terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O melhor acarajé da Bahia

A fila é inevitável, mas vale a pena esperar
Quem vê o amontoado de edifícios e o transito caótico da Pituba nem imagina que esse bairro da Orla Atlântica de Salvador já teve cara de vila de veraneio. Aquele loteamento distante, onde as ruas tinham os nomes das unidades da Federação (como o Terrítório do Guaporé, que hoje só existe como a rua onde eu cresci), era o lugar perfeito para ser criança, nos Anos 60 e 70.

Hoje, não resta mais nada das dunas branquinhas — uma delas bem coladinha ao muro de trás da minha casa — dos coqueirais e das lagoas, onde hordas de pirralhos construíam fortes apache, cabanas e navios piratas de pneus velhos e tábuas afanadas das casas em construção. A especulação imobiliária levou tudo. Felizmente, uma das melhores tradições do bairro ainda resiste: basta uma mordida no Acarajé de Chica e eu volto no tempo.

Mais de 40 anos depois de Chica ter acomodado seu tabuleiro na Praça Brasil, à sombra da estátua da deusa Flora, seu acarajé continua perfeito: casquinha crocante e miolo fofinho. E o abará também bate um bolão. Com tantas mudanças na Pituba e em Salvador (a maioria delas, para muito pior) é uma bênção encontrar num bolinho de feijão fradinho a essência de uma Bahia que hoje só existe na memória.

Se estiver em Salvador, aproveite que hoje é dia de Iansã e preste sua homenagem à orixá com o melhor acarajé da cidade.

Acarajé de Chica
Avenida Manoel Dias da Silva, entre a Rua Paraíba e a Rua Piauí (no estacionamento da Insinuante)
 Tecnicamente, o lugar ainda se chama Praça Brasil, apesar de ela ter sido demolida, no final dos anos 70, para desafogar o tráfego na avenida. Agora só resta a placa. A estátua de Flora também não está mais aqui. Depois de anos exilada num depósito municipal, acabou acomodada em uma das novas praças do bairro. Chica, já aposentada, vive em Aracaju, mas os filhos, com Gregório à frente, jamais deixaram a peteca cair.

Preços: Acarajé e abará, sem camarão, R$ 4,00. O acarajé aperitivo (menorzinho e super crocante) custa R$ 26,00 o quilo. Os acompanhamentos, como o vatapá e o camarão seco, também são vendidos à parte (R$ 3,00 a porção).

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