sexta-feira, 1 de junho de 2012

Um passeio em Ouro Preto

A Igreja do Carmo, pra mim,
é a mais bonita de Ouro Preto 

e olha que o campeonato é duro :)
As cidades históricas de Minas são filhas do tempo, da delicadeza e da atenção aos detalhes. O mínimo que a gente pode fazer é retribuir. É preciso percorrer suas ruas com passo suave e olhar vagaroso. Saborear cada cena sob os diversos ângulos de incidência da luz. Sentir o pulso das ruas se alterar a cada hora — com o correr do dia, o calçamento em pé de moleque muda de vibração, como a maré de uma terra sem mar. 

Nesse reencontro com Ouro Preto, Mariana, Sabará e Congonhas tive que quebrar as regras. Com apenas quatro dias de folga, optei por ficar baseada em Belo Horizonte e viajar em esquema bate e volta. É uma fórmula prática, mas que reduz o clima olho no olho que adoro ter com os lugares que visito. E essas cidades, tão generosas em belezas, merecem mais que um olhar de excursionista. É por isso que recomendo: quando for a Minas, vá sem pressa, especialmente se for sua primeira vez.

Todo passeio em Ouro Preto começa na Praça Tiradentes, aqui vista do antigo Palácio dos Governadores, hoje Escola de Minas
Coloque na sua lista: fazer uma foto na Praça Tiradentes
 e admirar os casarões da Rua Direita
Maior acervo arquitetônico colonial do país, Ouro Preto encanta pelo conjunto. O crescimento da cidade, que hoje tem cerca de 100 mil habitantes é uma ameaça permanente à paisagem histórica, pressionada pelo adensamento urbano. O Centro Histórico, porém, ainda prima pela harmonia.

Há dois camarotes maravilhosos para contemplar essa unidade de traços. O primeiro é a balaustrada que margeia a estradinha para Mariana, logo na saída da cidade. No final da tarde, oferece uma visão matadora.

Na estada para Mariana, uma visão matadora da cidade
Outro balcão privilegiado é o baluarte do antigo Palácio dos Governadores (a Escola de Minas). Com um pouquinho de photoshop mental para deletar os automóveis, a Praça Tiradentes, aos nossos pés, volta no tempo. 

As duas linhas harmônicas de fachadas coloniais, uma de cada lado da praça, conduzem o olhar para a o imponente edifício da Casa de Câmara e Cadeia (hoje Museu da Inconfidência), que domina o conjunto de sobrados e suas janelas multicores. 

O conjunto é grandioso, mas é uma delícia garimpar os detalhes...
... e os pequenos testemunhos de uma vida normal, em meio ao burburinho turístico
Para fugir da muvuca de ônibus, automóveis e turistas que lotam a Praça Tiradentes e a Rua Direita, basta uma caminhada de 500 metros para Leste da praça — com direito a ladeiras — até a Igreja da Conceição, no bairro Antônio Dias, região que tem aquela cara de “lugar onde mora gente" que eu adoro. Em frente à igreja, o desnível da pracinha ajardinada acompanha a ladeira cercada de simpáticos sobrados. E tem as montanhas lá longe, pontuadas por campanários... Lindo.

Praça Antônio Dias: linda e com cara de "lugar onde mora gente"
A Igreja da Conceição guarda o túmulo do Aleijadinho
Já que estamos aqui, é obrigatória a visita à Igreja Matriz da Conceição, de 1746, onde estão os túmulos do Aleijadinho e de seu pai, Manuel Francisco Lisboa, autor do projeto do templo. Os entalhes e a decoração são um passeio pelos estilos que caracterizaram o barroco mineiro — alguns altares foram herdados da capela que existiu aqui, antes da construção da Matriz. A Conceição também é uma das sedes do Museu Aleijadinho (as outras são as igrejas das Mercês e de São Francisco).

Igreja do Pilar: 400 quilos de ouro e uma Pietá do Aleijadinho
As visitas ao Carmo, ao Pilar e a São Francisco também são obrigatórias. A cidade é generosa em magníficos exemplares do barroco mineiro, mas essas três são simplesmente de rasgar a roupa.

O Pilar, pela suntuosidade escancarada de sua decoração. O mais espantoso aqui nem são os 400 quilos de ouro consumidos nos adornos, mas a intrincada trama dos entalhes que recobrem completamente as paredes e altares do templo. Preste atenção à comovente Pietá de Aleijadinho, em pedra sabão, recoberta de policromias de Mestre Ataíde, que fica numa salinha ao lado da porta de entrada.
Detalhe da fachada da Igreja do Carmo
O caminho mais fácil para chegar ao Carmo é pela lateral d Museu da Inconfidência (à esquerda). Mas é mais bonito chegar pela escadaria
O Carmo é a mais bonita das igrejas de Ouro Preto, com sua fachada de delicados entalhes em pedra sabão. Fuja à preguiça de chegar aqui pelo caminho mais fácil, a ruazinha à direita do museu da Inconfidência. Gaste algumas calorias a mais e desça a Rua Brigadeiro Musqueira (preste atenção ao edifício amarelo e vermelho da Casa de Ópera). É lá em baixo que começa as escadaria que leva á igreja, que vai ficando mais bonita a cada degrau.

Rua Brigadeiro Musqueira
e a antiga Casa de Ópera da cidade (à direita)
A Igreja de São Francisco talvez não tenha a mais bela fachada ou a mais espetacular decoração interna, mas é a mais tocante, com seus detalhes interiores em azul pálido e um certo enfado pelos fulgores terrenos, expresso nas constantes referências à inevitabilidade da morte — e aí, só o barroco mineiro para repisar o tema sem cair no soturno.

Dizem que São Francisco era a igreja preferida de Aleijadinho (apesar do artista ter pertencido à irmandade da Conceição). O lavatório em pedra sabão da sacristia, esculpido por ele, vale a visita a Ouro Preto.


Igreja de São Francisco
Endereços e horários
A Igreja das Mercês e Misericórdia e a Capelinha do Bonfim 
As igrejas de Ouro Preto ficam abertas  diariamente, das 8:30h às 12h e das 14h às 17 horas. Atenção aos horários das missas, quando a visitação turística é limitada.

Igreja do Pilar - Praça Monsenhor Castilho Barbosa. A entrada custa R$ 6 e vale também para o Museu de Arte Sacra, que funciona no subsolo.

Igreja do Carmo - Rua Brigadeiro Musqueira, entrada R$ 2. Vale a pena conferir o Museu do Oratório, que funciona aqui.

Igreja de São Francisco de Assis - Largo do Coimbra, entrada R$ 8, que também vale para a visita à Conceição e ao Museu Aleijadinho. No largo em frente à igreja funciona a Feira de artesanato da cidade, com dezenas de barraquinhas e uma profusão de turistas. Com paciência, é possível garimpar peças interessantes em pedra sabão.

Igreja da Conceição - Praça Antonio Dias



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2 comentários:

  1. bacana, eu tbm sou guia de turismo das cidades históricas , gostei muito de suas falas sobre nossa região , parabéns e obrigado pelo carinho

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