domingo, 5 de agosto de 2012

Bichos divinos - a mesa de Santiago

"Bastidores" do Mercado de Santiago, de manhã cedinho
Oncinhas pintadas, zebrinhas listradas e coelhinhos peludos que me perdoem, mas os bichos que me despertam a mais desvairada paixão são aquelas coisinhas esquisitas que se come no Chile. 

Locosmachasalmejaspicorocosostiones, ouriços... Eu, que nasci e cresci a poucas quadras do Atlântico, tiro o chapéu para a generosidade do Pacífico com a mesa chilena. Com a participação desses bichos, basta água, sal e um fio de azeite para preparar um banquete. 

Comi muito bem em Santiago do Chile, nesses dias que passei lá. Acompanhe minhas aventuras gastronômicas:

Pra aguçar ainda mais a vontade,
os restaurantes exibem os frutos do mar em vitrines

Mercado Central

Santiago se consolida cada vez mais como destino gastronômico. É farta a lista de restaurantes estrelados na cidade. Nenhum deles, porém, desbanca a intensidade da experiência sensorial de um passeio pelo Mercado Central.

É maravilhoso chegar lá de manhã cedinho e caminhar pelos "bastidores", entre as bancas abarrotadas de peixes e mariscos dos corredores laterais. Formas, cheiros e texturas ainda cruas, recém pescadas, prometem refeições inesquecíveis.

Esperto é esse gato: ele mora no Mercado de Santiago
Na hora do almoço, o Mercado fica lotado de turistas. Devidamente paramentados com os aventais fornecidos pelos restaurantes, eles afiam as máquinas fotográficas para a chegada das gigantescas centollas, as estrelas da casa. São deliciosas, sim, mas desconfio que a preferência se deva ao impacto visual. Eu sou mais chegada nos bichos menos fotogênicos: os picorocos, enrugados e acinzentados,  parecem pequenos cérebros e são deliciosos.

Jardim de Mariscos: olha só o tamanho desse mexilhão
Em geral, quem vai ao Mercado acaba caindo nas mesas dos dois grandes restaurantes que ocupam a "praça" central do lugar. Mas pode ser ótima ideia escapar dos tentáculos dos garçons do  Donde Augusto e do La Joya del Pacífico, que só faltam pegar os turistas pelo braço, e experimentar os restaurantes menores, nos corredores laterais.





Foi mais ou menos o que eu fiz: bem antes  da hora do almoço, parei em três ou quatro portinhas para provar os mariscos.  Pouco depois do meio dia, porém, eu estava de volta para traçar um Jardín de Mariscos no Donde Augusto (só para matar a saudade da primeira visita).

Mercado Central
San Pablo 967 (Metrô Cal y Canto)

Não adianta espernear: o lugar é turístico até a última casquinha de centolla, mas é impossível resistir. Além das intermináveis fileiras de balcões forrados de mariscos recém pescados, é delicioso passear entre os cheiros e cores de frutas e hortaliças fresquinhas. As melhores amoras e framboesas que já comi na vida foram comparadas aqui (mas era verão...).

Entre as lembrancinhas manjadas, as barracas de artesanato vendem umas cestas com tampa, perfeitas para carregar iguarias e apetrechos de piquenique (além de ser uma mão na roda para levar os vinhos que você vai comprar no supermercado...). Além de bonitas, são superfortes. A minha tem dez anos e está inteiraça. 


Os restaurantes do Mercado não cobram barato. Depois de muito beliscar, almocei no Donde Augusto, o preferido de dez entre dez turistas (mas vamos combinar que é mesmo o mais confortável). O Jardín de Mariscos vem numa porção suficiente para três pessoas e custa 19.000 pesos  (cerca de R$ 75).


Outros lugares legais para comer em Santiago
Apesar da minha absoluta parcialidade em relação aos mercados, seria um desperdício limitar a aventura culinária em Santiago às mesas do Mercado Central. Comi muito bem na minha temporada santiaguina, com direito a empanadas de pino, chupes de jaiba e até às menos típicas, mas igualmente deliciosas tortas de framboesa do Café Literário do Parque Bustamante. Veja a seguir algumas dicas:

Bocanáriz Vinobar
José Victorino Lastarria, 276 (Metrô Universidad Católica). Terça a sábado, das 12h à meia noite. Domingos, das 12h às 17h.

Recém inaugurado, num bonito casarão restaurado de Lastarria (Bellas Artes), um dos bairros mais charmosos de Santiago. Os pratos, aqui, foram concebidos para "realçar os sabores dos vinhos", a ênfase da casa, que tem em cada garçom um sommelier.

Pedi coq au vin para acompanhar o carmenère (Von Siebenthal Gran reserva 2010). Uma pausa perfeita numa vizinhança deliciosa. A conta? 12.900 pesos, cerca de R$ 50. 

Azul Profundo
Calle Constitución 111 (Metrô Baquedano)

O bairro de Bellavista é célebre pela muvuca e pelos restaurantes. Essa casa especializada em frutos do mar tem decoração em motivos náuticos (a inspiração supostamente seria La Chascona, a casa de Neruda, aqui nas redondezas).

A Fragata deveria ter se sentido em casa, mas enquanto eu jantava sob um gurupés de verdade (com figura de proa e tudo, retirado de algum velho veleiro), temi sinceramente que Jack Sparrow sentasse na mesa ao lado, com a turma do Pérola Negra.

Apesar do tumulto visual e da escuridão, o chupe de jaiba estava bem decente e o pisco sour estava perfeito. O serviço foi meio lento, mas nada que chegasse a comprometer. O Jantar para uma pessoa custou 13.750 (cerca de R$ 55).

E tem uma dica de Puerto Varas
Depois dos picorocos, meu prato chileno preferido é o chupe de jaiba, caranguejo (jaiba) ensopado e gratinado numa panelinha de barro (o chupe). 

Devo essa descoberta à insistência da dona da pousada onde me hospedei, em Puerto Varas, Região dos Lagos, na primeira visita ao país. Eu tinha acabado de chegar de Peulla, mortinha de cansada, e a última coisa que me passava pela cabeça era sair para jantar. 

Ela, porém, foi categórica: "Quem nunca provou chupe de jaiba não pode dizer que esteve no Chile". E lá fui eu sucumbir a um irrefreável amor à primeira garfada. O restaurante onde se deu a epifania foi o La Olla, um dos mais tradicionais da cidade, que ainda está vivíssimo e bem reputado, segundo eu pude checar na internet. O endereço é Ruta 225, Loteo los Castaños, Puerto Varas.

Para ver todas as comidas e bebidas citadas aqui no blog, acesse Comes&Bebes - Índice

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O Chile na Fragata Surprise

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