sábado, 27 de abril de 2013

Roteiro do Caminho Português
a Santiago de Compostela

5º dia - amanhecer  em Pontevedra, hora de cruzar
a Ponte O Burgo a caminho de Caldas de Reis
Acho que você já sabe, mas não custa repetir: não há um roteiro fechado para o Caminho de Santiago. Existem diversas as rotas históricas, que podem sem percorridas a partir do ponto que você determinar. A única exigência para quem quer receber a Carta Compostelana — certificado emitido pela Igreja Católica atestando que você fez a peregrinação — é percorrer um mínimo de 100 quilômetros a pé ou a cavalo ou 200 km de bicicleta.

Entre as diversas rotas para Santiago, o Caminho Francês é o mais tradicional e é onde desembocavam diversos outros roteiros medievais.

Eu escolhi fazer o Caminho Português porque iria partir de Lisboa. Essa rota começa na Cidade do Porto. Dizer que “a rota começa” significa que, a partir daquela localidade, existem marcações apontando a direção. Mas, novamente, nada lhe obriga a começar o caminho em seu “começo”. No meu caso, por exemplo, eu e minha amiga Dulce Ferrero escolhemos iniciar a caminhada em Valença do Minho, na fronteira de Portugal com a Galícia (Espanha).

Confira como foi o meu Caminho de Santiago:


2º dia - a Ponte das Febres, nos arredores de Tui, é a entrada para um trecho muito verde e agradável do Caminho Português. O nome lembra a morte do bispo de Tui, posteriormente canonizado como São Telmo, que morreu neste local, retornando de uma peregrinação a Santiago
1º dia
Caminho de Santiago - começando a jornada: de Lisboa a Valença do Minho e a preparação para a partida
O início da aventura: Valença e Tuichegada de trem a Valença do Minho, na fronteira de Portugal com a Espanha. Início da caminhada até Tui, atravessando a Ponte Internacional. Pernoite no Albergue de Peregrinos. Percurso a pé: 3 km. 

2º dia - os jardins da Igreja de Santo Domingo, nos arredores de Tui
2º dia
A bela cidade de Tui e o começo oficial da caminhada - Vale a pena reservar um tempinho para explorar a cidade medieval de Tui, especialmente sua Catedral. Na sequência da caminhada, atravessa-se o Vale do Rio Louro, região muito verde e muito bonita.

De Tui a O Porriño e as deliciosas surpresas do caminho - Depois do Vale do Louro, o caminho atravessa um polígono industrial até O Porriño. Pernoite em hotel.
O percurso total do segundo dia foi de 13 km

1º dia - o Rio Minho, entre Tui e Valença, demarca a fronteira de Portugal e Galícia (Espanha). A cidade de Tui tem uma bela catedral (o ponto mais alto da cidade, na foto) bem característica dos templos construídos durante as guerras contra os mouros, o período da "Reconquista". A arquitetura tem traços marcadamente militares, como as Sés de Lisboa, Évora e Coimbra, em Portugal
Encontrei essa pastora e suas cabrinhas na saída do Vale do Louro, entre Tui e O Porriño. Ao longo do caminho, o povo da Galícia faz questão de demonstrar simpatia e solidariedade aos peregrinos
3º dia - depois de O Porriño, o Caminho é uma subida inacreditável pela Rúa dos Cavaleros. Ao chegar ao topo da montanha, a sensação é de andar sobre as nuvens, por causa da névoa das Rías que se acumula nos vales
Quase todas as casas do caminho têm suas parreiras. as plantas oferecem sombra e uvas para a produção caseira do vinho Ribeiro, típico da Galícia
3º dia - a bonita paisagem da Ría de Vigo acompanha o caminhante, antes da longa descida para Redondela
A Ría de Pontevedra, perto da cidade de Pontesampaio
3º dia 
De O Porriño a Redondela e a generosidade dos galegos com os peregrinos - uma etapa dura, por conta da subida da Rúa dos Cabaleros, uma pirambeira que começa na saída de O Porrinño, e depois pela descida íngreme até Redondela. A gente diz que "pra baixo todo santo ajuda", mas explique isso aos meus joelhos :). Foi muito legal encontrar simpatia e solidariedade de ao longo do caminho. Percurso: 16 km. Pernoite no Albergue de Peregrinos.


Cruzeiros de pedra como este são típicos da Galícia e estão por toda parte, às margens do Caminho. As pequenas imagens sacras também são uma presença constante, geralmente ofertadas por devotos que fizeram a peregrinação
4º dia 
Redondela, Pontesampaio e um pouquinho da história da região - o mais bacana de fazer o Caminho de Santiago é passar por lugares que talvez a gente nunca fosse saber da existência e descobrir a riqueza de sua história. Nessa etapa, atravessamos um cenário muito importante durante as Guerras Napoleônicas, onde a resistência feroz dos galicianos barrou a passagem do poderoso exército francês.
Pontevedra e dicas para enfrentar as bolhas e outros perrengues - nosso destino, no quatro dia de caminhada, foi a cidade de Pontevedra, que fica à beira de uma bela Ría (braço de mar entre montanhas, semelhante a um fiorde) e tem um lindo patrimônio arquitetônico. Foram mais 16 km e nosso pernoite foi no Albergue de Peregrinos.

A Capela da Virxe Peregrina, em Pontevedra é uma das construções mais bonitas que encontrei na minha rota. Ela é dedicada ao culto da Virgem do Caminho e foi construída no Século 18. Repare na imagem de Santiago bem no alto da fachada (centro da foto à direita), logo abaixo da estátua da santa

5º dia 
Caldas de Reis e algumas impressões sobre os companheiros de viagem - os 20 km entre Pontevedra e Caldas de Reis foram o segundo percurso mais longo que fizemos, mas talvez o mais ameno e bonito. Nesse trecho, o Caminho de Santiago atravessa bosques, vinhedos e plantações de trigo, o relevo é camarada e Caldas é uma graça. Pernoitamos em um hotel, pois a cidade não tinha albergue disponível.

5º dia – O trecho mais gostoso da minha rota, sem dúvida, foi entre Pontevedra e Caldas de Reis. Quase sempre plano, esse percurso mudou pouco, desde a Idade Média, passando geralmente longe das estradas e atravessando bosques e campos de cultivo. Vejam só que delícia essa travessia de um vinhedo (à direita) 
5º dia- campo de trigo e vinhedo se encontram, 
perto de Caldas de Reis
6º dia - uma típica fachada galega, em Caldas de Reis
5º dia - as corredeiras do Rio Bermaña estão cercadas por um parque agradável e pequenos restaurantes com ótima comida galega, em Caldas de Reis. Foi aqui que fui apresentada aos famosos pementos de Padrón
6º dia - a igrejinha da Aldeia de Cruceiro,
entre Caldas de Reis e Padrón
6º dia 
Quase lá: Padrón e algumas dicas sobre albergues - de Caldas de Reis a Padrón o percurso de 17 km permanece muito agradável, como na véspera, atravessando vilarejos antigos e que parecem parados no tempo.O albergue de Padrón é um dos mais antigos do Caminho de Santiago e recebe gente que vem de todas as rotas, pois todos os caminhos a Compostela passam por aqui. É o último pernoite, antes da chegada.

6º dia – No caminho para Padrón, a a fachada da Igreja de Santa Maria de Carracedo e o requinte do Santuário da Nossa Señora da Escravitude
6º dia - muito fofo, o jardim de infância em Pontecesures, à beira do Caminho, deseja boa viagem aos peregrinos
7º dia
A chegada a Santiago - de Padrón a Santiago são 22 km, com subida, descida e outra subida, todas bem íngremes, que só servem para deixar a gente ainda mais ansiosa. Mas ver as torres da Catedral ao longe, pela primeira vez, é uma sensação única.

A Praça do Obradoiro vista do adro
da Catedral de Santiago de Compostela

Euzinha,
em uma pausa
da caminhada
Veja também:

A Espanha na Fragata Surprise

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2 comentários:

  1. Deve ser lindo e emocionante fazer recado viagem.Quem sabe um dia.

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  2. Lindo o caminho de Santiago.Pretendo conhecer um dia.

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