domingo, 15 de setembro de 2013

Bath, a musa do verão

Harmônica, simétrica e um escândalo de bonita. Você vai cair de amores por Bath
No Século 18, era o máximo passar o verão em Bath. Harmônica, simétrica e marcada por curvas — de seu rio, de suas colinas e de sua arquitetura — a cidade era sinônimo de elegância e de vida social intensa, um lugar para ver e ser visto — e, quem sabe, caçar um bom partido ou cair nas graças do poderoso da ocasião.

O tempo passa e já devem ser raros os que vão até Bath em busca de casamento ou pistolão, mas os encantos da cidade continuam todos lá, prontinhos para arrebatar o visitante do Século 21.

The Royal Crescent, considerado um dos exemplos mais importantes da arquitetura georgiana. O semi-círculo de fachadas rigorosamente idênticas continua sendo o endereço mais chique de Bath. Fica em frente ao agradável Victoria Park (abaixo)

A história de Bath começou muito antes que os salões elegantes descritos nos romances de Jane Austen começassem a se mudar para lá nas temporadas de verão e inverno. Célebre por suas águas termais louvadas pelos romanos e obrigatória para os reis da idade média, o local já era conhecido pelos celtas — os mesmos que esculpiam cavalos nas colinas próximas.

The Circus. E além de tudo, é ótimo deitar nessa graminha

A cidade tem construções famosas, como as Termas Romanas, do Século 1º,  e a Abadia, erguida no Século 7º. Mas a marca mais forte de Bath é mesmo a arquitetura georgiana (Séculos 18 e 19), que abrigou algumas cenas inesquecíveis da literatura, como os momentos decisivos de Persuasion, meu livro preferido de Jane Austen.

Bonita, elegante e impecavelmente ordenada, essa face de Bath parece refletir as características preconizadas para as heroínas literárias da época. A gente até fica na duvida se, mais que mera locação, não seria a cidade a verdadeira musa dessas peripécias românticas.

Detalhe das fachadas de The Circus
Por toda parte reina uma harmonia quase obsessiva. São ruas inteiras com fachadas rigorosamente iguais, como num jogo de espelhos onde apenas os pequenos detalhes — a renda de uma cortina ou as cores em uma floreira — distinguem uma casa da outra.

Talhada em pedra clara, que atrai e abraça a luz do sol, essa uniformidade quase faz a gente andar na ponta dos pés para não perturbar esse equilíbrio.

O mais impressionante desses conjuntos é o Royal Crescent, uma meia lua imponente, aberta para o verde do Victoria Park e endereço mais chique da cidade desde o tempo em que os reis se chamavam George.

Pulteney Street
A simetria e a uniformidade repetem-se por toda parte. Na decana Queen Square, de 1725, mais antigo conjunto georgiano da cidade, passando pelo círculo perfeito de The Circus (um círculo perfeito de fachadas idênticas, em torno de um jardim), pela curva do Paragon, menos aristocrático, e pela preciosa Pulteney Street, onde um imóvel não custa menos que um milhão de Libras.

Mesmo os endereços anônimos estão impregnados por esse  encantado e pela delicadeza das linhas discretas. É como se os velhos conjuntos habitacionais do Bloco Soviético tivessem aprendido a essência da leveza em aulas do Bolshoi para receber os visitantes. 

The Paragon: Jane Austen morou aqui, na casa de um tio, no nº 14
Fiquei completamente apaixonada por Bath e vou falar bastante dela nos próximos posts, inclusive de todos os cartões postais da cidade que você deve estar estranhando por não terem aparecido aqui . Por enquanto, fique com algumas dicas práticas para começar a planejar sua viagem para lá.

Dicas práticas

Além de muita história e bela arquitetura, Bath tem áreas verdes deliciosas, como Parade Green, às margens do Rio Avon
Bath é um destino popular das excursões bate e volta que partem de Londres, mas, sinceramente, acho que essa opção deve ser bem frustrante.

Há muito para ver na cidade e vale a pena ficar mais um pouco. Eu, por exemplo, cheguei para passar uma noite e, de cara, resolvi esticar para duas. Reserve pelo menos dois dias inteiros para a cidade, para poder explorá-la com calma e aproveitar as termas.

O jardim central de The Circus
Bath também pode ser uma ótima base para passeios bate e volta para atrações próximas, como Salsbury e sua bela catedral, Stonehenge e Glastonbury, famosa pelas ruínas de sua abadia e velhas lendas druídicas.

A cidade é feita para ser percorrida a pé, pois embora não seja exatamente plana, tem um relevo bastante suave — e essa é a melhor maneira de descobrir a beleza de sua arquitetura.

Bath também tem muitas áreas verdes deliciosas (com a grama mais fofa e confortável que já encontrei na vida), como o Parade Park, no centro, que tem a curiosa característica de cobrar entrada (£1,20), e o Sidney Park, no final de Pulteney Street.

O rio que corta a cidade é um dos nove
chamados Avon em terras britânicas
Um jeito simpático de explorar esse lado mais verde da cidade é embarcar num passeio pelo Rio Avon nos barcos que partem do ancoradouro ao lado de Pultney Bridge.

Não espere vistas muito retumbantes ao longo do percurso. Apenas a tranquilidade e o silêncio de um dos rios mais limpos da Inglaterra, como orgulhosamente anunciarão os barqueiros. Eles também tratarão de explicar que esse não é o mesmo curso d’água que corta a cidade natal de Shakespeare, Stratford-Upon-Avon, apenas um dos seus oito xarás. É que “avon”, na antiga língua bretã, significa “rio”.

O River Walk, perfeito para ouvir o silêncio e esquecer da vida

Como chegar a Bath

Bath está a 190 quilômetros a Oeste de Londres, no condado de Somerset. A viagem de trem, partindo da Estação de Padington, dura cerca de uma hora e meia.

Vale muito a pena comprar o bilhete com antecedência, pois a variação de preço é brutal. Só para dar uma ideia, a passagem Londres-Bath Spa (este é o nome da estação da cidade) para esta segunda-feira, 17/09, comprada hoje, custaria £40,50. Para a mesma data, em outubro, custaria £17,20.

Eu cheguei a Bath vinda de Winchester, uma viagem de cerca de uma hora. 


Onde de hospedar em Bath
No verão, vale o alerta: programe sua hospedagem com antecedência, pois a cidade é bem concorrida.

Cheguei com reserva apenas para a uma noite. Como resolvi ficar mais um pouco, tive que trocar de hotel, pois já não havia vaga para uma segunda noite no meu primeiro alojamento.

Fiquei hospedada no Best Western Abbey e, depois, no Parade Guesthouse. Siga o link no título do post para ver minha avaliação sobre essas acomodações.

Todas as postagens sobre hotéis, pousadas e hostels publicadas no blog estão organizadas no índice Hospedagem comentada.

Mais sobre Bath

A Inglaterra na Fragata Surprise

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5 comentários:

  1. Bath é linda demais! Eu fiz um desses bate-volta de Londres e naquele caso não tinha como tirar 1 noite da cidade, já que era a 1a vez e uma semana em Londres é pouco tempo. Mas para uma próxima viagem, com certeza quero ficar + tempo em Bath!

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    Respostas
    1. Eu também pretendo voltar, Fernanda. Fiquei apaixonada pela cidade. Só não desisti de ir embora porque estava a caminho de Liverpool :)

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  2. Oi, Conthya. Tudo bem? :)

    Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem.

    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Natalie - Boia

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  3. Deve ser linda. Anotado.
    Bjs Claudia

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