quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Um passeio pela Dublin georgiana


Se você leu os meus posts sobre Bath, já sabe que eu morro pela arquitetura georgiana, estilo que marcou as construções inglesas do começo do Século 18 até meados do Século 19 (e que tem esse nome por causa dos reis ingleses da época, da Casa de Hanover, uma sucessão de Georges).

Adoro o diálogo entre os exteriores sóbrios — marcados pelas linhas retas, a simetria quase obsessiva e a busca permanente da harmonia, expressa na repetição dos traços — com os interiores ricamente decorados, o trabalho delicado dos tetos em gesso, as paredes coloridas em tons pastel...


A presença inglesa na Irlanda legou a Dublin um acervo magnífico de construções georgianas, entre edifícios públicos e, principalmente, casas da elite de origem britânica que dominava a Ilha Esmeralda. Em um período de relativa paz (conquistada a mão de ferro), uma reforma urbana, iniciada ainda no final do Século 17, botou abaixo boa parte da velha cidade medieval, alargou ruas e desenhou uma nova Dublin, saneada, ampla e com feições aristocráticas. Uma cidade feita para ingleses e seus descendentes.



O georgiano dublinense não é tão rebuscado, mas é adorável
O georgiano de Dublin é um pouquinho menos pomposo que o de Bath. No lugar da maravilhosa pedra cor de caramelo, usada na região de Somerset, as fachadas da capital irlandesa, em tijolinhos, ganham um ar mais singelo, mais próximo da gente, como se fosse possível ficar amiga e visitar os moradores daquelas casas tão lindas. E seria um momento mágico bater àquelas portas, usando as incríveis aldravas de bronze ou ferro fundido que as adornam.  


O rebuscamento das fachadas georgianas de Dublin fica por conta dos pórticos elegantes, geralmente ladeados por colunas e encimados por uma bandeira envidraçada. A pintura colorida das portas, porém, se encarrega de restabelecer o próximo, palpável, desafetado — e a gente volta a pensar em conhecidos que não têm mordomos e recebem as visitas nas soleiras...


Eu seria capaz de ficar dias só namorando as aldravas.
 Tem jeito mais chique de bater na porta?
Para ver toda a lindeza georgiana de Dublin, basta andar nas ruas do Centro (em alguns subúrbios elegantes, há muitas fachadas que copiam o estilo, moda que os dublinenses chamam de fake georgean), onde muitos imóveis preservam as formas perfeitas, salpicadas entre construções já adulteradas ou mais recentes. Algumas áreas, porém, são célebres por terem preservado integralmente seus conjuntos georgianos.

Uma alameda de Merrion Park, o jardim de Merrion Square
A mais conhecida (e impressionante) é Merrion Square, pertinho do Trinity College, que se aproxima do conceito de "praça fechada", um conjunto de construções uniformes em torno de um jardim — e o jardim de Merrion, com sua densa folhagem, acrescenta um toque especialíssimo ao lugar, com cara de "espaço secreto"...


Merrion Square: simetria, harmonia...
Construída na secunda metade do Século 18, Merrion Square nasceu pra ser chique, um espaço para a elite de origem inglesa ou anglicizada manter suas casas na cidade. O Duque de Wellington (Arthur Wellesley, comandante das tropas britânicas vencedor de Waterloo) nasceu em uma casa da praça. Oscar Wilde e Yeats moraram lá.

Outras áreas bacanas para namorar o o georgiano dublinense são  Fitzwilliam Square, que prossegue por Fitzwilliam Street, onde uma casa (o nº 29) está aberta à visitação, como um pequeno museu desse estilo arquitetônico e decorativo, e a Kildare Street, que preserva várias construções da época.

O centro de Dublin tem um imenso acervo de edifícios georgianos
E só para não ficarmos apenas na pedra e cal, não deixe de explorar o Merrion Park, o jardim de Merrion Square e de aproveitar ao máximo as alamedas e recantos de St Stephen's Green, parque encantador, bem no coração da cidade.

St Stephen's é a expressão verde da Dublin georgiana. A área, na verdade, é a antecessora de Merrion Square como praça fechada e endereço elegante na cidade, mas as construções ao redor já sofreram muitas modificações. O parque foi um espaço exclusivo para os moradores das mansões ao redor até 1877. Hoje é o principal jardim público do centro de Dublin.

St Stephen's Green


Como chegar



Os lugares fotografados para este post ficam todos bem próximos, no Centro de Dublin. Mas não se prenda a um roteiro engessado. É gostoso caminhar pela cidade e ir descobrindo seus tesouros arquitetônicos. O mapinha abaixo é só para dar uma ideia inicial de roteiro, mas fuja da rota e crie e o seu :)

E não deixe de contornar Merrion Square inteirinha (você pode levar cerca de uma hora nesse passeio, no mínimo) e de entrar no delicioso jardim no centro da praça. Stephen's Green também merece uma larga pausa para ver o patinhos nos lagos, as estátuas que adornam as alamedas e, se o tempo estiver bom, relaxar na grama. Leve um sanduíche e faça um piquenique.


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4 comentários:

  1. Que post sensacional, parabéns, Cyntia! O Museu de Casas Georgianas é muito legal - é engraçado porque essas casas parecem pequenas e estreitas (e são um pouco nas laterais) mas elas são suuuuper compridas, é um estilo bem diferente. Tô adorando seus posts sobre a "minha" cidade! :)

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    1. Que legal, Bárbara. Sua cidade é muito bacana, fiquei fã. Abs

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  2. oi Cyntia... estava (estou) com certa resistência de visitar Dublin. Não saberia dizer a razão... Fato é que não me atrai! Mas sabe que depois desse texto até estou começando a simpatizar?! :)

    Ana (Espiando Pelo Mundo)

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    1. Analuiza, eu adorei Dublin. Ela tem um astral que é só dela, não é escandalosamente fotogênica à primeira vista (precisa aclimatar o olhar pra ver a beleza), tá sempre ameaçando chuva, etc.. Mas é encantadora. Eu recomendo :)

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