sábado, 11 de maio de 2013

Compras no Equador: Cotacachi

A Igreja Matriz, em Cotacachi. A cidade tem um centrinho histórico interessante, mas o que atrai os turistas são os produtos de couro, principal atividade econômica da cidade
A 20 quilômetros do famoso Mercado Indígena de Otavalo, o grande trunfo turístico da pequenina Cotacachi é a forte indústria de artigos de couro. Sua rua principal é uma corredor de lojas que se acotovelam e disputam a atenção dos visitantes com vistosas ofertas  nas vitrines. Tudo isso em silêncio, felizmente. Casacos, bolsas, sapatos e carteiras feitos pelas pequenas fábricas da região são vendidos no atacado ou no varejo, com preços bastante atraentes.

Casarões no Centro de Cotacachi
É preciso alguma paciência para garimpar boas peças, não pela natureza da matéria prima (o couro de Cotacachi é famoso pela qualidade), mas pelo design e cores, às vezes bastante over. Eu, porém, consegui um sobretudo de couro, cor de tabaco, por US$ 120. Bastou avisar à moça que atendia na loja que não queria nada com frufrus e enfeites para ela me mostrar as peças mais clássicas, sem tentar me empurrar nada -- isso, pra mim, é o supra sumo do bom atendimento.

Namorinho de portão: será que o casalzinho se inspirou
 no uniforme escolar retrô para compor esta cena?
Também comprei uma bolsa de camurça por US$ 30, daquelas que parecem pequenas, mas onde cabe o universo (pelo menos, o meu: duas câmeras fotográficas, bloco de notas, celular, carteira, passaporte...). O desenho tipo carteiro, com alças longas, para ser usada traspassada, é perfeito para viagens, dá de dez em qualquer mochila daypack. Aliás, pena que eu não estivesse inspirada para compras naquele dia J


Um encanto da cidade é ver as meninas indo para a escola com o traje tradicional da região (à esquerda) ou usando esses uniformes bem retrô 

A maioria dos artigos à venda em Cotacachi é em couro bovino, mas algumas lojas oferecem estoques em pelica e couro de cabra, mais delicados. A qualidade do acabamento das peças varia, portanto é bom olhar com calma, escolher com atenção. E sempre cabe alguma pechincha. Acredito que o pessoal que chega em grupo por lá -- a parada em na cidade costuma fazer parte do programa das excursões a Otavalo -- leve uma senhora vantagem neste quesito, mas não me queixo dos descontos que consegui.

Ah, e se for preciso algum ajuste nas peças (como nas mangas do meu sobretudo que tiveram que ser encurtadas), as lojas providenciam rapidinho. No meu caso, o ajuste demorou cerca de 30 minutos para ser concluído.

Divisa entre os departamentos de Pichincha, onde está Quito, e Imbabura, onde fica Otavalo. Ao fundo o Tayta (pai) Imbabura, o vulcão extinto que o povo da região acredita ser seu ancestral
O Imbabura domina a paisagem, no caminho para Cotacachi e Otavalo
 Se as excursões podem levar vantagem na hora da pechincha, aposto que levei vantagem em ser dona do meu tempo, pela chance de ver Cotacachi além das vitrines e araras das lojas. Eu fui até lá com motorista particular (Don Iván Guamani, um taxista bem senhorzinho, super gente boa) e pude definir meu próprio roteiro.

Foi legal ter tempo para ver o patrimônio histórico da cidade, muito interessante, uma mescla de influências espanholas e indígenas que, se não chega nem perto de esplendores como os de Quito e de Cusco, tem o encanto de preservar a escala humana e um certo ar caseiro, onde a monumentalidade dá lugar a uma integração bem natural à vida cotidiana.


O traje tradicional é usado por mulheres de todas as idades 
A província de Imbabura, onde estão Cotacachi e Otavalo, tem como marca principal a preservação das tradições indígenas. Isso fica bem claro quando a gente vê as menininhas voltando das aulas em seu traje tradicional, completado pelo casaquinho com o escudo da escola.

Os ônibus enfeitadíssimos, outra característica das ruas de Cotacachi
Cotacachi é famosa pela celebração do Inti Raymi, a Festa do Sol, que aqui cai no dia de São Pedro e São Paulo (29 de junho), padroeiros católicos da região — o Inti Raymi mais famoso, o de Cusco, é celebrado em 24 de Junho, dia de São João, data do Solstício de Inverno no Hemisfério Sul. Já assisti a festa do Inti Raymi, em Cusco, e contei tudinho aqui n'A Fragata.

Painel de rua usa elementos indígenas para representar a Paixão de Cristo
Museu Histórico de Cotacachi
Segundo moradores de Cotacachi, o Inti-Raymi local é tremendamente animado. Ao contrário do de Cusco, que ganhou pompas de celebração cívica e enredo bem processional (com jeitão de procissão) , aqui a festa tem uma batida mais popular, com os participantes divididos em grupos para encenar a retomada da cidade de invasores (os espanhóis?). Durante o "sítio" e as "batalhas", o bicho pega e o que era para ser uma representação acaba virando pancadaria de verdade. Fiquei morrendo de vontade de voltar lá para assistir.

Para ver os contatos de Don Iván, que me levou a Cotacachi, confira o post sobre Otavalo.

O Equador na Fragata Surprise

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3 comentários:

  1. Muito legal, acompanhando os post's de sua viagem. Abraços,

    Paula

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    Respostas
    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. O Equador é bem interessante, Paula. Bacana que nós, brasileiros, estamos descobrindo o país. E espero voltar lá em breve, para ir a Cuenca e às Ilhas Galápagos.
      abs

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