sexta-feira, 4 de abril de 2014

Gosta de museus? Vá para Berlim!

A marquise e a entrada da Gemäldegalerie,
ao lado da Sankt Matthäus Kirche
Eu gosto de museus. Gosto tanto que perdoo as filas, os grupos barulhentos e outros perrengues. E em nenhuma outra cidade do mundo meu mergulho nas belezas expostas em museus foi tão prazeroso quanto em Berlim — talvez porque entre todas as cidades que conheço, nenhuma tenha museus tão espetaculares fora da lista mundial de "obrigações turísticas".

O resultado é que a gente visita instituições tão maravilhosas quanto o Louvre, de Paris, o Prado, de Madri, e a Galleria degli Uffizi, de Florença, sem enfrentar muvuca nem a algazarra de quem foi lá só pra "bater o ponto". Pra mim, é o paraíso dos museus: Berlim.

Esta postagem faz parte de uma blogagem coletiva organizada pela Rede Brasileira de Blogueiros de viagem para celebrar a Semana dos Museus na Europa, a #MuseumWeek. No final do texto, veja todos os blogs participantes, acesse os posts descubra museus bacanas e anote as dicas para sua próxima viagem J

Uma farra museológica em Berlim precisa começar pelo Museu Pergamon, que é um soco no estômago — no bom sentido. Logo na entrada está o famoso altar que dá o nome à instituição, trazido da cidade helênica de Pérgamo, na Ásia Menor, hoje Turquia.

Puro êxtase, mas não acaba aí. Lá estão também o Portão de Ishtar, trazido da Babilônia, o Portal do Mercado de Mileto, uma coleção de Arte Islâmica deslumbrante, com uma série de Mihrab (nichos de oração) em faiança, apaixonantes, o teto da Torre da Alhambra e a fachada do Palácio de Mshatta, na Jordânia. O Quarto de Aleppo, que a gente só pode contemplar através de uma vidraça, é simplesmente de rasgar a roupa.

O Pergamon fica na Museumsinsel, onde também funcionam o Altes Museum (“museu da antiguidade”, numa tradução trôpega, com boa coleção de peças arqueológicas da Grécia e da Magna Grécia), que tem uma simpática colunata voltada para o Lustagarten, jardim onde eu sempre aproveitava para relaxar nas espreguiçadeiras espalhadas à sombra, e a Alte Nationalgalerie (pinturas e esculturas europeias do Século 19).

O meu museu favorito, porém, é a Gemäldegalerie, com suas 4.500 (dizem...) telas. É tanta, mas taaaanta beleza que tem uma hora que a gente começa a ficar meio tonta. Vou destacar só três: Cupido Vencedor, de Caravaggio, O Copo de Vinho, de Vermeer, e uma Madona ao Luar, de autor desconhecido, simplesmente sublime.

O Lustgarten e a colunata do Altes Museum
Tem quadros que me deixam paralisada, me comovem até o vexame de ficar com os olhos marejados em público, incapaz de ir embora. Foi assim com Starry Night de Van Gogh, no MoMA de Nova Iorque. É assim com uma marina de Courbet, no Museu Nacional de Belas artes de Buenos Aires, e com O Boi na Floresta, de Tarsila do Amaral, no Museu de Arte Moderna da Bahia. Pois essa Madona ao Luar quase me fez soluçar.

Também super-hiper-recomendo uma vista ao Bauhaus-Archiv. Sou muito suspeita, porque sou macaca de auditório dessa escola de arquitetura e design (pra vocês terem uma ideia, eu estudei Jornalismo, mas cursei duas disciplinas na Faculdade de Arquitetura da UFBa só pelo prazer de conhecer um pouquinho mais sobre a Bauhaus). O museu exibe maquetes e projetos, móveis, fotografias e trabalhos de Walter Gropius, Paul Klee, Kandinsky e Mies van der Rohe, entre outros queridíssimos. Pra completar, tem uma lojinha no térreo, com objetos de design que é uma tentação...

Um museu bem interessante em Berlim é a Haus am Checkpoint Charlie (“a casa em Checkpoint Charlie”), também chamado de Mauermuseum (Museu do Muro), onde estão expostos documentos sobre as milhares de tentativas de escapar da antiga Berlim Oriental e lembranças das 1303 e três pessoas mortas nesse intento. Até um mini-submarino foi usado numa fuga.

O famoso Checkpont Charlie, antigo posto de controle da travessia entre Berlim Ocidental e Berlim Oriental. Logo em frente fica o Museu do Muro (à direita)
Endereços, horários e preços
Gemäldegalerie 
Matthäikirchplatz, perto do metrô Potsdamerplatz, de terça a domingo, das 10h às 18h (quintas até as 22h). Entrada €8.A galeria tem uma cafeteria envidraçada muito simpática e com comidinhas bacanas. Bom lugar para umas paradinhas estratégicas, pois o acervo não merecer ser visto de um fôlego só. A beleza também satura e é preciso fazer pausas para voltar ao encantamento.


Museuminsel
O Pergamonmuseum, a Alte Nationalgalerie e o Altes Museum abrem diariamente, das 10h às 18 (às quintas, até as 22h). A entrada combinada para vê-los custa 14 euros. Vale a pena, pois pagas individualmente custariam 26 Euros.

Pergamonmuseum 
Am Kupfergraben 5, Museumsinsel, Mitte. Entrada 10 euros.

Alte Nationalgalerie 
Bodestraße 1, Museumsinsel. Entrada 8 euros.

Altes Museum 
Museumsinsel Am Lustgarten. Entrada 8 euros.

Bauhaus-Archiv Museum für Gestaltung 
Klingelhöferstrasse 14 (perto de Kudamm e de Zooligicher Garten), das 10h às 17h (fecha às terças). Entrada: € 6.

Haus am Checkpoint Charlie 
Friedrichstraße, esquina com Zimmerstraße. Diariamente, das 9h às 22h. Entrada €12.50. O aluguel do audioguia custa €3.50 e é preciso pagar mais €1.00 por uma permissão para fotografar o interior do edifício e o acervo.

Participantes da blogagem coletiva #MuseumWeek da RBBV:

- Segredos de Londres (Deb) - Tate Modern, Londres
- Sol de Barcelona (Cristina Rosa) - Museu de História de Barcelona
- Cantinho da Ná (Cynara Viana) - Museu de História Natural de Viena
- Felipe, o pequeno viajante (Claudia Rodrigues) - Museu Botero, Bogotá, Colômbia
- Gosto e Pronto (Debora Godoy Segnini) - MASP
- Viaje com Pedro (Pedro Richardson) - Museum of Broken Relationships, Zagreb, Croácia
- Outside Brazil(Carina Iani) - Museum of Anthropology - Vancouver BC, Canadá
- Coleção (Luana Prazeires) - Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro
- Do RS para o Mundo (Andrea Almeida Barros) – Museus do Rio Grande do Sul
- Vida de Turista (Thiago Cesar Busarello) – Museu Nacional do Mar, São Francisco do Sul (SC)

- Brasil na Itália (Barbara Bueno) 4 museus italianos que fiquei com vontade de conhecer depois da #MuseumWeek
- O que vi do mundo (Carmem Lúcia ) - Museu Carnavalet, Paris
- Passeios Na Toscana (Deyse Oliveira Ribeiro) - Meus 3 museus preferidos em Florença, fora da rota turística
- Já fomos (Marcelo e Myriam Siquara) - Museu de História Natural de Washington D.C.
- London, Sô! (Luiza Ferrari) - Museus mais visitados deLondres (e gratuitos!)
- Café Viagem (Alexandra Aranovich) - Wynwood Walls, Miami Flórida 

Mais sobre Berlim 
Sugestões de passeios em Berlim

A Alemanha na Fragata Surprise:
Dresden
Lübeck


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5 comentários:

  1. Sem comentários de como fiquei babando aqui!!! Pô, Berlim é sacanagem!!! Estou mais do que louca pra ir pra lá!!! hehehe

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    1. Eu sou suspeita, Fernanda, porque amo Berlim descabeladamente. E o que mais gosto nos museus de lá é que eles são tão espetaculares quanto os mais espetaculares do planeta, mas nunca tem aquelas multidões gargalhantes... Acho que, por não serem tão famosos, ninguém os visita "por obrigação" :)

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  2. Oi Cyntia...sim, a gente postando e tu comemorando! kkkkk! Eu vi! :P Eu adorei o post! Já fui a Berlim e não tive tempo de ir em museus. O Museu Pergamon é o meu sonho de consumo. Estou louca para ver tudo que tem lá. Só que fico com um pouco de raivinha, pois os alemães e os ingleses são os maiores ladrões de obras de arte.
    Beijooooo! E adorei, como sempre!

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    1. Eu tenho meus momentos de querer gritar "Abaixo o Imperialismo!" nesses museus europeus que exibem tesouros de outros povos. A rapina que os exploradores de relíquias promoveram no planeta, até o Século 20, é inacreditável. O Peru levou 100 anos para receber de volta as milhares de peças retiradas por Bingham de Machu Picchu. A Grécia até hoje luta para receber os frisos do Parthenon de volta. Mas juro que nada disso interferiu no verdadeiro enlevo que foram as minhas visitas ao Pergamon. Acho que a beleza é um perigo, porque ela meio que arrefece algumas convicções :)

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  3. Oi Cynthia,
    Muito legal! Berlim é realmente um espetáculo em termos de cultura.
    Quando estive lá curti muito o museu da Stasi (perto do muro) e a Neue Nnationalgalerie.de arte moderna.
    Abraço,
    Deb

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