segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Algumas coisinhas que
aprendi sobre a Ilha de Páscoa

Pôr do sol na Praia de Pea, em Hanga Roa
Post atualizado em janeiro de 2016

A Ilha de Páscoa não é um destino fácil. Visitar um dos locais habitados mais remotos do planeta exige um pouquinho mais de planejamento e antecedência na compra das passagens.

Os preços do aéreo estão oscilando absurdamente, variando entre valores estratosféricos e os quase ridículos R$ 1.500 que paguei para ir até lá, em janeiro de 2013 (para vocês terem uma ideia, em uma pesquisa feita em 11/01/2016 encontrei bilhetes a R$ 2.400, para viajar na primeira semana de abril — e também a impagáveis R$ 8 mil, para viajar no finalzinho de março).

Também é importante pesquisar bem antes de escolher a hospedagem, decidir logo se vai alugar um carro e, dependendo da época da viagem, reservar os passeios com antecedência.

Poucos lugares que conheci me deixaram com a alma tão esvoaçante como a Ilha de Páscoa
Uma coisa, porém, eu posso garantir a vocês: poucos lugares que conheci deixam a gente com a alma tão plena e esvoaçante quanto essa maravilhosa porçãozinha de terra flutuando na imensidão do Oceano Pacífico, quase um grão de areia a 3.700 km da Costa do Chile.

Neste post eu organizei algumas dicas pra ajudar a organizar sua viagem. Espero que você se anime e embarque na grande aventura de descobrir Rapa Nui.

Reserve com antecedência, especialmente se for viajar no Verão
A prainha de Pea, no centro de Hanga Roa, rende sempre um mergulho gostoso, depois dos passeios
O Verão é alta estação em Rapa Nui. Os voos chegam lotados e quem deixar para reservar os passeios com as agências e o aluguel do carro para a última hora pode ficar a ver navios. As duas primeiras semanas de fevereiro, quando é realizado o Tapati Rapa Nui (o festival de cultura do povo da ilha), são o auge do movimento. Os ilhéus recomendam a quem quiser assistir ao festival – uma competição de dança, esporte e arte polinésia  – que planeje com até um ano de antecedência, para garantir lugar nos aviões e hospedagem.

Em qualquer época que você decida ir, é fundamental pesquisar bastante o preço da passagem aérea e tentar comprar com antecedência, para garantir bons preços.

Para saber mais, leia este post:
Dicas para a compra da passagem aérea para a Ilha de Páscoa

A beira-mar no centrinho de Hanga Roa
Hospedagem
Se você gosta de luxo, a Ilha de Páscoa não é muito o seu destino. Até há um hotel elegantíssimo na ilha (caréeeeesimo), mas a média da hospedagem é bem mais rústica e despojada. Isso não quer dizer que os preços sejam basiquinhos, não.

Calcule R$ 500, em média, o preço da diária para um casal, com café da manhã incluído, para ficar em uma acomodação digna. Quem viaja sozinha deve se preparar para gastar em torno de R$ 300 por cada diária.

Resumindo: a hospedagem por lá está em uma faixa de preço equivalente à de Fernando de Noronha.

Confira minha avaliação sobre o hotel onde fiquei:
Hospedagem em Hanga Roa - Tupa Hotel



Fuso horário
No Verão, o pôr do sol (e que pôr do sol!!) é por volta das 21 horas. O lugar mais procurado para ver o espetáculo é o Ahu Tahai
A Ilha de Páscoa adota um fuso meio artificial, para não se distanciar tanto do horário do Chile continental. São duas horas a menos em relação a Brasília, em tempo normal, e três horas, no nosso horário de verão. No verão, o sol nasce lá pelas 7 horas e se põe após as 21 horas, o que garante que você terá tempo para o banho de mar, mesmo depois de passar o dia na exploração dos diversos sítios arqueológicos de Rapa Nui.

O clima
Eu viajei no Verão, mas de vez em quando topava com um céu meio carrancudo. A boa notícia é que a chuva não dura muito
Faz muuuuito calor durante o dia, no Verão, e o solão é de derreter. Chapéu, protetor solar e óculos escuros são itens de sobrevivência. À noite, refresca um pouquinho (inho mesmo).

O clima é úmido (essa neobrasiliense aqui quase tem um treco, de tanto suar). Na semana em que estive lá, era comum o céu ficar meio carrancudo, por conta do calor e da umidade, e cair uma chuvinha. Mas era coisa rápida, que não atrapalhou nenhum passeio.

No inverno, de junho a setembro, o calor dá uma trégua e a ilha chega a registrar mínimas de 15º C. Abril e maio são os meses mais chuvosos. O índice pluviométrico da Ilha de Páscoa é similar ao do Rio de Janeiro (cerca de 1.100 mm/ano) e metade do de Salvador.

O banho de mar
O surfe é muito praticado na ilha
A vantagem de visitar a Ilha de Páscoa nos meses mais quentes é aproveitar o banho de mar. Cuidado, porém, com o lugar que você vai escolher para mergulhar. O mar é bem nervosinho e cheio de pedras por toda parte.

Todo dia em dava um mergulhinho em Poko-Poko
Os Rapa Nui estão acostumados a nadar entre os "dedos" de lava solidificada que avançam pelas águas, mas não tente imitá-los. Prefira as piscininhas protegidas da arrebentação, como as duas que há em Pea, bem no centrinho de Hanga Roa, ou a ótima prainha de Poko-Poko, logo depois da marina, no caminho para Tahai, onde um coqueiral oferece alguma sombra e há um gramadinho legal para ler ou relaxar.

A melhor praia da ilha é Anakena — com areia branquinha, coqueiral e um ahu (estrutura de pedra que serve de pedestal aos moais) dos mais bonitos.

Pra ter direito a areia branquinha, você terá que ir a Anakena
Para saber mais, leia este post:
Anakena, a praia da Ilha de Páscoa

Os preços da ilha são altos
Coca Cola e sorvete a US$ 5, sandubas a US$ 10 e refeições sempre acima dos US$ 30. A maneira como os "continentais" (europeus e chilenos, no jargão local) trataram a Ilha de Páscoa ao longo dos séculos se reflete até hoje nos preços praticados por aqui.

Entre 1870 e a década de 50 do século passado, a ilha foi uma fazenda de ovelhas e os habitantes originais (o povo Rapa Nui) viveram confinados na vila de Hanga Roa, o único núcleo urbano da ilha, sem o direito de plantar ou criar seus próprios rebanhos. Só recentemente o governo do Chile começou a devolver as terras aos Rapa Nui.

O resultado é que a ilha produz muito pouco do que consome (o abacaxi local, muito doce, é um sucesso e a cultura começa a crescer na ilha). Praticamente tudo, da água ao pescado, tem que atravessar o Pacífico vindo do Chile, de navio ou de avião, tornando o custo de vida muito salgado. Prepare-se — e se você estranhou eu citar o pescado entre os itens importados, é que o mar em volta da ilha não atrai muitos cardumes e a pesca na região é incipiente.

Ahu Tongariki: tão maravilhoso que a gente fica sem fala
Depois do consumo, os resíduos fazem o caminho inverso
Todo o lixo produzido na Ilha de Páscoa retorna ao continente, de navio. Pense muito nisso na hora de decidir o que vai consumir. Lembre-se que você também tem responsabilidade na preservação do lugar.

Para saber mais sobre as questões ambientais por lá, leia este post:
Prepare-se para encontrar bichinhos nos lugares mais estranhos :)
Os cartões de crédito não são populares na ilha, mas já começam a ser aceitos 
A boa notícia é que, embora os ilhéus ainda torçam o nariz para os cartões de crédito, eles já começam a ser aceitos na maioria dos restaurantes, hotéis e agências de turismo (às vezes, você vai ter que insistir um pouquinho).

Antes de viajar, li em diversos blogs a recomendação para levar bastante dinheiro vivo para todas as despesas. Apesar disso, consegui pagar quase todas as minhas refeições e passeios com dinheiro de plástico.

Há três caixas eletrônicos na ilha onde é possível fazer saques em pesos e em dólares. Considerando, porém, pelas dificuldades da ilha no quesito telecomunicações (a internet, por exemplo, arrasta-se como uma lesma), eu não me arriscaria ficar sem cash. Vai que o sistema dos bancos resolve cair...

Vulcão Rano Raraku, onde eram esculpidos os moais
Dólares são aceitos, mas tenha pesos chilenos para despesas menores
Dá para pagar diárias de hotéis, aluguel de carro, passeios turísticos e refeições em restaurantes mais estruturados com dólar, mas tenha sempre pesos chilenos para o transporte público, táxis, lanches e refeições mais simples. Lugares com estrutura mais básica podem até aceitar dólar, mais o troco (e a cotação) vai ser um perrengue.

"Ilha de Páscoa" só existe no continente
A bandeira da terra tremula na sede do sede do Parlamento Rapa Nui, ONG criada em 2001 para lutar pela retomada das terras ancestrais, preservação do idioma e das tradições locais
"Há muitas teorias sobre como meus antepassados chegaram aqui. Sobre o que não resta dúvidas é que nossos problemas começaram em 1772". A afirmação do jovem Rapa Nui resume o ressentimento, bem comum entre a população local, com a forma como europeus e chilenos trataram a ilha  no passado (1772 é o ano da "descoberta" da ilha pelos europeus).

Os ilhéus são um povo altivo, fazem questão de preservar sua língua, tradições e costumes. E você jamais os ouvirá chamar sua terra de "Ilha de Páscoa", um lugar que só existe para os colonizadores. Pra eles, a ilha se chama Rapa Nui.  Como demonstração de respeito e gentileza, adote esse nome ao se referir ao lugar e tente aprender algumas palavrinhas básicas no idioma local, como iorana ("oi" e "tchau") e maururu (obrigada/o).

Essa ilhota é o Motu Nui, onde nidificava a ave sagrada dos Rapa Nui, o manutara. Os guerreiros nadavam até lá para capturar o primeiro ovo do pássaro. O vencedor era ungido como Tangata Manu ("Homem-pássaro") e o chefe de sua tribo governava a ilha até o ano seguinte
É muito legal ouvir o idioma nativo falado por toda parte e perceber que os adereços usados pela população da ilha não são para deleite dos turistas, mas uma afirmação de identidade. Conversar com os Rapa Nui sobre sua cultura e seu patrimônio foi a melhor experiência que tive nessa viagem. Ah, sim, e Rapa Nui significa "ilha grande".

Para saber mais sobre tradições Rapa Nui, leia esses posts:
Orongo, a cidadela do Homem Pássaro
Um passeio de barco até os Motu sagrados dos Rapa Nui

Vale a pena fazer excursões com agências
Los Siete: os moai do Ahu Akivi são os únicos voltados para o mar
Apesar da minha alergia a excursões, há lugares onde contar com um guia é fundamental para entender o significado do que se está vendo. Sítios arqueológicos, por exemplo.

Em Rapa Nui, todas as agências oferecem três roteiros básicos que cobrem as principais atrações da ilha e permitem  uma compreensão geral da história e das tradições do povo da ilha. Depois, se quiser contemplar os lugares com mais calma, é só alugar um carro e voltar por conta própria (ou contratar um táxi, já que a ilha não tem transporte público).

Caverna de Ana Kai Tangata
Que passeios contratar
Os três roteiros mais populares (e, acho eu, indispensáveis) são o "full day tour", a visita ao vulcão Ranu Kau e a visita ao Ahu Akivi.

O "full day tour" custa US$ 60), e vai das 9h às 18h. No roteiro estão o vulcão Rano Raraku, conhecido como "a fábrica de moai", o Ahu Tongariki (deslumbrante, com seus 15 imensos moais), o Ahu Te Pito Kura ("o umbigo do mundo") e a Praia de Anakena.

A visita ao Rano Kau custa US$ 35 e é feita em meio dia (tarde ou manhã). O vulcão é impressionante, assim como a vista lá do alto, e o ponto alto é a vila cerimonial de Orongo, onde eram realizadas as cerimônias do Homem-Pássaro. No retorno, há ainda uma parada nas cavernas de Ana Kai Tangata para ver lindas pinturas rupestres.

Os pukao na antiga pedreira onde eram esculpidos
A visita ao Ahu Akivi, onde estão os moais conhecidos como Los Siete, é belíssima. Também custa US$ 35 e dura meio dia. Esse roteiro também para na pedreira onde eram esculpidos os pukao (o "chapeuzinho" dos moais) e leva à rede de cavernas Te Pahu, o maior túnel de lava da ilha, que serviu de refúgio a parte da população durante as guerras tribais.

Eu contratei os três passeios com a Insular e não me arrependi. A agência também aluga carros e providencia roteiros individuais. O guia que nos acompanhou, o rapa nui John, é muito competente e simpático. Recomendo.

Para mais detalhes sobre os passeios, leia este post:
O que fazer na Ilha de Páscoa


Mais sobre Rapa Nui (Ilha de Páscoa)

O Chile na Fragata Surprise

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