sábado, 11 de maio de 2013

Otavalo: bela paisagem e muita tradição

As otavaleñas fazem questão de usar seus trajes tradicionais...
Cerca de 100 quilômetros ao Norte de Quito, Otavalo é uma das atrações mais conhecidas do Equador, graças a sua feira, realizada todos os sábados. É nesse imenso mercado, que se esparrama pela cidade, que gente de todas as partes da região de Imbabura vem vender sua produção de artesanato, tecidos, tapetes, animais vivos e a colheita da época.


.. e posam para as fotos com orgulho de sua elegância
Como meu voo saía de Quito no sábado de manhãzinha, não deu para ver o mercado de Otavalo a mil por hora. Decidi ir até lá assim mesmo, no feriado do Dia do Trabalhador.

Contratei um táxi indicado pelo hotel e pé na estrada — que, aliás, é uma atração a parte: entre Quito e Tabacundo, são mais de 60 quilômetros de curvas estonteantes entre as montanhas, fora o vertiginoso sobe e desce, entre cumes e vales. É o tipo de estrada (um trecho da Rodovia Panamericana) que faz a gente ficar feliz por ter decidido não alugar um carro e confiar na perícia de quem conhece o serpenteio da rota.

Esse sinal cheio de curvas aí no cantinho direito da foto não é enfeite, não. Entre Quito e Tabacundo, a estrada é para quem tem nervos de aço
A decoração dos caminhões é uma das atrações da estrada
Fora do burburinho do dia de feira, o mercado de Otavalo não é muito diferente dos muitos mercados andinos armados para deleite dos turistas: o artesanato é muito parecido, inclusive nos desenhos dos tecidos de lã, aos que vemos no Peru e na Bolívia. Interessante, mesmo, é conversar com s pessoas, principalmente as mulheres, muito mais comunicativas que os homens, sobre a vida do lugar.

Banquinhas de artesanato no Mercado de Otavalo. Enquanto eu olhava essa orquestra de cerâmica, o músico de rua atacava a Garota de Ipanema no trombone, do outro lado da rua
O mercado de Otavalo antes da muvuca das excursões
Vestidas a caráter, com o traje tradicional — saia negra enrolada na cintura sobre uma saia branca, arrematada por uma faixa colorida, e blusa bordada, de mangas bufantes, geralmente sob um xale que tanto protege do frio quanto pode ser amarrado como um embornal, onde são carregadas as compras ou as crianças de colo — a maioria apenas vende a produção de fabriquetas locais ou de artesãos de vilas distantes.


Cheguei cedo ao mercado e era praticamente a única turista a circular por lá, um pouco antes das 10 da manhã. Mesmo assim, o assédio dos vendedores é discreto. Pechinchar é de lei: em geral, o preço inicial pedido está inflacionado em 50% ou até mais. Mas é preciso garimpar um bocado para encontrar peças que encantem a quem já enlouqueceu no Mercado de Písac, no Vale do Urubamba, no Peru.

Uma paradinha na estrada para um chocolate de hoja, biscochos calientes e um queijinho local bom demais
O bom de estar de táxi é poder dar uma parada nas vendinhas à beira da estrada para complementar o café da manhã com uma xícara  de chocolate de hoja (o nome vem da lâmina de chocolate colocada no leite quente para derreter), acompanhado de biscochos calientes, biscoitinhos simplíssimos, feitos de farinha de trigo, salgadinhos, e servidos direto do forno.

Para arrematar, queso de hoja, o delicioso queijinho local. Ele é feito em camadinhas muito finas, postas para secar sobre folhas e, posteriormente, enroladas como um rocambole. Fica com uma textura super delicada. Hummmm....

Imbacocha, ou Lago San Pablo, 10 Km antes de Otavalo
Uma das visões mais bacanas da estrada é o Imbabura, vulcão extinto com 4.600 metros de altura e que dá nome à província onde estão Otavalo e Cotacachi (cidadezinha a 20 quilômetros, que também visitei).

Assim como os povos Quéchua e Aimara consideram os nevados eternos como seus antepassados (os Apus), os Otavalos reverenciam o Imbabura como uma deidade, o Tayta (“pai” em quíchua, que é uma derivação do quéchua trazido pelos Incas) e fazem oferendas à montanha.

No mirante para o Imbacocha, dá até pra posar em traje típico do povo otavalo
Aos pés do Imbabura, o Lago San Pablo, ou Imbacocha (em quíchua) é outra das belas visões para quem vai de Quito a Otavalo. Segundo a lenda, o lago era a esposa de Imbabura. Com um pouco de sorte, se as nuvens permitirem, também é possível contemplar o vulcão Cayambe, extinto, uma das montanhas mais altas do país. 

O Imbabura ´(à direita) está extinto, mas as nuvens dão um "apoio cênico" e o vulcão parece estar permanentemente fumegando
Como viajei a Otavalo e Cotacachi
De Quito a Otavalo
(imagem: Googlemaps)

Por indicação do pessoal do hotel, contratei o taxista Iván Guamani (fone 0997757440).

Ele cobra US$ 120 pelo passeio, que dura cerca de 8 horas.

Embora as distâncias sejam curtas (100 km de Quito a Otavalo e mais 20 km até Cotacachi), calcule pelo menos duas horas para chegar ao Mercado de Otavalo, pois as curvas da estrada não permitem grandes correrias. Aliás, esse cálculo só vale se o trânsito de Quito ajudar.

Don Iván é um senhorzinho bem gracinha, discreto e educado. Meio caladão, não espere que ele discorra sobre a história e a cultura do lugar. Seu negócio é transportar os turistas, o que ele desempenha com gentileza e muito cuidado ao volante. É super pontual (contratei-o para me levar ao aeroporto, às quatro da madruga, também) e  uma boa dica para quem for a Quito e precisar de um taxista de confiança.


O Equador na Fragata Surprise

Curtiu este post? Deixe seu comentário na caixinha abaixo. Sua participação ajuda a melhorar e a dar vida ao blog. Se tiver alguma dúvida, eu respondo rapidinho. Por favor, não poste propaganda ou links, pois esse tipo de publicação vai direto para a caixa de spam.
Navegue com a Fragata Surprise 
Twitter     Instagram    Facebook    Google+

Um comentário:

  1. Ola Cyntia...gostei da postagem..fotos, como sempre, lindissimas.....
    Bjs.
    Ana Silvia
    P: repare nao, computador alheio, sei nada do teclado!!!!

    ResponderExcluir