domingo, 27 de outubro de 2013

Vila Velha, a cidade de pedra

A Taça, a formação arenítica mais conhecida do Parque:
minha coleção de selos em 3D
Quando eu tinha uns seis ou sete anos, comecei uma coleção de selos com as estampas que chegavam na correspondência da família. Um dos selos que eu mais gostava era o que trazia, gravada em tons de ocre, uma imagem semelhante a uma taça, com uma singela identificação: “Vila Velha – Paraná”.

Gostava tanto que acabei ganhando um livro que explicava a formação geológica do lugar (o texto era para crianças, mas na época parecia tão grego quanto a origem da palavra "geologia") e do qual me ficou na memória a promessa de uma sensação de “contemplar as muralhas e torres de uma cidade medieval”.

Foi o que bastou para a minha imaginação já tratar de povoar o lugar com as princesas, bruxas e heróis protocolares e anotar Vila Velha no meu caderninho de “viagens que farei um dia”. Finalmente, aconteceu!

Hoje os visitantes precisam se limitar às trilhas. Não é mais permitido circular entre os arenitos
Mas foi necessário quase meio século para que eu finalmente me visse cara a cara com a minha antiga estampa de selo favorita. Não havia reis nem donzelas em perigo na "cidade de pedra": era só a minha coleção de selos, há muito esquecida, saltando do fundo do baú e se apresentando em 3D, para meu deleite.

Visitei o Parque há cerca de duas semanas, exatamente quando ele se preparava para comemorar seus 60 anos de existência. Os passeios oferecidos (sempre com guia) contemplam as três atrações da área: as Furnas, cavernas formadas pela erosão do solo, a Lagoa Dourada e os Arenitos.

Furna 1, a maior das cavernas do Parque
Apesar da fama, as furnas não me comoveram muito. A maior delas tem cerca de 100 metros de profundidade, metade dos quais estão cobertos pela água.

Antes da reforma do parque, um elevador levava os visitantes à parte mais baixa do buracão, mas a engenhoca mostrou-se muito incorreta, do ponto de vista ambiental, não só por ser movida por um motor a diesel altamente poluente, mas pela trepidação que provocava na parede arenítica da caverna. O jeito, agora, é contemplar o abismo cá de cima.

Essas "torres" parecem estar namorando...
O que eu curti mesmo foi ver de perto as formações areníticas do parque, que chegam aos 30 metros de altura. É mesmo muito fácil confundi-las com as ruínas de uma cidadela medieval no traçado de muralhas, bastiões e ameias que elas sugerem. O maior sucesso entre os turistas, porém, são as formas de bichos, como "O Camelo" e um talhado bem parecido com garrafas de Coca Cola em um dos paredões.

Comparado com o Cânion de Xingó, outro parque arenítico famoso aqui no Brasil, Vila Velha é menos grandiosa. Os paredões de Xingó, talvez por formarem uma garganta estreita cortada pelo Rio São Francisco, tem um efeito mais imponente. Mas Vila Velha também tem seus encantos, especialmente porque as trilhas passam bem pertinho dos paredões.

A circulação em Vila Velha é sempre em micro-ônibus próprios do parque, na companhia de guias
São cerca de dois quilômetros de caminhada. Primeiro, é como se estivéssemos contornando as "muralhas" pelo "lado de fora". Aos pouquinhos, a gente vai se embrenhando nessa "cidade perdida", adivinhando suas "torres", "construções" e pequenos "pátios" onde a vegetação dá um refresco para o sol escaldante e é possível parar e curtir a sombra. Imagino que com a inauguração das vistas noturnas, esse seja um programa muito bacana à luz da lua cheia. 

Quando você for, reserve pelo menos três horas para ver tudo com calma.

As muralhas e torres de um castelo...
E sabem o que é mais divertido nisso tudo? É que que os Correios acabam de lançar um novo selo em homenagem aos 60 anos do Parque, com uma imagem estilizada da Taça. Não é tão bonito quanto o antigo, mas quem sabe eu não aproveito a deixa para começar uma nova coleção?

Dicas práticas

O Parque Estadual de Vila Velha foi criado em 1953 e tem pouco mais de três mil hectares. Até 2001, a área era muito procurada por moradores de Ponta Grossa e região para piqueniques e churrascos dominicais. Até então, a circulação era livre e todos os visitantes tinham direito a fotos sobre os famosos arenitos.


Entre 2001 e 2004, o parque foi fechado para uma revisão radical de seu plano de manejo e hoje as visitas precisam se limitar às trilhas que contornam as formações areníticas.

Também foi estabelecido um número máximo de 800 visitantes por dia (chegue cedo, portanto, e de quebra ganhe a melhor luz para as fotos) que circulam em grupos, acompanhados por guias.

Os deslocamentos entre a área dos arenitos, a Lagoa Dourada e as furnas é feito em micro-ônibus do próprio Parque. Outra consequência da política mais rígida de conservação é o crescimento da vegetação nativa, que em alguns pontos chega a esconder os arenitos.

Onde fica
O Parque Estadual de Vila Velha fica ao lado da BR-376, a Rodovia do Café, na altura do Km 515. De Ponta Grossa até lá são 18 km. De Curitiba, são 126 km.

O Camelo
Visitação
De quarta a segunda, das 8h às 17:30h (a bilheteria fecha às 15:30h). Fechado às terças-feiras, para manutenção. A entrada para as três atrações (Furnas, Arenitos e Lagoa Dourada) custa R$ 18 para brasileiros e R$ 25 para estrangeiros.

Para ver só os arenitos, o valor do ingresso é de R$ 10 (R$ 15 para estrangeiros). Se quiser ver só a Lagoa Dourada e as Furnas, o preço é de R$ 8 (R$ 10 para estrangeiros). Estudantes e moradores da região pagam meia. Crianças com menos de seis anos, idosos e pessoas com necessidades especiais não pagam entrada. 

Logo na chegada, os visitantes são convidados a assistir um vídeo de 10 minutos sobre a origem dos arenitos e com instruções gerais sobre segurança e cuidados ambientais que devem ser tomados ao longo das trilhas. Assista e obedeça às regras, para ajudar na preservação do local.


Como chegar
O jeito mais fácil é de carro, tanto para quem vem de Curitiba (90 km) quanto para quem vai até Ponta Grossa (23 km). Há uma ampla área de estacionamento, ao lado do centro de visitantes.

Se preferir usar o transporte público, a linha Curitiba-Ponta Grossa da empresa Expresso Princesa dos Campos passa bem ao lado do Parque, no trajeto entre as duas cidades e tem diversos horários, a partir das 6 da manhã. A passagem no ônibus comum custa R$ 29 e a do executivo (menos frequente) custa R$ 36. O trajeto é feito em cerca de duas horas.

Do Centro de Ponta Grossa, no Terminal de Oficinas, também há transporte público regular para o Parque. Cheque os horários com a Fundação Municipal de Turismo, pelos telefones 42-3901-1607/ 1603/1601, ou com a Viação Campos Gerais, empresa que opera o serviço. A passagem custa R$ 2,60.
O elevador da Furna 1, hoje desativado
Onde comer
O centro de visitantes tem uma lanchonete, mas se você pretende fazer o passeio com mais calma, pense em levar um farnelzinho. Só fique esperto porque é proibido comer durante a visita e você precisará procurar uma área apropriada para isso.

E não esqueça de levar uma boa provisão de água, pois não há muita sombra disponível as longo das trilhas.


Onde ficar
Hotel Planalto Ponta Grossa- Rua Sete de Setembro nº 652, Centro. É um hotel tradicionalíssimo na cidade, com um século de idade. Foi recentemente reformado e está com cara de novo. Tem 66 apartamentos básicos, mas confortáveis, com ar condicionado, TV de tela plana e canais a cabo, secador de cabelo e WiFi bem rapidinho.

Durante a semana, é um hotel voltado para executivos que passam pela cidade a negócios. As diárias no apartamento duplo custam R$ 186. Tem um restaurante bem reputado na cidade que serve um variado café colonial. Eu adorei o munguzá ("canjica", para os não-baianos) servido no bufê.

Hospedagem comentada – índice reúne todos os posts sobre o tema publicados no blog

Visitei Vila Velha e fiquei hospedada no Hotel Planalto a convite da Cooptur - Cooperativa de Turismo do Paraná, como parte de uma presstrip de cinco dias pelo interior do estado, na segunda semana de outubro. A Cooperativa oferece diferentes roteiros para o Parque, que podem ser consultados pelo telefone (42)3231-2241. O passeio foi a convite, mas as opiniões expressas neste post refletem as minhas opiniões e experiências ao longo da viagem.




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