sábado, 18 de agosto de 2012

Lastarria, a Santiago da Belle Époque

Lastarria tem aquele arzinho Belle Époque
 que é o traço mais sedutor de Santiago
Nós, brasileiros, nos acostumamos a entregar os centros antigos das nossas grandes cidades à degradação. Passamos por eles apressados, geralmente encouraçados em nossos automóveis. Eventualmente, algum “projeto de revitalização” transforma trechos dessas áreas em parques temáticos, que serão consumidos à exaustão e depois devolvidos ao esquecimento.

Mas centro antigo aprazível não é só coisa de europeu. Que o diga a região de Lastarria/Bellas Artes, a dois passos da Avenida Libertador Bernardo O’Higgins, a principal de Santiago.
Detalhes do n° 316 da Calle Lastarria, 
casarão que abriga diversas lojas de moda e design 
Parque Florestal
A personalidade do bairro de Lastarria parece ter sido forjada pela placidez de suas áreas verdes — o Cerro Santa Lucia e o Parque Florestal. O trânsito e as buzinas podem estar pegando fogo na Alameda (como os santiaguinos chamam a Avenida Del Libertador), que as ruas de Lastarria e Bellas Artes não se abalam.

O silêncio que impera por aqui é de uma cordialidade rara em regiões centrais de grandes metrópoles, mesmo as que tratam bem de seus centros antigos. Algumas ruas ainda têm calçamento de paralelepípedo, há canteiros de flores por toda parte e vigora a estrita observância à mania de colocar bancos de jardim em qualquer cantinho de calçada..

Igreja de Vera Cruz e uma banquinha na feira de antiguidades de Lastarria
O Cine El Biografo exibe filmes fora do circuitão
A maioria das construções de Lastarria e Bellas Artes é do finalzinho do Século 19 e começo do Século 20, quando Santiago era o lar de algumas das maiores fortunas do planeta. Os muito ricos moravam a Oeste daqui, no aristocrático Barrio Brasil, mas os casarões da área são testemunhas da prosperidade da época. 

A região conserva aquele arzinho Belle Époque que, para mim, é o traço mais sedutor de Santiago. Chique, sem dúvida, mas com uma tradição boêmia que vem de longe.


Não é à toa que as atrações de Lastarria e Bellas Artes encantam públicos muito mais amplos que os maníacos por belas fachadas e ruas sossegadas, tipo eu. A região é famosa pelos ótimos restaurantes — como o novíssimo Bocanáriz, que já citei aqui, pelas lojinhas charmosas e pela Feira de Antiguidades, que funciona na altura da Plaza Mulato Gil de Castro.

Vale a pena dar uma parada no casarão n° 316 da Lastarria, que abriga várias lojas de jovens designers de moda. Entre algumas vanguardices, dá para garimpar  peças interessantes e com bons preços.

Público interessante, restaurantes legais...

A feirinha de antiguidades é pequena e sem muvuca
Sou suspeita, mas arrisco dizer que o melhor do bairro é a grande concentração de museus: aqui ficam o de Belas Artes (o mais famoso), o de Artes Visuais, Arte Contemporânea e o de Arqueologia. E não há quem resita ao charme do Cine El Biógrapho (Lastarria 181), com sua carinha de sala de antigamente e programação alérgica a blockbusters.

O Museu de Belas Artes é o responsável pela duplicidade do nome do bairro
Dicas práticas
Dobradinha de museus no Parque Florestal: além do Belas Artes (à direita), tem o de Arte Contemporânea
Com ou sem visitas aos museus, Lastarria e Bellas Artes rendem atividades para um dia inteiro. Para ver a programação dos cinemas, os horários dos museus e os endereços das lojas, consulte o portal Barrio Lastarria

Recomendo vivamente uma visita à Livraria y Sebo El Cid Campeador (Merced 345) e uma pausa no Bocanáriz Vinobar (José Victorino Lastarria 276), já devidamente citados aqui na Fragata, mas a oferta de livrarias e restaurantes é imensa e a graça da brincadeira é descobri-los ao acaso. A caminhada, garanto, será muito agradável.


Quem vem de metrô pode descer nas estações de Bellas Artes (linha verde) e Universidad Católica (linha vermelha). O melhor jeito de chegar, porém, é a pé, pelo Parque Florestal (privilégio de quem está hospedado no comecinho de Providência, como era o meu caso, rsss).

Quem está acostumado com as feiras de San Telmo, da Benedito Calixto ou de Waterlooplein é capaz de tomar um susto: a  Feira de Antiguidades de Lastarria faz um gênero, digamos, mais intimista. São poucas barraquinhas e quase zero de muvuca — até nisso Santiago impõe sua elegância low profile. Não dá para enlouquecer abarrotando sacolas, mas dá para garimpar livros, cartazes antigos e peças de cristal ou porcelana. Horário de funcionamento: de quinta a sábado, das 10 às 22h.

Mais sobre Santiago

Hospedagem no Crowne Plaza

Adivinha quem é o autor deste cavalo gordinho? Botero, é claro!
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4 comentários:

  1. Querida Cynthia, como sempre me deleito ao ler seus relatos e anoto dicas para um dia curti-las. Quando resolver visitar o Espírito Santo, me avise para que eu possa encontrá-la. Com carinho, do Gelson

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    1. Oi, Gelson, quanto tempo! Pois é, o Espírito Santo está na minha lista há um tempão, faz quase uma década que estive aí pela última vez... Quando eu for, pode deixar que aviso :)

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  2. Conheci essa região de Santiago, caminhando, e é muito charmosa e agradável, como relatado aqui. Espero voltar quando possível.

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    1. Lastarria e Providencia são dois bairros muito gostosos, né, Gelson? santiago pode não ser efervescente como Buenos Aires, mas é uma cidade muito legal.

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