlandesa está classificada entre as aéreas low cost e, realmente, tem preços bem camaradas. Paguei cerca de R$ 250 pelo bilhete para Paris, com direito a despachar uma mala com até 20 kg, mais a bagagem de mão.

Fora esse limite (inferior aos 32 kg que a gente se acostuma a despachar livremente, em viagens internacionais) e da ausência de lanchinho a bordo, não percebi diferença significativa entre a Aerlingus e as companhias convencionais. O voo de Dublin a Paris durou 2h40min.

Do aeroporto ao centro
Ônibus confortável e com WiFi gratuito liga o aeroporto ao Centro de Dublin
Ah, se todas as cidades do mundo oferecessem a mesma facilidade que a gente encontra em Dublin, para ir do aeroporto até o hotel e vice-versa... No desembarque, bastou uma consulta rápida ao balcão de informações do terminal e seguimos para o ponto do Aircoach, que oferece ônibus confortáveis e baratos para diversos pontos da cidade, com WiFi gratuito a bordo.

A tarifa varia de acordo com a rota. Para o Centro, o bilhete single custa €7 — vale a pena comprar logo o tíquete ida e volta, que custa  € 10. A passagem é paga diretamente ao motorista.

Das 3:25h às 23:55h, as partidas dos ônibus, nos dois sentidos, são a cada 15 minutos. Das 23:55h às 3:25h, o serviço passa de meia em meia hora.

As paradas do Aircoach são próximas aos pontos de ônibus convencionais, mas certifique-se de estar bem perto da plaquinha deles, ao fazer sinal para o motorista parar eu estava no ponto convencional e o cara me ignorou solenemente, e olha que a distância era de uns cinco metros....

O serviço também liga o aeroporto de Dublin a Belfast, na Irlanda do Norte, e a Corck, no Sul da Irlanda. Para ver todos os horários e rotas, consulte o site da Aircoach, onde também é possível fazer reservas.

Onde ficar
O Saint Helen's, antiga morada de um visconde
Nós aproveitamos uma ótima promoção da rede de hotéis Radisson (para quem fizesse reserva para mais de três noites) e ficamos num hotelaço, o Radisson Blu Saint Helen's, cinco estrelas instalado na antiga casa senhorial do Visconde de Gough.

Fiz um post bem detalhadinho sobre esse hotel (siga o link acima para ver), que fica em uma área super residencial, ao Sul de Dublin. Pagamos cerca de €120 por diária, no apartamento duplo, e valeu muito a pena, porque o lugar é lindo e o quarto era uma delícia.

Apesar de o hotel ser afastado do Centro, era bem fácil chegar às atrações de Dublin, pois tem ônibus literalmente na porta. Em 20 minutos, a gente já estava no Trinity College ou em Temple Bar. O Aircoach, para o Aeroporto, também tem uma parada em frente.

O jardim do hotel
O que achei mais complicado, na vizinhança, foi a escassa oferta de restaurantes, mas isso acabou não sendo um problema, porque os restaurantes do hotel eram excelentes e com preços surpreendentemente razoáveis.

Fica a dica pra quando você for. A promoção que aproveitamos estava disponível no site do Tripadvisor. O Radisson Blu Saint Helen's fica na Stillorgan Road, no subúrbio de Blackrock.

Hospedagem comentada - índice com todos os hotéis citados no blog

Como circular
De ônibus em Dublin é assim: todo mundo na internet. À direita, a famosa estátua de Molly Malone, em Suffolk Street, vista do segundo andar de um coletivo. Molly é personagem de uma tradicional canção irlandesam e é uma espécie de símbolo informal da cidade
Eu poderia ficar hoooras falando bem do sistema de transporte de Dublin. Para resumir, vou apenas dizer que ele é exatamente tudo o que eu sonho para a minha cidade.

Os ônibus são pontualíssimos. Nas paradas, há informações de cada linha que faz ponto ali e os horários certinhos de cada frequência. Geralmente, há um painel eletrônico bilíngue (em inglês e gaélico), informando o tempo de espera pelo próximo carro. Mesmo quando não há esse painel, há plaquinhas indicativas dos horários e itinerários.

O painel informa, em gaélico, os próximos ônibus que chegarão à parada — mas não se assuste, porque o bichinho também fala inglês. No mais, é só embarcar e curtir a vista da cidade do alto 
Ao entrar no ônibus, é preciso informar ao condutor para onde você está indo, pois o preço da passagem depende da distância (da quantidade de zonas que você vai percorrer).

É essencial ter moedas, pois não são aceitas notas em papel. Na primeira vez que pegamos o ônibus em Dublin, tivemos que descer e voltar ao hotel para trocar dinheiro, porque não sabíamos dessa pegadinha.

Cena dublinense: na hora do almoço, os pontos de ônibus ficam lotados de estudantes com seus uniformes retrôs
Procure ter o valor certinho da passagem do ônibus, porque o sistema não dá troco. O motorista diz o preço da passagem, você coloca as moedinhas numa caixa automática e recebe um recibo impresso, que precisará manter até o final da viagem. E, acredite, há fiscalização, sim! Portanto, não arrisque informar um trajeto mais curto para economizar no valor do bilhete.

A passagem mais barata, para um adulto, custa €1,95 (apara percorrer de 1 a 3 zonas). Nosso bilhete do Saint Helen's até o Centro custava  €2,80. Não é barato, mas o conforto, a pontualidade e a praticidade valeram cada centavo. Eram €5,60 por dia, já que, uma vez no Centro, dava para fazer todos os deslocamentos a pé.

Os deslocamentos a pé em Dublin também são bem tranquilos, porque a cidade é muito bem sinalizada
Para quem vai ficar mais tempo e pretende usar muito o ônibus, pode valer a pena comprar o Tourist Ticket, válido para 72 horas de viagens ilimitadas em todo o sistema de transporte local, inclusive no Dublin Bus Tour (hop on hop off).  A tarifa, para um adulto, é de €30.

A cidade também oferece passes diferenciados para estudantes e para crianças. Confira todas as informações no site da Dublin Bus, que também oferece um planejador de rotas, um calculador de tarifas e todos os horários certinhos de cada linha.

Mas a melhor parte eu não contei ainda: os ônibus de Dublin são novinhos, confortáveis e têm WiFi gratuito e de excelente qualidade a bordo.

Eles têm dois andares e é uma delícia circular pela cidade lá do alto, com uma visão privilegiada. Eu me diverti um monte fotografando Dublin durante os deslocamentos e postando as imagens no Instagram, em tempo real.


Para ficar conectada
O WiFi grátis na rua funciona bem. As placas
homenageiam figurinhas carimbadas como o turista,
o músico de rua e a diva Imelda Quirke (no alto),
personagem de The Commitments,
ambientado na cidade
 — taí um filme que se você ainda não viu,
merece um puxão de orelhas
Fiquei seis dias em Dublin e não senti a menor necessidade de comprar um chip local para usar a internet. Além da conexão veloz oferecida nos ônibus, é bem difícil encontrar um pub, lanchonete ou restaurante da cidade que não ofereça WiFi gratuito aos clientes e a cidade ainda tem várias WiFi Zones espalhadas pelo Centro. Procure as plaquinhas (que são fofas!). 

Quando a gente não estava a bordo de um ônibus, em um pub ou em uma WiFi Zone, o truque era ficar na parada de ônibus, aproveitando o sinal de internet dos coletivos que paravam para deixar e recolher passageiros.

No dia que usamos um táxi, aproveitamos o congestionamento decorrente de um temporal para atualizar as redes com o sinal que vinha do ônibus que estava engarrafado ao lado do carro 😊. Acredite: funciona!

Por força de sua história, Dublin é uma cidade muito politizada e aguerrida. Você vai ver convocações para manifestações por todo canto
Nem preciso dizer o quanto isso facilita a vida, especialmente na hora de consultar o Googlemaps para saber como chegar a algum lugar, checar o horário de abertura de alguma atração e usar aplicativos como o Yelp e o Foursquare para escolher um lugar para comer. Fora que eu estou cada dia mais fã de alimentar as redes sociais da Fragata em tempo real, durante as viagens 😊.

Segurança


Em plena Catedral:
cuidado com os
batedores de carteira
Nos seis dias que passei em Dublin, sempre me senti perfeitamente segura, mesmo à noite, no transporte público ou caminhando em áreas movimentadas do Centro.

Embora eu não estivesse viajando sozinha — meu sobrinho Bruno, de 19 anos, estava comigo — não percebi nenhuma vibe esquisita que pudesse representar ameaça para uma viajante solo.

Pelas estatísticas e notícias de jornal, Dublin parece ser tão segura quanto qualquer grande cidade europeia, onde é sempre necessário tomar os cuidados básicos (não caminhar por áreas desertas, prestar atenção à carteira, essas coisas...).

Nos lugares turísticos, você vai encontrar a clássica plaquinha pedindo cuidado com seus pertences. Obedeça, especialmente nas aglomerações. E nada de pendurar a bolsa no encosto da cadeira do pub, tá?

Bebe-se muito na cidade, mas isso não significa que , nós visitantes, precisemos entrar na competição — vivo repetindo: em lugares que a gente não domina, melhor manter o teor alcoólico perto de zero.

Mas mesmo com a fama de farristas dos irlandeses, não vi nada próximo do clichê bebedeira e desordem.

Prepare-se para tomar chuva todos os dias :)
...e não esqueça
Chove a cântaros em Dublin e as temperaturas de verão são beeeeem modestas. Chegamos a pegar 12 graus, em pleno agosto. (Se você considerar que peguei 17º C na Andaluzia, no último inverno europeu... ).

Para não atrapalhar sua descoberta dessa cidade adorável, recomendo fortemente que você se prepare psicologicamente para essa realidade.

Sim, haverá um eventual céu azul, mas esta não é a regra. O prazer de andar na rua será subitamente interrompido por um aguaceiro, quando não for totalmente inviabilizado por uma garoinha pentelha que dura horas. E você vai sentir frio.

Mas depois do toró, a cidade fica assim
(St Stephen's Green, o maior parque público do Centro)
Dublin, porém, compensa cada pingo de chuva que molhar a lente da sua máquina fotográfica, cada poça d'água que encharcar as suas meias e cada tiritada decorrente do vento úmido que sobe do Rio Liffey.

Agasalhe-se corretamente, compre um guarda chuva e aproveite o toró para inteirar-se das artes de frequentar um pub. Garanto que você vai se apaixonar perdidamente por essa cidade. Continue ligado na Fragata, porque nos próximos posts eu vou contar direitinho os motivos :)

Leia mais sobre Dublin
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A Europa na Fragata Surprise

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5 comentários:

  1. Faltou falar na guiness e no jameson. De resto, é Dublin...

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    1. Ainda vou chegar à parte etílica da viagem. Mas vou falar muito mais do Jameson que da Guiness, porque não sou muito cervejeira :)

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  2. Eu ameiiiiii Dublin. Não achei que fosse gostar tanto. Todos os blogs que li falavam que lá não tinha nada para fazer. Aff... o legal para fazer lá é instigar o olhar e observar a linda arquitetura. Como eu amei aquele clima de revolução industria. E o que falar dos irlandeses? O povo mais simpático da Europa.

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    1. Cris, como se dizia na Bahia, Dublin é o bicho. Que cidade massa! Estou cheia de planos pra voltar :)

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  3. Ah, que alegria ver minha cidade do coração aqui! E é engraçado ler um blog de viagem falando sobre a cidade onde moro - é uma perspectiva nova até mesmo pra mim, sabe? Eu fico chateada quando vejo gente falando que não tem nada pra fazer em Dublin (até escrevi sobre isso no meu blog http://www.barbarahernandes.com/2014/02/nada-pra-fazer-em-dublin.html) - Dublin pode não ter monumentos como Londres ou Paris, mas nossa, tem uma arquitetura linda e muitas atividades interessantes a serem feitas! Em tempo, o ônibus aqui, pra quem mora, não é nada nada nada bom - tanto é que só ando de bicicleta, se fosse depender de ônibus só ia de casa pro centro! rs

    ps.: tô doida pra ler mais!

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