domingo, 13 de abril de 2014

Andaluzia: um passeio pelas muralhas de Cádiz

As muralhas de Cádiz foram declaradas
patrimônio da humanidade
 pela Unesco
Se o mundo fosse uma festa, a gente poderia dizer que Cádiz contemplou a passagem do tempo em uma mesa de pista. A pouco mais de 100 quilômetros do Estreito de Gibraltar, avançada sobre o mar, ela foi um senhor o camarote para quem quisesse observar o vai e vem de esquadras de guerra e frotas comerciais entre a Europa e a África e na rota entre o Atlântico e o Mediterrâneo. Essa posição estratégica, é claro, foi cobiçada por todas as civilizações que andaram pela região. Isso explica a onipresença das muralhas, bastiões e fortes, um sistema de defesas que dá a volta na cidade.

O tempo das invasões ficou para trás. Essas construções, hoje declaradas como patrimônio da humanidade pela Unesco, fazem parte do encanto de Cádiz e rendem passeios deliciosos, sempre na companhia das aves marinhas e do bater das ondas contra as fortificações. O melhor jeito de explorar as muralhas e fortificações de Cádiz é com o roteiro fornecido pelo escritório de turismo da cidade, com um mapa e explicações históricas. Eu fiz, adorei e conto tudo neste post.

A cidade vista do Castelo de San Sebastián. Essa passarela é o Paseo Fernando Quiñones, que liga o Castelo de San Sebastián ao continente. Ao fundo, à esquerda, a Praia de La Caleta

Cada conquistador que passou por Cádiz (cartagineses, romanos, visigodos e mouros, só para começar) deixou sua contribuição para a fortificação da cidade. Mas o complexo de defesas que vemos hoje começou a ser desenhado após a Reconquista cristã.


Para fazer o roteiro completo, basta passar no escritório de turismo da cidade, pegar o folheto caminhar no seu ritmo, seguindo a linha laranja pintada nas ruas da cidade, demarcando o itinerário. O ponto de partida é exatamente a sede do escritório, no Paseo de Canalejas, um parque muito agradável, em frente ao Porto Turístico.

O mar é indissociável da história de Cádiz
O Baluarte de Los Mártires, no Campo del Sur
Além da rota das muralhas, há outros três roteiros muito interessantes, cada um identificado por uma cor. O itinerário da cidade medieval é verde, o dos grandes armadores (donos das frotas marítimas que comerciavam com as colônias) é roxo e o da História da Constituição azul.

Eu segui todos esses roteiros e recomendo: é um jeito bacana de percorrer os principais pontos do Centro Histórico de Cádiz compreendendo o contexto de cada construção, aprendendo sobre a história da cidade e a nossa também. Afinal, Cádiz herdou de Sevilha o monopólio do comércio com as Américas, no Século 17 e muito da beleza que você vai ver por lá foi paga com o ouro, a prata e outras riquezas do nosso continente.

A entrada da Fortaleza de San Sebastián
 Passarela na Muralha Norte de San Sebastián,
 um tremendo mirante para o mar 
O Escritório de turismo também promove em grupo, com guias, por essas rotas. Infelizmente, fora do verão não há garantia de que haverá tour nos dias em que você estiver na cidade. Mas se tiver, não perca, porque são muito legais. Foi desse jeito que fiz o passeio pela Rota da Constituição Gaditana e achei muito legal, pois a guia que acompanhou minha turma era historiadora e excelente contadora de histórias.

Muralha Norte de San Sebastián
O roteiro das muralhas e fortes é longo, por isso resolvi dividi-lo em duas etapas. Comecei pela mais famosa entre as fortificações de Cádiz, a Fortaleza (castillo) de San Sebastián, do Século 18. Ela fica numa posição simplesmente espetacular, sobre um banco de areia em frente à única praia gaditana, La Caleta. É ligado à cidade por um caminho pavimentado em pedra, o Paseo Fernando Quiñones. São cerca de 500 metros de caminhada até lá, com o mar batendo dos dois lados da "passarela" — e o vento também.

O local do forte já era utilizado na defesa da cidade desde o tempo dos mouros, que instalaram uma torre de vigia no banco de areia. Fenícios e cartagineses teriam usado a ilhota para fins religiosos e acredita-se que antes do castelo a área abrigou um tempo do deus Moloch, a quem os devotos ofereciam sacrifícios de bebês (brrrr).

Praia de La Caleta e Fortaleza de Santa Catalina
Na outra ponta da praia de La Caleta, no bairro marinheiro de La Viña, fica a Fortaleza de Santa Catalina, do Século 16, construída por ordem do rei Felipe II, depois que os ingleses tentaram tomar Cádiz. Tem a forma de uma estrela de cinco pontas e está bem mais conservada que San Sebastián. Abriga uma capela do Século 17 e uma exposição permanente sobre a relação de Cádiz com o mar e as navegações.

Antes de entrar em Santa Catalina, preste atenção ao simpático Baleário de La Palma, do início do Século 20 e com uma carinha muito Belle Èpoque. Era aqui que os elegantes de Cádiz se reuniam para beber, fofocar, fechar negócios e, quem sabe, até tomar banho de mar. Hoje o local abriga o Centro de Arqueologia Subaquática da Andaluzia.

As Muralhas de San Carlos
 Na segunda etapa, comecei a caminhada na Plaza de España, onde está o Monumento à Constituição. Ao lado da praça, uma escadaria dá acesso às Muralhas de San Carlos, que têm uma vista maravilhosa para a Baía de Cádiz. De manhã cedinho, quase deserto e envolto na bruma, o antigo caminho percorrido pelas sentinelas que guardavam a cidade das embarcações inimigas é de uma beleza indescritível. 

De manhã cedo ou ao cair da tarde, as Muralhas de San Carlos viram uma pista de caminhada linda e cheia de história
As muralhas de San Carlos já chegaram a ter 90 canhões para a defesa da cidade. na parte baixa da fortificação ficavam os alojamentos, arsenal e paióis de pólvora
No passado, San Carlos chegou a ter 90 canhões defendendo a Baía de Cádiz e, sob o baluarte, no interior da muralha, havia paióis de pólvora e alojamentos para a guarnição. Hoje, o lugar é um dos queridinhos da cidade para caminhadas e corridas, especialmente no começo da manhã e no final da tarde. O caminho sobre a muralha leva até a bela Alameda de Apodaca, um parque elegante onde desde o Século 17 a elite gaditana costumava passear, abrigada do calor.

Fortaleza de La Candelária
Paseo de Apodaca
No final da Alameda, sobre o Cabo Chico, está o Baluarte de La Candelária, do Século 17, importante fortificação para a defesa da entrada do Porto de Cádiz. Hoje, o Baluarte foi convertido em espaço para exposições e concertos. 

Dicas práticas
Castelo de San Sebastián 
Playa La caleta s/n. Diariamente, das 9:30h às 20h. Entrada gratuita



Quando você for, especialmente se for na temporada de calor, leve seu suprimento de água e capriche no protetor solar, pois não há sombra nem qualquer estrutura tipo lanchonete lá dentro — há uma taberna no começo do Paseo Fernando Quiñones e só. As construções foram estabilizadas e restauradas recentemente, mas a principal atração do lugar é o mirante espetacular, debruçado sobre a Baía de Cádiz, construído na parte Norte da Muralha.

Castelo de Santa Catalina 
Playa La Caleta s/n. Diariamente, das 11h às 19:30h (até às 20:30, no verão)

Entrada da Fortaleza de Santa Catalina
Escritório de Turismo de Cádiz 
(Delegación Municipal de Turismo) - Paseo de Canalejas s/n (a melhor referência é a Avenida León de Carranza, esquina com Calle Cristobal Colón).


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