quarta-feira, 5 de março de 2014

Desvendando Sevilha:
A Catedral de la Giralda

La Giralda: "Para que nos achem loucos"
Quando a gente pensa em Sevilha, a primeira coisa que vem à cabeça é a famosa Catedral, com sua Torre de La Giralda, que parece pairar sobre todo o centro antigo da cidade — eu quase não precisava de mapa para me orientar, bastava olhar para cima e localizá-la.

O templo começou a ser construído no comecinho do Século 15, sobre a planta da antiga mesquita da Alfama. Dizem que o deão que comandou a construção queria “um templo tal que os que o virem achem que somos loucos”.

O interior da Catedral: ruptura radical com a escala humana 
Loucos, não sei. Opulentos, com certeza. Por fora, o edifício é lindo, mas não chega a impactar tanto — talvez culpa da vizinhança, repleta de espetáculos, como o Real Alcázar. É no interior do tempo que a gente sente seu efeito acachapante.

A vertigem resulta muito mais da ruptura radical com a escala humana do que da profusão de adornos — e olha que o que não falta são detalhes riquíssimos nas capelas, no Coro monumental e no arrebatador Altar Mor, um labirinto de entalhes cobertos de ouro.

À noite, a catedral fica ainda mais impressionante com sua iluminação cênica dominando a praça
O mais avassalador na Catedral de Sevilha é que seus construtores levaram muito a sério o cânone gótico, onde as proporções dos templos eram pensadas exatamente para apequenar os humanos diante do divino — uma forma, talvez, de derramar sobre eles o “peso de Deus”....

(Já contei aqui que essa catedral foi, por mais de um século, a maior igreja da cristandade, até ser sobrepujado pela Basílica de São Pedro, em Roma, e pela Catedral de Saint Paul, em Londres).

A porta de acesso ao Pátio dos Naranjos é um tremendo cartão de visitas. À esquerda, uma das fontes do pátio
A Torre da Giralda , antigo minarete da mesquita moura
Se a imponência da Catedral é cristã, seu encanto é todo muçulmano. O que a torna singular é a herança moura que persiste na Torre da Giralda e no Pátio de los Naranjos.

A torre é o antigo minarete da mesquita do Século 12, convertido em campanário. Até o topo, são 105 metros, alcançados por 35 rampas e 17 degraus (sim, eu contei). A subida até que é camarada para o turista, mas eu fico imaginando como era para o muezim, obrigado a fazer o percurso cinco vezes por dia e ainda chegar lá em cima com fôlego para chamar os fiéis para as orações...


O Patio de Los Naranjos (esq) e a cidade vistos do alto da torre
O Pátio de Los Naranjos é apaixonante, uma placidez pontuada por fontes e laranjeiras carregadas de frutos. Era lá que os frequentadores da antiga mesquita se lavavam antes das orações. Hoje, ele é acessível apenas a quem paga ingresso para ver a Catedral (de fora, dá para dar uma espiadinha pela linda Porta dos Perdões).

No Século 17, época de ouro de Sevilha, o pátio era uma área das mais profanas da cidade, um enxame de batedores de carteira, espadachins de aluguel e outros profissionais do escuso, que aproveitavam a localização central para fazer negócios, sem risco de cair nas mãos das forças da lei – naquela época, ninguém era preso em solo sagrado.

A sombra da Giralda sobre Sevilha
Aliás, a imponência da Catedral jamais intimidou os sevilhanos daqueles tempos. O templo era parte da vida cotidiana, espaço em constante ebulição e sede de atividades que nada tinham a ver com o divino. Era lá que a cidade fechava negócios, selava alianças e se inteirava das notícias que chegavam com as embarcações.

As escadas que cercam o edifício foram, ao longo de séculos, o Mentidero de Sevilha, essa típica instituição espanhola, um ponto de encontro aonde acorriam as pessoas para saber das novidades — pra facilitar, o mentidero era a rede social daqueles tempos.

Um dos portais da catedral
A rica decoração no interior da catedral 
O túmulo de Colombo e um altar da catedral
Nos dias em que estive na cidade, a Catedral de Sevilha parecia estar permanentemente sitiada pelos turistas. No horário de inverno, as visitas começam às 11 horas, mas desde as 10 a fila já se espichava bem além da Puerta del Príncipe (construída na última grande reforma do templo, na segunda metade do Século 19), onde funcionam a bilheteria e a entrada de visitantes.

Confesso que contemplar aquela multidão me fez adiar por alguns dias a visita à Catedral, mas, acredite, a multidão parece que some, lá dentro, na imensidão das naves.



O único ponto onde se percebe maior aglomeração é em torno do túmulo de Colombo, uma alegoria onde quatro "gigantes" (representação dos reinos de Castela, Leão, Aragão e Navarra) carregam o ataúde do navegador.

Há uma certa controvérsia sobre se os restos que repousam aí são mesmo do descobridor das Américas, mas o público não quer saber e todo mundo se acotovela em busca da melhor posição para posar para as fotos. Para chegar até lá, basta seguir os flashes que insistem em pipocar, apesar de proibidos.

As portas do Príncipe (esq), a entrada dos visitantes, e dos Naranjos, de acesso ao pátio
Catedral de Sevilha
Plaza del Triunfo. Segundas, das 11h às 15:30h. De terça a sábado, das 11h às 17h. Domingos, das 14:30h às 18h. Em julho e agosto, os horários mudam: segundas, das 09:30h às 14:30h, de terça a sábado, das 9:30h às 16h e domingos das 14:30h às 18h. Entrada 8 €. A subida à Torre da Giralda está incluída da entrada. Nas temporadas mais fervidas, evite a fila da bilheteria comprando seu ingresso pela internet.   


Veja mais imagens de Sevilha na página da Fragata Surprise no Facebook

Granada




A Espanha na Fragata Surprise

Curtiu este post? Deixe seu comentário na caixinha abaixo. Sua participação ajuda a melhorar e a dar vida ao blog. Se tiver alguma dúvida, eu respondo rapidinho. Por favor, não poste propaganda ou links, pois esse tipo de publicação vai direto para a caixa de spam.
Navegue com a Fragata Surprise 
Twitter     Instagram    Facebook    Google+

Nenhum comentário:

Postar um comentário