sábado, 28 de julho de 2012

Santiago: amor à segunda vista

Parque Bustamante, em Providência, 
delicioso pedacinho de Santiago
Depois de quatro dias de visita, estou vivendo um caso de amor à segunda vista com Santiago do Chile. Na minha primeira visita, em 2002, não consegui sintonizar a cidade. Foi preciso voltar pra conseguir decifrá-la. Tive que espantar a falta de imaginação — a minha e a da propaganda oficial, que vende Santiago apenas como “uma metrópole limpa, organizada e moderna”, coisa mais sem sal... 

Meus encantamentos, em geral, não nascem do espetacular. Prefiro a placidez descoberta ao acaso, numa virada de esquina. Ou uma sensação de reencontro diante do que é completamente novo. Esse é um ponto que sempre contou a favor de Santiago. A capital chilena não tem nada de passional — quem quiser locações trepidantes, procure em outro lugar. Mas acabou me convencendo que é uma cidade deliciosa para quem gosta de flanar, comer bem, garimpar livrarias e viajar leve e devagar.
A névoa faz os cumes nevados parecerem flutuar no horizonte


Pra começar, Santiago tem um horizonte arrebatador. E nem vou reclamar da névoa persistente. Ela faz parte do efeito cênico, pois "esconde" a base das montanhas e faz a gente quase acreditar que os picos nevados estão pairando no ar. 

Cá no chão, Santiago tem uma elegância silenciosa, perfeita para quem quer caminhar sem pressa, descobrir detalhes, contemplar e pensar na vida. Aliás, se eu tivesse que resumir a cidade em uma palavra, seria elegância mesmo — a de verdade, discreta e sem ostentação. 

A "Alameda",
apelido da Avenida Libertador General Bernardo O'Higgins

As ruas estão sempre apinhadas de gente, o trânsito é infernal — a névoa mágica do horizonte é apenas muita poluição, que os chilenos chamam de smog, casamento de smoke (fumaça) com fog (névoa). A cidade estava em alerta ambiental nos dias em que estive por lá — e há hordas de turistas por toda parte. Mas Santiago parece que anda de pantufas. Ninguém bisbilhota, ninguém incomoda e, longe dos carros, o silêncio é delicioso.

Foi muito bom descobrir o prazer de ler em paz no Parque Bustamante, de namorar as fachadas do bairro de Lastarria e mergulhar no charme descolado de Barrio Itália, desde já meu pedaço preferido da cidade — que tem um jeitinho muito parecido com os melhores trechos de Palermo, em Buenos Aires.

Mercado de Santiago: jaibas, ostras, ouriços, lulas....
Dois sentimentos não mudaram, em relação à minha primeira visita. Continuo não curtindo Las Condes e Vitacura, com aquelas toneladas de vidro e alumínio sem muita personalidade. E continuo fervorosa devota da mesa santiaguina, com seus bichos estranhos e deliciosos: locos, ostiones, machas, picorocos e jaibas. Só de pensar, já quero correr para o aeroporto e voltar para o Chile.

Veja como foi esse meu delicioso reencontro com Santigo do Chile nos posts a seguir:

Roteiro de seis dias em Santiago

O Chile na Fragata Surprise

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6 comentários:

  1. Estava ansiosa para ver este Post, também não fiquei muito emocionada/empolgada/feliz em minha primeira vez em Santiago, talvez porque fui furtada logo nas primeiras horas da chegada... De qualquer forma, ver estas fotos me fez pensar que talvez seja o momento de voltar...

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    1. Pois é, Nivia, estou escrevendo mais sobre isso. Santiago é uma cidade encantadora, mas precisei voltar lá para descobrir isso. No seu caso, depois de sofrer um furto logo na chegada, fica muito difícil continuar curtindo a viagem. Aconteceu isso comigo em Barcelona, na primeira visita. Por "sorte", foi no finalzinho da viagem. Fiquei mais esperta e já voltei lá, para exorcizar a lembrança.

      Espero postar um monte de novidades hj à noite, depois do trabalho. Bj

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  2. Cyntia,

    Estou contando os meses para voltar a Santiago. Em dezembro passarei uns dias por lá. Antes iremos a Puerto Montt, e seguiremos para Puerto Varas onde ficaremos 5 dias. Como estarei de 23 a 27 em Santiago, estou procurando dicas sobre o Natal ( o que abre/fecha, restaurantes abertos..essas coisas). Se você tiver alguma dica.
    Um abraço.
    Ana Silvia

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    1. Ana, já fui para Santiago no verão (um calor inacreditável), mas não era época de Natal, não. Mas arrisco um palpite: 25 de dezembro é um osso para viajantes em qualquer lugar do mundo (Ocidental, pelo menos...), com tudo fechado. Em Santiago, não deve ser diferente...

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  3. Oi Cynthia,

    tenho lido alguns posts e você consegue descrever alguns de meus próprios sentimentos. Eu me apaixonei por Valpo desde a primeira vez que fui lá. E até ler seu post não havia conhecido ninguém que tb tivesse adorado aquele lugar. Sobre Santiago, bem... Já estive lá umas 4 vezes e não consigo amar aquela cidade. Em cada momento procuro descobrir novos lugares e apesar de ser sempre bem tratada (e de comer muito bem), acho que falta alma naquele lugar. beijos

    Ps - tenho gostado muito dos seus textos: da forma como vc escreve e pq sempre tem ref históricas, que eu adoro! :)

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    1. Oi, Analuiza, que bom que você está curtindo o blog. Meu amor por Valparaiso é bem especial e até meio fundador desta Fragata, pois foi a partir da visita à cidade e das referências a Thomas Cochrane que descobri os livros de O'Brian. É uma lugar muito especial, com um tipo de beleza muito particular. Já Santiago, realmente, custou um pouquinho para me ganhar, mas me senti tão bem na cidade, tão despreocupada e livre que acabei me encantando. Não é uma cidade vibrante, arrebatadora. Mas aquele jeitão low profile tem seu charme. Beijos

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