domingo, 20 de maio de 2012

Ouro Preto, um tesouro que não sai de moda

Ouro Preto: o coração chega a dar uma paradinha...
Música desate post: Chuva na Montanha, Lô Borges

O caimento do telhado, as janelas de guilhotina e o calçamento irregular não mudam. Mesmo assim, as cidades coloniais do Brasil e da América Espanhola sempre dão um jeito de ser únicas. Arrebatadoras, cada qual a seu modo. Cartagena e Cusco olham a vida passar sob os balcões. Olinda e Salvador debruçam sobre o mar, como moças namoradeiras. 

Mais recatadas, as cidades setecentistas de Minas Gerais preferem as gelosias das montanhas. O relevo quase grandiloquente esconde a beleza dessas sinhazinhas. Para contemplá-las, é preciso vencer um emaranhado de curvas na estrada. Só para o coração dar aquela paradinha, quando as avistamos de longe e de repente, num meneio da estrada.

Um balcão encantador: o jardim da Escola de Minas
Minas é pródiga nessas seduções e, entra moda e sai moda, é Ouro Preto quem permanece princesa daquelas montanhas. 

Maior aglomeração humana da América Latina, no início do Século 18 (40 mil habitantes, em 1730), capital da atividade extrativista que inebriou milhares de homens, na febre do ouro, palco da conspiração mais venerada pela história oficial. Com tanto enredo, a cidade de relevo caprichoso e arquitetura preciosa, naturalmente, se acostumou a ser protagonista.


Ouro Preto, porém, nunca se resumiu a esse passado. As memórias de bandeiras, do garimpo e da Inconfidência sobrevivem na cidade universitária das repúblicas e festas. A velha Vila Rica, boêmia e carnavalesca, vive apinhada de estudantes e turistas, trepidando com o trânsito quase de metrópole. 

Não sei onde a Mãe do Ouro, o Cavaleiro Misterioso e outros seres mitológicos que povoam os adros daquelas igrejas encontram sossego para se manifestar, naquele burburinho. Talvez nem as assombrações  queiram perder a farra que rola naquelas ladeiras.

Montanhas, campanários e a bruma: uma cidade tão linda
tinha mesmo que ter um horizonte especial como moldura
Por trás das majestosas gelosias das montanhas, a princesa bate o pé e se recusa a ser a "cidadezinha qualquer” do poema de Drummond ("Devagar ... as janelas olham. Eta vida besta, meu Deus”). Mal sabe ela que não haveria placidez capaz de tornar qualquer uma cidade de tantos encantos de pedra e cal e horizonte tão frenético.

Dicas práticas



Como chegar

Ouro Preto fica a 98 quilômetros de Belo Horizonte. A empresa Pássaro Verde tem saídas da Rodoviária da capital de hora em hora, desde as 6h da manhã até as 23h e vende passagens pelo site. A viagem de ônibus leva cerca de duas horas e os bilhetes custam R$ 24 cada trecho. As empresas de turismo receptivo de BH oferecem passeios de um dia à cidade, geralmente incluindo uma parada em Mariana (a 20 km).

Eu visitei Ouro Preto e Mariana num tour privativo organizado pela Primotour, em carro de passeio e com o competente guia Helder. Para um bate e volta, é uma fórmula confortável, que permite (quase) a liberdade de uma viagem independente, sem a chateação das estações rodoviárias. O passeio custa R$ 200.


Quanto tempo
A maioria dos visitantes vai a Ouro Preto em um bate e volta a partir de Belo Horizonte. Dá para ver as principais atrações da cidade em um dia, mas eu acho essa fórmula (que usei nesta passagem mais recente por lá) meio frustrante. Todo mundo deveria dormir ao menos uma noite na vida na cidade.

É bom ter tempo para explorar cantinhos menos famosos
Quem gosta de farra, vai adorar o movimento nos bares e a grande oferta de balas, especialmente nos fins de semana do período letivo.

Quem gosta de sossego, vai aproveitar a cidade mais vazia e em ritmo de vida normal que começa a se desenhar perto do final da tarde, quando os grupos de excursão pegam a estrada de volta a BH — a não ser que seja Carnaval ou Festa do 12, que aí a cidade ferve.

E, cá pra nós, a gente só pode dizer que viu mesmo uma cidade colonial quando pisou seu calçamento irregular à luz dos lampiões. É um dos meus programas favoritos em qualquer uma dessas maravilhosas cidades históricas das Américas.


Hospedagem
Faz um tempinho que pernoitei em Ouro Preto, mas tenho boas referências da Pousada do Ouvidor, na especialíssima Praça Antonio Dias, região mais sossegada, onde ficam a Igreja da Conceição e o Chafariz de Marília de Dirceu (clique no link para ler o post sobre esse pedacinho encantador da cidade).

As diárias em apartamento duplo estavam em R$ 160 (de domingo a quinta) e R$ 180 (fins de semana).

A Praça Antonio Dias, pra mim,
é o pedaço mais bonito de Ouro Preto

Mais sobre Ouro Preto
Um roteiro para ver as cidades históricas a partir de BH

Um passeio em Ouro Preto
Turismo responsável: o delicado equilíbrio de Ouro Preto

Minas Gerais na Fragata Surprise
Fim de semana em São João del Rei e Tiradentes
Santuário do Caraça de trem
A beleza delicada de Sabará
Sabores de Minas: azedinha e ora-pro-nóbis

Um passeio pela bela Mariana
Congonhas: os 12 Profetas de Aleijadinho
O Mercado Municipal de BH: festa para os cinco sentidos
A Pampulha: quando o futuro não era careta
Belo Horizonte: dicas práticas
Belo Horizonte: Buenos Aires com montanhas?

Curtiu este post? Deixe seu comentário na caixinha abaixo. Sua participação ajuda a melhorar e a dar vida ao blog. Se tiver alguma dúvida, eu respondo rapidinho. Por favor, não poste propaganda ou links, pois esse tipo de publicação vai direto para a caixa de spam.
Navegue com a Fragata Surprise 
Twitter     Instagram    Facebook    Google+

Nenhum comentário:

Postar um comentário