quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Sainte Chapelle sem multidão?
Vá a um concerto


Sainte Chapelle: tão bonita que quase parece irreal
A primeira que entrei na Sainte Chapelle foi no dia do meu aniversário, há mais de uma década. Eram 9 horas da manhã e o sol estava maravilhoso — e o sol faz toda a diferença lá. Para melhorar, não havia nem indícios da fila de visitantes que se eterniza na porta do Palácio da Justiça, em cujas dependências fica essa magnífica capela do Século 13.

Fiquei paralisada com a beleza do salão térreo do templo, todo decorado em púrpura, azul royal e dourado, mas nada prepara a gente para a visão arrebatadora do piso superior, onde as paredes dão lugar aos vitrais, ainda mais quando são vazados pela luz radiante de uma manhã como aquela.
A Sainte Chapelle (à esquerda), o Palácio da Justiça e a fila
Desde então, uma visita a Paris sem ao menos uma passadinha na Sainte Chapelle é só meia visita. O problema são as tais filas. É verdade que dá para driblá-las, com o Paris Museum Pass (bilhete para 60 museus e monumentos que permite entrar direto nas atrações), mas onde tem fila, tem muvuca: aquelas pessoas todas vão entrar e se acotovelar com você em busca do melhor ângulo para a contemplação ou para as fotos, mesmo que seu passe lhe permita entrar antes delas.

A entrada do andar superior (esq) e uma rosácea da capela
Desta vez, em pleno agosto — a temporada das filas imensas — resolvi escapar da multidão vendo a Sainte Chapelle de um jeito diferente: assistindo a um dos concertos que são realizados na capela, depois do horário de visitas, e super recomendo o programa.

Adorei passar quase duas horas sentadinha naquele lugar lindo, ouvindo música composta exatamente para ser tocada naquele tipo de ambiente e vendo o sol, já a caminho do crepúsculo, encontrando cada vez mais o ângulo exato para entrar por aqueles vitrais celestiais. Os músicos eram competentes e o repertório de Vivaldi, um compositor "pra cima", deixava a alma levinha.


A Sainte Chapelle foi construída por determinação do rei Luís IX (canonizado como São Luís, por seu empenho na promoção das Cruzadas) para funcionar como capela real. Ela é famosa por ser uma "igreja de dois andares": ao piso superior só o rei, sua família e os mais graduados da corte tinham acesso para ouvir a missa. Era parte do antigo palácio real (que não existe mais) e hoje está encravada nas dependências do Palácio da Justiça.

Vitrais celestiais
A capela era parte do complexo do Palais de la Cité, que foi a morada real entre os séculos 10 e 14. Foi Luís IX o principal responsável pelo esplendor do palácio (mas os magníficos vitrais do andar superior da capela só foram colocados lá 200 anos depois de seu reinado). Além da Sainte Chapelle, o que resta dessa residência real é a impressionante Salle de Gens d'Armes, o maior salão gótico de uso civil ainda de pé na Europa — e que vale muito a visita, porque é realmente de cair o queixo.

A Salle de Gens d’Armes foi incorporada ao edifício da Conciergerie, a famosa prisão, última morada de muitos dos condenados à guilhotina durante a Revolução Francesa, inclusive Maria Antonieta — os aposentos dela podem ser visitados.

A Torre do Relógio da Conciergerie é do Século 14.
O relógio é do Século 16
Informações práticas

Sainte ChapelleBoulevard du Palais nº 4 (Metrô Cité, linha 4)


Detalhe do teto do primeiro andar da Sainte Chapelle
Pode ser visitada diariamente, a partir das 9:30h às 18h (de novembro a fevereiro, fecha às 17 horas). Entre maio e setembro, fecha às 21 horas  nas quartas-feiras. A entrada custa €8,50. Um bilhete combinado (€12,50) dá acesso à Sainte Chapelle e à Conciergerie.

A visita começa pelo andar térreo (lindíssimo), ao qual se tem acesso por um pátio do Palácio da Justiça. Depois, uma escadinha de caracol muito estreitinha (e concorrida) leva aos visitantes ao andar superior. O melhor horário para a visita é de manhã cedo ou no final da tarde, para ver o efeito mágico do sol atravessando os vitrais (é meio como ir para o céu sem ter o aborrecimento de morrer).

A Conciergerie
Os concertos 
As apresentações são realizadas após o encerramento das visitas e há espetáculos ao longo de todo o ano (no verão, todos os dias, exceto às quartas-feira). Nesse caso, a entrada na Sainte Chapelle é diretamente pelo andar superior, por uma porta que era usada pelos reis.

O público dos concertos atravessa os corredores do Palácio da Justiça e entra na capela pela porta reservada aos reis da França
O acesso é pelos corredores do Palácio da Justiça. Lembre-se que esse edifício é sede de uma série de tribunais, entre eles a Suprema Corte francesa, e a segurança é reforçada. Para entrar, é preciso passar pelo detetor de metais, portanto é bom evitar carregar objetos que possam ser barrados. Deixe o canivetinho de cortar queijos nos piqueniques no hotel.



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2 comentários:

  1. Muito bom o post, Cyntia! Eu fiquei com muita vontade de ver o concerto, mas quando fui a Paris, em 2004, a grana estava curta e o euro quase 4 reais (!!!!). Ainda volto lá pra conferir! Certeza!!!

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    Respostas
    1. Obrigada, Liliane :) Eu curto muito concertos em velhas igrejas. Claro que a gente sabe que não vai assistir nenhum gênio virtuose, mas vai ouvir músicos sérios, dedicados, em lugares muito bonitos. Acho que minha experiência mais emocionante foi em Veneza (não vou lembrar a igreja), mas combinou demais com a lua cheia, a caminhada até a igrejinha por aquele labirinto de pontes... Bjo

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