quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Clássicos londrinos: 5 atrações
para ver ao menos uma vez na vida

As papoulas do artista plástico Paul Cummins, na Torre de Londres. Em agosto, a instalação estava apenas começando.
 Ao todo, 888.246 flores de cerâmica foram colocadas no fosso
 e nas muralhas, lembrando os britânicos mortos na I Guerra Mundial. Em novembro, milhares de voluntários
 ajudaram a desmontar a obra
Londres tem taaaaanta coisa para ver que o visitante mais ansioso corre o risco de passar qualquer temporada por lá — independentemente da duração — em permanente estado de culpa, mais assombrado com as atrações que ficaram fora de sua lista do que em aproveitando as escolhas que fez. A boa notícia é que cidades milenares em plena vitalidade contemporânea não costumam sair correndo. Sempre haverá a chance de voltar a elas para desfrutar de outras maravilhas.

O melhor da capital britânica não está nos guias de turismo. A cidade tem uma atmosfera única, um astral que toma conta de mim logo na chegada, provocando a mais intensa felicidade apenas pelo fato de estar lá. Adoro caminhar sem destino, aproveitar os fantásticos parques e espaços públicos e observar os londrinos em seu vai e vem. É o que eu chamo de "turismo casual": uma agenda totalmente aberta para acolher o capítulo "o que ocorrer".

Mas reconheço que há atrações tão espetaculares que não posso ignorar. Tenho certeza que todo mundo que já passou por Londres tem a sua lista de "visitas obrigatórias". A minha é essa aqui:
A famosa cobertura do pátio interno do Museu Brtânico
Museu Britânico
Primeiro, um parêntese: estou cada vez mais avessa aos museus de tudo. Os grandes arquivos de maravilhas me parecem cada vez mais datados, expressões de uma época em que viajar era difícil e era necessário juntar o máximo de peças em um só lugar, para dar ao visitante a sensação de ter percorrido o mundo — vivo dizendo que a beleza satura e ninguém consegue ficar em estado de permanente encantamento por mais de um par de horas.

Para explorar os corredores, salões e escadarias,
 a gente precisa mesmo de um mapa
Esse é o caso do Museu Britânico, que me provoca taquicardia só de conferir seu mapa e perceber que eu precisaria de umas duas semanas para ver todo o seu acervo e que às vezes me deixa muito incomodada com as "apropriações" feitas pelos ingleses de tantos ícones pertencentes a outros povos — sim, eu quero que os frisos do Parthenon sejam devolvidos à Grécia. E já!

Um sarcófago etrusco 
e um fragmento de pintura de uma tumba egípcia
Dito tudo isso, é inegável que o Museu Britânico emplaca qualquer lista de atrações "para ver antes de morrer" do planeta. Qualquer uma de suas coleções já renderia um museu de primeira linha (nesta visita, eu fiquei horas babando a ala dedicada à Arte Etrusca, como vocês podem ver pelas fotos. 

Aliás, reconheço que essa monumental instituição não se ajusta muito ao título do post, porque é impossível visitá-lo só uma vez na vida. É programa para todas as passagens por Londres, sem ansiedade, para ver um pedacinho de cada vez e sempre ter a sensação de que está encontrando um museu novo.

Máscaras etruscas
Entre os destaques do acervo, a parte dedicada à era pré-romana da Ilha, ao antigo Egito e à Mesopotâmia são simplesmente de rasgar a roupa.


Como chegar
O museu fica na Great Russell Street e as estações de metrô mais próximas são Holborn (linhas Central e Picadilly) e Tottenham Court Road (linhas Central e Northern).

Horários
Diariamente, das 10h às 17:30h. Para mais informações, consulte o site do museu

Quanto custa
Nadinha!!! Os museus estatais britânicos são todos gratuitos. Não é uma maravilha?

Confira o índice com todos os posts sobre 
museus e sítios arqueológicos publicados aqui na Fragata


Catedral de Saint Paul
Saint Paul é tão solene que intimida...

... mas a gente vai acostumando com ela na paisagem,
até chegar pertinho e encontrar o aconchego de seu jardim
A imponente Catedral de Saint Paul é um dos maiores templos cristãos do planeta. Ela ocupa um local dedicado à religião desde o Século 7 (quando, concretamente, a ideia de uma "Inglaterra" talvez sequer tivesse ocorrido aos reis saxões que dividiam e disputavam o território que hoje pertence ao país).

Não dá muito para escapar do clima solene que cerca a visita a Saint Paul. O que ajuda a construir alguma proximidade com esse sisudo monumento é ir adquirindo alguma intimidade com a silhueta de sua cúpula, recortada contra o horizonte de Londres (a gente vai criando um certo carinho pela velha senhora). 

O poeta John Donne, que foi decano da Catedral, ganhou um busto no jardim, que fica lotado na hora do almoço,  nos meses de verão
Gostei muito de almoçar no jardim da Catedral, cercada de londrinos que trabalham na área da City. Ah, e se puder, chegue a pé pela modernérrima Millenium Bridge. O contraste de traços é poderoso como experiência estética.

A Millenium Bridge é uma bela passarela 
para chegar à velha senhora
Saint Paul é uma aula de história. Ela deve muito de suas feições atuais a dois dos mais icônicos arquitetos ingleses: Inigo Jones, uma espécie de "patriarca" dessa arte na Inglaterra, que comandou a reforma do Século 17, e Christopher Wren, que definiu os traços atuais da Catedral, no século seguinte. 

Seu interior é quase que uma narrativa dos grandes episódios da vida do país, expressa nas tumbas monumentais de mitos como o Duque de Wellington, comandante militar que derrotou Napoleão, e o Almirante Nelson, herói naval de batalhas memoráveis. 

Temple Bar Gate, uma dos antigos acessos à City (à esquerda)
 e a entrada da Catedral
Como chegar
A estação de metrô de Saint Paul fica a 50 metros da Catedral. 

Atenção
É proibido fotografar o interior da Catedral

Horários
De segunda a sábado, das 8:30h às 16h. 

Quanto Custa
£16.50

Abadia de Westminster
Detalhe da fachada interna de Westminster vista do claustro
Se há na Inglaterra um templo cristão mais famoso que Saint Paul é a Abadia de Westminster. Ao contrário de sua sucessora (ela foi a Catedral Anglicana de Londres, no Século 16), essa igreja gótica é absolutamente envolvente, apesar de sua grandiosidade. Talvez eu seja parcial — sou mesmo descabelada de paixão por construções medievais — mas poucas vezes eu vi a monumentalidade ser tão aconchegante. A bichinha é linda demais!

Ô, bichinha bonita!!
Dois ângulos de Westminster clicados do claustro da abadia
O edifício que vemos hoje tem suas origens no Século 11, obra de Eduardo, o Confessor, que foi de fato o último rei saxão da Inglaterra e era tão religioso que preferiu não consumar o casamento e acabou não deixando um herdeiro — seu cunhado Haroldo, que o sucedeu, nem esquentou o trono, despojado da coroa pela invasão Normanda, em 1066. O trono de Eduardo é uma das peças mais importantes expostas em Westminster.

A Abadia é famosa por abrigar as grandes cerimônias reais inglesas, como a coroação dos monarcas, e também é o local de sepultamento de figuras proeminentes. Eu penei para encontrar os túmulos de Isaac Newton e de Charles Darwin, na algaravia de lápides que homenageiam reis, rainhas, políticos, escritores (Charles Dickens, Geoffrey Chaucer, Rudyard Kipling...), compositores (Händel), atores (Lawrence Olivier)...

Detalhe da fachada externa da Abada de Westminster
Fila para entrar na Abadia.
Mas não desanime, porque vale muito a pena
As filas para comprar ingressos e a da entrada são sempre enormes, mas a espera vale a pena (a da bilheteria você pode driblar se programando e comprando pela internet. A fila para entrar, porém...).

Como chegar
O endereço é 20 Deans Yard (bem atrás do edifício do Parlamento) e a estação de metrô mais próxima é Westminster.

Horários
No verão, das 9:30h às 18h. No inverno, fecha às 15:30h. 

Atenção
É proibido fotografar o interior da Abadia, exceto o claustro, onde as imagens são liberadas.

Há duas filas para comprar ingressos, uma para quem paga em dinheiro, outra para quem vai pagar no cartão. As placas não ficam muito visíveis para quem está no fim da fila, então, é bom perguntar. Mas o melhor mesmo é comprar ingresso pela internet, assim, você só pega a fila para entrar :)

Quanto custa
£18

Placa comemorativa à viagem de circum-navegação
 do Almirante Cook, no claustro de Westminster

Torre de Londres


A Torre de Londres é daqueles lugares que merecem um rufar de tambores e toques de clarim antes de serem introduzidas em qualquer conversa. Essa velha fortaleza, iniciada pelos normandos logo após a conquista de 1066, é tão cheia de histórias que a gente poderia passar alguns meses (anos?) percorrendo seus pátios, torres, muralhas e salões ouvindo as narrativas de fatos quase mitológicos ocorridos à sombra daquelas pedras. É um programaço, e se você conhecer algumas dessas histórias, a visita fica ainda mais empolgante.

O "Portão dos Traidores": por aqui entravam os prisioneiros, trazidos de barco pelo Tâmisa. À direita, um compenetradíssimo Beefeater, integrante do corpo da guarda da Torre
Pra começar, não há uma torre, mas um conjunto impressionante de edificações fortificadas que, juntas, são quase sinônimo da Inglaterra. Aqui, monarcas ditaram ordens, decidiram guerras e amargaram a prisão (como Elizabeth I, antes de ser coroada), assassinatos horripilantes foram perpetrados (como o dos filhos de Eduardo IV, mortos pelo tio Ricardo III, episódio narrado em um dos textos mais espetaculares de Shakespeare), poderosos foram executados (Ana Bolena). É como se a gente estivesse assistindo a uma interminável Sessão da Tarde, com intrigas, amores e aventuras para preencher algumas encarnações.

A Torre vista "por trás" (na direção oposta ao Tâmisa)


Neste pátio, hoje cercado de residências de membros
 da guarda, Ana Bolena foi executada, em 1536
Tudo na Torre é superlativo, inclusive as filas para entrar e as multidões que se acotovelam lá dentro. Nada disso tira o prazer de caminhar por esse cenário histórico que permanece vivo, ainda uma residência real, guardado pelos Beefeaters em seus pomposos trajes do Século 16 (todos oficiais reformados das Forças Armadas Britânicas). Meu pedaço favorito é a bela Torre Branca, construída pelos normandos, com sua escadaria de madeira pronta para ser destruída, deixando de fora os invasores. 

A Torre Branca, uma das construções mais antigas do conjunto
A maior fila que você vai encontrar na Torre é para entrar na exposição das joias da Coroa Britânica, um impressionante conjunto de coroas, armas, cetros e outros objetos cerimoniais que expressam o poder do velho império. Na maior parte da mostra, os visitantes deslizam por uma esteira rolante que passa diante das vitrines apinhadas de ouro e pedras preciosas. 

O dormitório e a capela nos aposentos de Eduardo IV, reconstruídos no sítio original, na Torre Saint Thomas

Como chegar
A Torre fica na margem Norte do Tâmisa, em frente à Tower Bridge. A estação de metrô mais próxima é Tower Hill. 

Horários
De março a outubro, das 9h às 17:30 (aos domingos e segundas, abre às 10h). No inverno, fecha às 16:30.

Atenção
É proibido fotografar as joias da Coroa Britânica.

Quanto custa
£22. Se você comprar pela internet, ganha £1,10 de desconto.

Tower Bridge e o Tâmisa vistos da Torre

London Eye
Bem na hora que a gente embarcou na gaiolinha, despencou um toró
Até essa última visita a Londres, confesso que eu tinha preguiça de "passear" no London Eye — eu fui uma criancinha esquisita, que morria de tédio no circo, chorava no zoológico e jamais conseguiu entender a lógica de ficar dando voltas em carrosséis e rodas-gigantes, sem sair do lugar :) 

A ideia de olhar a cidade a 135 metros do chão sempre foi bem tentadora, o problema era a fila para pegar a roda gigante mais famosa do planeta — o preço dos ingressos skip the line, que dão prioridade de acesso, é simplesmente obsceno.  

A cidade a 135 metros do chão
Desta vez, porém, a Roda do Milênio foi a minha primeira parada na cidade, pois mesmo olhando de baixo, eu sempre tive certeza que dar uma volta em uma daquelas gaiolas de vidro é daquelas coisas que a gente tem que fazer pelo menos uma vez na vida. 

Achei bem legal, dá pra ver mais de meia Londres lá do alto. Pena foi a chuva espírito de porco que resolveu cair bem na hora do nosso embarque. O resultado é que esse é um programa que agora eu vou precisar repetir. Pelo menos uma vez na vida :)

A "gaiolinha" de ar futurista é confortável,
ninguém precisa se acotovelar para ver a paisagem
Como chegar
A Roda do Milênio fica em frente aos Jubilee Gardens, na margem sul do Tâmisa, quase em frente ao Parlamento e ao Big Ben. A estação de metrô mais próxima é Waterloo, mas também dá para chegar pelas estações de Westminster (e atravessar a Westminster Bridge) ou Embarkment (atravessando a Hungerford Bridge). 


Horários
Das 10h às 20:30h, no inverno. De maio a agosto, às 21:30h e, nas sextas-feiras, até às 23:30h. 

Quanto custa
Os preços das entradas variam, já que alguns bilhetes podem ser usados até por uma semana, com direito a entrar sem pegar fila. O ingresso básico, o mais barato, custa £20,95 (£18,85 se for comprado online).


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6 comentários:

  1. Eu não queria gastar o dinheirão que eles cobram pra ir na London Eye, mas fui justamente porque é uma das coisas que a gente não pode deixar de fazer na vida, né? Valeu a pena ver a cidade lá de cima!

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    1. É muito bacana, Bárbara. Pena que choveu :(

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  2. A torre de Londres é minha preferida apesar de todos nessas lista serem fenomenais! Só me falta ir no Museu Britânico. Toda as vezes que saio de lá faço uma lista gigante do que quero ver quando voltar. Londres é infinito <3

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    1. Minha dúvida, Thaís, é de quantas encarnações a gente precisa pra dar conta de Londres. Eu queria uma 12 -- pra passar todinhas lá :)

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    2. Moro aqui e posso dizer que com certeza, uma vida é pouco. Cada vez que saio para ver algo novo, tem algo acontecendo que me prende a atenção e que sempre vale a pena ver... sempre tem algo acontecendo em Londres é o que mais ouço. Cynthia sou sua seguidora há tempos, adoraria te encontrar quando voltar por aqui.

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    3. Claro, Cristina, vai ser um prazer! E tomara que possa ser logo :) Bjo

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