quinta-feira, 14 de agosto de 2014

10 coisas que eu quero fazer
(de novo e sempre!!) em Londres

Sou apaixonada por muuuuuitas cidades. 
Mas Londres é pra casar...
Quando este post for ao ar, eu estarei chegando em Londres (\o/). No ano passado, nesta mesma época, tive uma semana deliciosa na capital inglesa, mas acabei escrevendo muito pouco sobre ela, aqui no blog (culpa da eterna correria). Agora que estou voltando, fiz essa listinha dos meus programas preferidos na capital inglesa, torcendo pra repetir todos eles e descobrir muitos mais — e que a lista inspire a sua próxima viagem a essa cidade apaixonante. Confira:

- Almoçar no parque e rolar na grama
Hora do almoço no jardim da Catedral de Saint Paul
Se tem uma coisa que me mata de inveja dos moradores de Londres é a relação deles com seus maravilhosos parques e jardins. Pra mim, um sintoma inequívoco de qualidade de vida é a possibilidade de usar o espaço público na vida cotidiana, independentemente de eventos que mobilizem atrações, reforço de policiamento e oferta de serviços.

E nem precisa ser fim de semana. Em dias comuns de verão, na hora do almoço os parques ficam cheios de gente que chega carregando suas saladas e sanduíches (geralmente comprados em cadeias como a Pret a Manger e Marks & Spencer, que estão por toda parte e vendem uma comidinha bem feita, saborosa e com ótimos preços e são uma boa pedida para viajantes) e se esparramam no gramado. Nem preciso dizer que adotei a regra desde o primeiro dia, né?

Sanduba e relax em um jardim da City
Londres tem parques famosos, como o Hide Park, Saint James's, Kensington Gardens (fiquei hospedada bem ao lado) e o Regent's Park, mas qualquer jardinzinho, especialmente em áreas com grandes concentrações de escritórios, como a City, vira uma festa na hora do almoço. Como eu estava de férias e não precisava correr para o trabalho, emendava sempre a refeição com uma horinha de preguiça na grama, onde os londrinos rolam sem cerimônia. Acho que vou fazer exatamente isso hoje :)

- Namorar o horizonte da cidade em Greenwich Park
"Cinema" em Greenwich Park: dá para ficar horas namorando a bela arquitetura da Queen's House, com o Skyline de Londres ao fundo
Meu momento verde preferido foi em Greenwich, que além de um parque espetacular à beira do Tâmisa, tem um Museu Naval (National Maritime Museum) dos mais importantes do mundo e o Royal Observatory, centro de estudos da astronomia fundado no Século 17, por onde passa a linha do meridiano que divide o mundo em Hemisfério Ocidental e Hemisfério Oriental.

Outra atração irresistível é o Cutty Sark, veleiro usado no transporte de chá, considerado o mais veloz de sua época, o final do Século 19.

A capela do Naval College
Poucos lugares do mundo são tão impregnados pelas memórias de aventuras navais quanto Greenwich, mas você não precisa ser uma fanática por histórias do mar para ir até lá. Além de passar algumas horinhas deliciosas curtindo a graminha do parque em um piquenique bem sossegado, vale uma visita à belíssima capela do Old Royal Naval College e à Queen's House, do Século 17, palácio considerado uma das obras primas do arquiteto Inigo Jones (o Niemeyer britânico, só que beeeem mais antigo, rss).

O Cutty Sark
Como chegar a Greenwich
Dá para ir de metrô e de trem, mas nada mais coerente com a tradição local do que chegar de barco.

O jeito que achei mais fácil foi pegar um dos Thame’s Clippers, que partem do terminal Embarkment, pertinho do Parlamento (tem paradas também em Bankside, London Bridge, Tower e Canary Wharf). O bilhete de ida e volta custa £12, com 10% de desconto para quem tem um Oyster Card. O serviço funciona das 6 da manhã às 11 da noite.

O National Maritime Museum, a Queen's House a a Capela do Naval College e o Centro de Astronomia do Observatório têm entrada gratuita e podem ser visitados das 10h às 17 horas. O acesso ao Cutty Sark custa £13.50.

Tem mais dicas neste post:
Adorável Greenwich, terra de histórias do mar

3 - Comer hambúrguer de pub - acompanhado de Pimm's
O interior do Red Lion, pub tradicional em Whitehall
Sim, eu curto Fish&Chips, o peixinho frito, empanado e acompanhado de toneladas de batatas fritas que é a logomarca da culinária popular inglesa - perfeito para ser saboreado ao ar livre.

Quando o assunto é cozinha de pub, porém, o hambúrguer é imbatível. Esqueça tudo o que você aprendeu nos fast foods da vida. Nos pubs ingleses, o que chega à mesa é um disco suculento (e enorme) de carne moída, muito bem temperado, tostadinho por fora e vermelhinho por dentro... fantástico!
Detalhes da decoração do Red Lion:
entalhes no teto e vidros lapidados nas portas
Para acompanhar, a bebida tem que ser Pimm's, marca registrada do verão inglês. Esse destilado de gim com frutas e ervas mantém o amarguinho do pai e geralmente é servido com gelo, rodelas de limão e - pasme - pepino.

E eu, que passei a vida odiando pepino, finalmente entendi a sabedoria da natureza ao criar essa plantinha indigesta: acho que nunca provei uma combinação tão perfeita quanto pepino e Pimm's.

Passei uma semana em Londres comendo em pubs pelo menos uma vez por dia e não encontrei nenhum que não fosse legal. Entre eles, um bem bonitão, tradicional (e com um hambúrguer de chorar, de tão perfeito), foi o Red Lion (Parliament Street, nº48) que fica bem pertinho do Parlamento, de Westminster Abbey e outras atrações.

4 - Curtir muito a beira d'água...
Little Venice é um bairro muito fofo e ótimo ponto de partida...
... para um passeio às margens do Regent's Canal
Como boa baiana, tenho que dizer que Londres é de Oxum. A cidade não tem mar, mas bate um bolão no lazer à beira de suas águas doces. Dá para mudar várias vezes de cenário sem perder o contato com essa "praia".

Jubilee Gardens, na margem Sul, ao lado do London Eye
No verão passado, quase me senti no Rio de Janeiro com a animação dos "calçadões" à beira do Tâmisa. Além das atrações bacanérrimas que povoam as margens do rio (The Globe Theater, a Tate Modern, o Parlamento, o London Eye, a Torre...), elas vibram com os artistas de rua, o vai e vem dos caminhantes, pequenos e discretos piqueniques, skatistas...

O Tâmisa visto da Torre de Londres. 
Na outra margem o City Hall (a prefeitura)
Mais distante do Tâmisa, mas ainda na vibe quase praieira, é muito legal fazer uma caminhada ou escolher um banquinho às margens do Regent's Canal para ver o movimento dentro e fora d'água. Programinha legal é pegar um barco em Little Venice e seguir até Camden Lock (a eclusa de Camden), onde um mercado de rua ferve aos sábados, na melhor tradição do bairro que viu nascer o movimento Punk, no anos 70.

5 - ...e os passeios de barco pelo Tâmisa 
A Tower Bridge, uma das imagens mais conhecidas de Londres
À direita, a Blackfriers Bridge,  que eu acho muito fotogênica
Seja no clássico "city tour aquático", seja a bordo dos Thames Clippers, barcos regulares que fazem a rota entre North Greenwich e Putney, navegar pelo Tâmisa é parte da festa de estar em Londres no verão. É como ver a cidade desfilar só para a gente, com algumas de suas mais famosas atrações acenando das margens.

6 - Aproveitar os museus gratuitos


A National Gallery e a muvuca em Trafalgar Square
Pra quem gosta de museus, Londres é um paraíso. Tem o acervo quase infinito do British Museum, o Victoria and Albert, as fantásticas pinacotecas da National Gallery e National Portrait Gallery, o espetáculo da Tate Modern, a Tate Gallery... E o melhor dessa festa é que a entrada em todos os museus estatais é gratuita. Dá vontade de ter umas cinco encarnações para aproveitar isso tudo.

Confira o índice com todos os posts sobre 
museus e sítios arqueológicos publicados aqui na Fragata

7 - Provar comidinhas de todos os cantos do mundo
A "praça de alimentação" no Mercado de Camden Lock


Londres tem comida de rua em tudo quanto é canto, mas se você quiser ficar zonza com a variedade culinária, vá para Camden Town em um sábado. Acho que nem a Fifa tem tantos países membros quanto o mercado local tem em barraquinhas de comida. É a volta ao mundo em 80 mil calorias - e eu nem preciso de dizer que, como boa baiana, eu piro com comida de rua e temperos diferentes, né?

8 - Jantar em Chinatown antes do teatro 

Tem coisa melhor que beliscar dumplings antes de um musical?
Um dos rituais mais bacanas do mundo é combinar jantar com teatro. Em Londres, a oferta de espetáculos no West End e a proximidade com Chinatown inspira a deliciosa combinação de dumplings com musicais. No ano passado, só consegui assistir We Will Rock You, uma bobagem divertida que alinhavava várias músicas do Queen com um enredo meio ficção científica. Este ano, já sei que vou ver The Commitments (quem não ama o filme de Allan Parker sobre uma improvável banda de soul irlandesa?). Antes, é claro, espero tropeçar em um bom restaurante chinês escolhido ao acaso e curtir a minha porçãozinha de bolinhos cozidos no vapor. (Ah, em janto antes do teatro, pra não perder a hora do metrô).

9 - Compreender as multidões como parte da experiência da visita aos monumentos famosos
A Abadia de Westminster
Londres tem uma história riquíssima, que remonta à Idade do Bronze. Mesmo antes de se consolidar como capital da Inglaterra, no Século 12, a importância estratégica da povoação fortificada às margens do Tâmisa já contribuía para que ela recebesse intervenções arquitetônicas significativas. Ao longo dos séculos, foram sendo erguidos na cidade alguns ícones que o mundo inteiro sonha conhecer, como a Abadia de Westmisnter (Século 10), a Torre de Londres (Século 11) e a Catedral de Saint Paul (Século 17) - três monumentos que visitei e amei, no verão passado.

Loucura na Torre de Londres:
a multidão para para ver a Tower Bridge abril
Com todo esse apelo, não é de espantar que haja sempre hordas de visitantes nesses sítios históricos. As filas das bilheterias podem ser dribladas, comprando ingressos com antecedência. O que não dá para driblar é a muvuca que vai lhe acompanhar durante toda a visita, se você estiver em Londres no verão.

Não gosto nadinha de compartilhar meus momentos de contemplação com muita gente. Por isso mesmo, costumo andar na contramão: quando é verão no Hemisfério Sul eu viajo pelo Hemisfério Norte e e vice versa. Na Inglaterra, porém, vale a pena o sacrifício de encarar a superlotação do verão. Afinal, em que outra estação do ano eu poderia rolar naquela graminha verde e fofinha?

A Millenium Bridge e a Catedral de Saint Paul
10 - Usar o Tube sem susto 


Pare à direita na escada rolante
e deixe o Oyster Card fazer o resto
Eu quase pirei tentando desvendar o esquema de tarifas do Tube, o metrô de Londres. Li todos os posts, a página oficial do metrô e quase consultei os búzios, e continuava achando tudo mais complicado que as aulas de matemática do ginásio (aquelas que todos os anos me mandavam para a recuperação). Até que um amigo me abriu as portas da iluminação: "O Oyster Card é inteligente e resolve a charada por nós".

Ele se encarrega de calcular a menor tarifa e o seu gasto diário nunca ultrapassa o valor do passe para um dia de uso, que estava em pouco mais de £8, não importa quantas viagens forem feitas. Se você considerar que um bilhete unitário custa £4,70, vai ter que concordar que o bichinho não só é um gênio, como também é uma mãe. No guichê da estação de metrô do Aeroporto de Heathrow, logo na chegada, conversei com o atendente, que recomendou carregar £20 na modalidade pay-as-you-go e deu tudo muito certo para seis dias na cidade, e ainda tinha troco, que serviu para bancar minha ida de Euston para o aeroporto, na hora de ir embora.

O Oyster Card é aceito no metrô, nos ônibus...
... e em algumas linhas de barco que circulam pelo Tâmisa
Talvez haja formas mais econômicas de usar o Oyster - e quem vai ficar bastante tempo na cidade deve pesquisá-las. Mas para um período curto, tipo uma semana, achei bem razoável essa fórmula, até porque eu tinha muito mais com o que me preocupar no meu pedacinho de verão londrino.

De resto, basta lembrar de não parar do lado esquerdo dos degraus das escadas rolantes das estações (que são a "pista de velocidade" para quem passa com pressa) e dá tudo certo. O Tube leva o turista a literalmente todos os lugares de interesse na cidade.

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10 comentários:

  1. Perfeito, quase coincidimos nas preferências :)

    Cheguei até a cochilar com minha esposa num parque público... bom demais!

    Deixo a sugestão de outro bom lugar pra ver o horizonte da cidade: Primrose Hill (é mais ou menos perto de Candem Town).

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    1. Primrose Hill tava na minha lista, Patrick. Mas como andou chovendo, acabei não indo. Quem sabe, no próximo verão? Bjo

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  2. Comer um lanche no parque... impagável, de fato! Parabéns pelo blog, tô sempre acompanhando!

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    1. Obrigada, Bárbara :)
      Os parques londrinos são tão legais, né? Nem dá vontade de ir embora...

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  3. Oiii Cyntia, aiii que saudades de Londres, tudo de bom esse lugar, sonho do meu marido é morar em Londres, ano que vem queremos voltar, vou lembrar de passar por aqui p ver o que ainda não fizemos por lá! Belas fotos! Abraçosss

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    1. Oi, Kellen, Londres é daqueles lugares que me deixam suspirando, só de lembrar. Os dias que passei lá, agora em agosto, não foram esplendorosos como os do ano passado. Peguei chuva - neca de rolar na grama :) - e até um friozinho. Mas foram dias maravilhosos. Logo logo os posts pintam por aqui. Bjo

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  4. Um dos meus lugares favoritos no mundo =D

    Saudades de Londres.

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  5. VOU DIA 11/04, Confesso que adoro mesmo Paris, minhas viagens sempre passam por lá. Ano passado aluguei um apto maravilhoso e passe 23 dias, mas este ano ganhou Inglaterra. Ja fui 3 vezes e nunca curti, espero que desta vez eu mude de ideia, li muita coisa interessante aqui, mas sempre peguei tempo feio. Vou a Escocia, York, Highlands, Irlanda e depois 14 dias em Londres. Esyava vendo aptos para alugar. Adorei as dicas.......na volto conto, me sinto um ET...todos amam Londres, menos eu rsrsrsr obrigada ps. ja morei na sua terra, linda!!!!!

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    1. Londres e Paris são duas cidades apaixonantes, cada uma a seu modo. Tomara que você curta, desta vez. Céu azul não tem muito, não, mas a gente perdoa :)
      Vc morou em Salvador? Dá saudade, né?

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