sábado, 18 de agosto de 2012

Chile: como ir a uma vinícola
de transporte público

Vinícola Concha y Toro: dá para ir de metrô
Ir ao Chile e não visitar uma vinícola é mais ou menos como ir a Salvador e  não comer acarajé. Como eu já tinha decidido evitar qualquer passeio às estações de esqui próximas a Santiago ( não ando com equilíbrio emocional para ver meus compatriotas fazendo bife à milanesa na neve) e às áreas de comércio de Vitacura, Las Condes e adjacências, resolvi ceder ao menos um pouquinho aos ditos "programas obrigatórios" da capital chilena.

A loja e o wine bar

A entrada da vinícola
Manhã de domingo gelada em Santiago e lá fui eu visitar a Viña Concha y Toro, a mais popular entre os turistas, pela proximidade com a capital e por seu blockbuster etílico mundial, o Casillero del Diablo. O super solícito Joaquín, do Mito Hotel, fez a minha reserva (gracias por todo, Joaquín!) para o meio dia e foi super fácil chegar lá de metrô, com direito a uma bela vista para as montanhas durante a viagem (a linha azul corre pela superfície).
A bodega mal assombrada
O lugar é muito bonito, especialmente o parque que cerca a mansão em estilo vitoriano, do final do Século XIX, construída como casa de campo dos fundadores da Concha y Toro. O tour pela vinícola, porém, é muito basiquinho -- sem contar que os vinhedos, coitadinhos, não ficam nada fotogênicos no inverno, reduzidos a meros galhinhos secos, à espera do calor. O guia Henrique, muito atencioso, conduz os visitantes pelas diversas instalações da vinícola, com direito a paradinhas para degustação.


O "ponto alto" é a descida à "bodega maldita", que seria guardada por Belzebu em pessoa, lenda espalhada por  Don Melchor Concha y Toro para evitar que suas garrafas fossem surrupiadas. Um brevíssimo espetáculo de som e luz conta a história e arranca alguns gritinhos de susto dos visitantes.

O início do tour
No cômputo geral, o passeio vale a pena, mas qualquer semelhança com a Fantástica Fábrica de Chocolate será mera expectativa de turistas empolgados.

Empanada de pino: hummm
Dicas Práticas
 As agências de Santiago organizam visitas a diversas vinícolas. Talvez valha a pena contratar o pacote (bate e volta) para ir ao Vale do Colchagua, a cerca de 150 quilômetros de Santiago. Para ir à Concha y Toro, porém, é bobagem pagar 23 mil pesos pelo passeio. 

Localizada no Vale do Maipo, encostadinho à capital, a melhor maneira de chegar até lá é de metrô, pela linha azul (ou linha 4). Você pode descer nas estações de Plaza de Puente Alto ou Las Mercedes e seguir de táxi. Calcule uma hora e meia de viagem. As visitas à vinícola são feitas com hora marcada e, se houver muita procura, os atrasadinhos podem ter dificuldade para ser encaixados em outros horários. Seja pontual!

Os jardins da vinícola rendem um passeio gostoso
Da Estação Plaza de Puente Alto até a vinícola são menos de dez minutos de táxi e a corrida custa cera de 3 mil pesos. 

Na hora de voltar, não se preocupe se não houver táxis esperando na saída: peça aos seguranças da Concha y Toro, que eles chamam pelo rádio.

O tour guiado à Concha y Toro precisa ser agendado com pelo menos 24 horas de antecedência, pelo site da vinícola. Há três tipo de visitas, que variam de acordo com a quantidade e qualidade dos vinhos degustados. A mais simples (campeã de audiência) custa 8 mil pesos e dá uma visão bem basicona do funcionamento do lugar.

No inverno, os vinhedos ficam assim...


É claro que a Concha y Toro tem uma loja de vinhos bem fornida. Porém, a perspectiva de sair por aí com algumas garrafas castanholando na bolsa não me animou muito às compras. Achei mais divertido sentar numa mesinha do wine bar, ao ar livre e aproveitar o dia maravilhosamente azul na companhia de umas copitas de vinho e uma excelente empanada de pino.

A mansão vitoriana dos fundadores da vinícola hoje abriga escritórios e salas de reunião. Está cercada por  um parque e jardins em estilo inglês. 
Impossível não pensar em uma cena de Jane Austen



Viña Concha y Toro - Avenida Virginia Subercaseaux 210, Pirque, Santiago. Visitas: diariamente, das 10h às 17. O Wine Bar e a loja de vinhos funcionam das 9:30 às 18:45h. Telefones:  (+56-2) 4765680, 4765334, 4765269.

Empanadas de Pino- "Pino" significa caldo, o molho que deixa essas empanadas recheadas com carne, cebola, ovos cozidos e azeitonas especialmente suculentas. Essa é a modalidade mais popular de empanadas chilenas. Deliciosa simplicidade num país que prima pela boa comida. Valem a viagem.

Mais sobre Santiago:

O Chile na Fragata Surprise:

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Um comentário:

  1. Muito bem descrito e ilustrado. Também fiz este passeio de metro que proporciona ao turista uma aproximação com a população local e a apreciação da paisagem, uma vez que o metro quando afasta do centro é de superfície.

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