domingo, 18 de agosto de 2013

Liverpool:
3 programas obrigatórios
para beatlemaníacos

Forever...
Do velho orfanato mantido pelo Exército da Salvação, resta apenas o portão de ferro (na verdade, uma réplica). A casa, uma mansão gótico-vitoriana que devia emprestar tons verdadeiramente dickensianos à vida das crianças ali acolhidas, foi demolida nos Anos 70. 

Diante do terreno quase baldio, do outro lado da grade, a gente entende a força da canção. Só mesmo o gênio de John Lennon para nos deixar com um nó na garganta contemplando algo que, de fato, é quase nada. 

Strawberry Field, no singular (o plural é arte de John), fica em Beaconsfield Road, uma transversal da Menlove Avenue, onde está Mendips, o número 251, onde John viveu por 18 anos. No jardim dos fundos de Mendips, John adorava bisbilhotar o orfanato, de sua casa na árvore ("No one I think is in my tree") e era repreendido pela Tia Mimi, afirmando que ele poderia até ser enforcado por isso, embora ele soubesse que isso era apenas força de expressão ("Nothing to get hung about"). 

Mendips, no nº 251 de Menlove Avenue. A janela menor, no primeiro andar, é a do quarto de John. No pórtico envidraçado da entrada, ele e Paul ensaiavam, um pouco pela acústica, um pouco por exigência de Mimi, que não suportava o barulho. A placa azul registra que Lennon viveu nesta casa de 1945 a  1963. A distinção do National Trust só é conferida a personalidades mortas há mais de 20 anos  e essa é a parte triste da história
São apenas seiscentos metros de caminhada entre Mendips e Strawberry Field. Ou menos, se, como John, pularmos os muros dos vizinhos para cortar caminho. Quando criança, John adorava participar das festas de verão do orfanato, com apresentações da banda do Exército da Salvação. Adolescente, chegou a tocar nos jardins da instituição com os Quarrymen. 

Depois da demolição da mansão vitoriana, uma casa mais moderna chegou a ser construída no local, com a mesma finalidade, mas foi desativada e também demolida em 2005. O terreno, hoje uma frondosa mata, vai abrigar em breve uma escola para crianças com necessidades especiais.

O Cavern Club original foi demolido em 1973, 
para uma obra do metrô, apesar dos protestos. 
O clube atual funciona num porão igualzinho, 
com shows ao vivo, todos os dias, a partir das 10h da manhã
Mas é claro que os visitantes parados em frente aos portões vermelhos não estão contemplando o Strawberry Field concreto. ("Nothing is real", lembra?). Estamos parados, embasbacados e comovidos diante de Strawberry FieldS, o lugar mágico. E foi essa a sensação que me acompanhou o tempo todo em Liverpool, na mais importante e impactante das tantas jornadas sentimentais que tenho feito por aí.

Se você gosta só um pouquinho dos Beatles (é, tem gente assim. E ouvi dizer até que tem gente que não gosta nadinha, embora eu não faça a menor ideia de quem seja esse ET) não espere para ir a Liverpool. E, quando for, aproveite as três dicas a seguir em sua jornada sentimental.


Arnold Grove nº 12, a casinha simples da Família Harrison. 
Um casal, quatro filhos e dois dormitórios

Magical Mistery Tour
Diariamente, às 11:30h e às 14 horas. Partidas das Albert Docks, ao lado do museu The Beatles Story


Em períodos mais concorridos, são oferecidos mais horários, mas convém comprar com antecedência. Os bilhetes custam £15,95 para um roteiro de duas horas por locais relacionados à história da banda. Alguns deles, você verá pela janelinha do ônibus, como as casas em que Ringo viveu, Mendips (a casa de Tia Mimi, onde Jonh passou a maior parte da vida) e trechos de Penny Lane citados na canção (o salão de barbeiro, o quartel do corpo de bombeiros e o abrigo).

Há paradas na casa das famílias Harrison e McCartney, no comecinho de Penny Lane e em Strawberry Field. 



Da janelinha do ônibus do Magical Mistery Tour, 
isso foi tudo que deu para fotografar 
da rua onde Ringo viveu,
 a partir dos três anos. 
A casa é branca com detalhes em rosa
Francamente, achei o tour meio frustrante, em alguns momentos — queria muito ter parado em Woolton para visitar o pátio da Casa Paroquial da Saint Peter Church, onde John e Paul foram apresentados por Ivan Vaughan, por exemplo.

Mas é uma boa introdução aos locais importantes na história dos meninos e, se tivesse tido tempo, teria voltado a vários deles sozinha. O guia que acompanhou meu grupo era tão beatlemaníaco quanto eu e tinha historinhas bem saborosas para contar (nenhuma novidade trepidante, para quem leu praticamente tudo publicado sobre os FabFour...). Apesar desses pequenos percalços, é programa obrigatório para beatlemaníacos.

O roteiro termina no Cavern Club, que funciona das 10h à meia noite (ou mais além, se a galera estiver animada) com música ao vivo (adivinhem o repertório, rsss).

No Cavern, pela primeira vez em tantos 
anos de viagens solo (que eu adoro), 
eu quis muito que todos os meus amigos 
estivessem lá comigo. 
Teria sido uma farra épica
Visita às casas de John e Paul 
Tour do National Trust
Os McCartney mudaram-se para Forthlin Road nº 20 quando Paul tinha 13 anos. Mary, a mãe, estava encantada com a nova casa, maior e numa "vizinhança melhor" do que Speke, onde viviam. O imóvel era do governo, que cobrava uma espécie de "aluguel social". A felicidade da família durou pouco. Um ano depois da mudança, Mary, enfermeira, morreria de câncer de mama
Este é O Roteiro. Absolutamente imperdível. O National Trust (o instituto do patrimônio histórico Britânico) administra as antigas casas de Paul e de John (esta, comprada por Yoko em 2001 e doada ao Estado) e oferece o único tour que dá acesso ao interior das residências, que permanecem muito fiéis à aparência que tinham quando os meninos moravam nelas -- o cuidado com isso é tanto que a instituição convenceu um dos antigos vizinhos de Paul a fornecer uma janela original da casa, que havia sido trocada pelo antigo morador do imóvel antes ocupado pelos McCartney.

A mobília das casas não é original, mas foi escolhida com base em fotos e depoimentos. Em Mendips e em Forthlin Road estão expostos documentos e outras recordações doadas pelas famílias. Na casa de Paul, estão diversas fotos do cotidiano doméstico, clicadas por seu irmão, Michael, que além de ter sido baterista dos Scaffold, é fotógrafo profissional.

A visita às duas casas é absolutamente arrebatadora (várias vezes eu tive que por os óculos escuros, para não ser vista lacrimejando). As guias do National Trust são super competentes e contam ótimas histórias (para quem não entende inglês, são oferecidos roteiro impressos, com a descrição de cada cômodo e algumas curiosidades, em diversos idiomas, inclusive português). É proibido fotografar o interior das casas. 

 É absolutamente indispensável comprar o bilhete para esse tour com antecedência. Ele é oferecido apenas de quarta a domingo, em quatro horários, de março a outubro (10h, 11h e 14:15h, saindo do Jurys Inn Hotel, na Albert Dock e às 15 horas, saindo de Speke Hall).

Na baixa estação, só são realizados os roteiros partindo do Jurys Inn. E atenção na hora de agendar a viagem, pois essa programação é interrompida no final de novembro e só é retomada no final de fevereiro. Os tickets podem e devem ser comprados pela internet. (foi como comprei o meu, em maio, para viajar em agosto) e custam  £20 para adultos e £8 para crianças.

Compre seu ingresso aqui: National Trust Beatles Childhood Homes Tour.


The Beatles Story
Albert Dock, diariamente das 9h às 19 (de novembro a março, só das 10 às 18h). 

O "museu dos Beatles", na Albert Dock
Taí um museu muito, muito legal, que escalou meu hit parade museológico como um cometa. Quem passou a adolescência lendo e relendo a clássica biografia autorizada dos Beatles, escrita por Hunter Davies em 1968, vai reconhecer de cara cada uma das etapas do roteiro da exposição.

Estão lá os tempos difíceis da guerra, quando os meninos nasceram, o célebre encontro de John e Paul na feira da Paróquia de Woolton, o Casbah Club, da mãe de Pete Best (primeiro baterista da banda), a doideira das temporadas em Hamburgo, a NEMS Enterprise, loja de discos de Brian Epstein, a redação do jornal Mersey Beat...

Puro deleite. Adorei a réplica do Cavern Club e o Yellow Submarine, chorei feito uma bezerra diante do piano de John, na sala Imagine e, claro, voltei no dia seguinte, para delirar tudo outra vez (o ingresso vale para dois dias).

Os ingressos "premium" custam £15,95 e dão direito a um audioguia com explicações bem bacaninhas (com opção de português do Brasil!) e também às exposições Elvis and Us (no Museum of Liverpool) e ao cinema Fab4 D. Para ver só a exposição dos Beatles e o cinema, os tíquetes custam  £12,95. Dá para comprar pela internet, mas não é essencial.

O piano e a guitarra de John Lennon expostos no Museu dos Beatles, em Liverpool
Momento lágrimas: a sala Imagine no museu dos Beatles

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Outras opções (que eu não testei, mas chequei)

Quem estiver em grupo, pode contratar um tour com os táxis especializados (The Beatles Fab Four Taxi Tour), que têm roteiros de duas horas (£45) a cinco horas (£105). Os preços são por táxi, que comportam até cinco passageiros.

E os que estiverem montados na nota podem contratar um tour privado, como A Day in The Life (8 horas, £98 por pessoa)

Para quem vai só fazer um bate e volta a partir de Londres, vale consultar os preços e as programações dos pacotes anunciados na página do Cavern Club

Na casa de Paul:
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A Inglaterra na Fragata Surprise
Bath


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5 comentários:

  1. Cara Cyntia, que relato magnífico, e emocionante. Já incluí Liverpool nos meus destinos obrigatórios quando voltar à Inglaterra. E acho que também chorarei como um bezerro na frente daquele piano branco. Um bjão, Carlos Mantô

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    Respostas
    1. Ah, Mantô, todo mundo merece ir a Liverpool. Estou emocionada até agora...

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  2. Sensacional o seu post!! Chego à Liverpool daqui uma semana, e vc me ajudou demais!!

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    1. Obrigada, Thiago. Tenho certeza que você vai amar Liverpool. Abraço e boa viagem.

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  3. Excelente seu texto.... estou aqui em liverpool nesse momento me guiando por ele, e claro emocionadissima! Beijo grande

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