sábado, 14 de abril de 2012

Viajar sozinha: Veneza

O Palácio dos Doges, em Veneza
OK, Veneza é um clichê. Basta ouvir o nome da cidade e a tela é invadida por casais caminhando de mãos dadas, gôndolas ao luar e luz de velas refletindo em cristais que fazem tim-tim. Mas não se intimide: a cidade mais romântica do planeta talvez seja ainda mais maravilhosa para quem viaja sozinha.

Aquelas ruas estreitas — um labirinto que sempre acaba à beira d’água, bem longe de onde se queria chegar e, mesmo assim, em algum lugar de levar a alma para o 25º andar — ganham cor e temperatura perfeitas, embaladas na trilha sonora das nossas divagações.
Veneza combina com devaneio
Veneza não é um cenário. É personagem de temperamento forte, falas marcantes e cenas arrebatadoras. Francamente, acho um desperdício repartir minhas atenções entre a cidade e mais alguém — ela pode ser romântica, mas é muito ciumenta: quanto menos divididas nos apresentamos, mais encantadora ela é.

Por que Veneza é legal para quem está sozinha? 
Porque, de vez em quando, a gente precisa de férias de tudo. Veneza combina mesmo é com devaneio, com horas de caminhada sem rumo (é tudo tão lindo que não há razão para chegar a lugar nenhum) e com muita contemplação. A cidade produz e exige uma introspecção quase abissal. Estive lá duas vezes, sem companhia, e não consigo imaginar lugar melhor para estar apenas comigo mesma.


A cidade é segura, fácil de chegar, tanto de avião (o Aeroporto Marco Polo  recebe voos de 127 países), quanto de trem (está a 3h40 de Roma e a 2h30 de Milão, aproximadamente). A hospedagem, em geral, costuma encarecer muito as viagens solo. Em Veneza, porém, os hotéis acessíveis aos mortais costumam ter apartamentos tão pequenos que é um alívio não ter que dividí-los, nem com o grande amor.

E tem os museus, claro. Todos espetaculares e, por incrível que pareça, muito menos abarrotados de gente que os de Florença. Mais preocupados em tirar fotos para o álbum de família, os apaixonados costumam deixar a Scuola Grande de San Rocco, o Palazzo Ducale, a Coleção Peggy Guggenheim e outras maravilhas para os olhos dos solo-travelers.

Ancoradouro da Praça de San Marco
O que pode ser um percalço
Parece bobagem, mas é fato: em pleno Século 21, ainda existem mulheres que se sentem mal por irem sozinhas até mesmo ao cinema. Sentem julgadas (e condenadas)  pela falta de companhia. Para essas, o chavão romântico da cidade pode ser muito desconfortável. 

Outra roubada é achar que o príncipe encantado a aguarda à beira de um canal. Antes de viajar, assista Summertime, com Katharine Hepburn e Rossano Brazzi. O filme de David Lean é de 1955, mas continua atual. Sucumbir à oferta de companhia é decisão individual, mas é bom ficar esperta. 


Preste atenção
o traçado da cidade é no mínimo intrigante — é comum a gente seguir o mapa e perceber que estava indo na direção certinha, mas que tem um canal, sem ponte à vista, bem no meio do caminho... Meu truque infalível: toda vez que estou perdida, volto para a beira de um canal principal e vejo a rota do vaporetto. Basta isso para recuperar meu senso de direção (um GPS também ajuda, mas não tem a mesma graça). Uma coisa é certa: ninguém reclama de se perder em Veneza.

A Ponte de Rialto (esq) e um mercadinho de frutas perto do Vallaresso

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2 comentários:

  1. Gostei das dicas vou em maio solo anche.

    Vou ficar em mestre, por que achei abusivo os preços dos hotéis em veneza.

    Espero gostar da cidade, algumas pessoas reclamam do cheiro do canal este é o meu maior temor.

    Cari Saluti.

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    Respostas
    1. Dizem que o cheiro do canal fica ruim no verão, mas ainda não vi Veneza nessa época do ano. Estive lá em abril e em novembro, e era bem tranquilo. Obrigada por navegar na Fragata Surprise e volte sempre :)

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