domingo, 26 de fevereiro de 2012

João Pessoa, ao sabor das marés

Todos os dias de manhã, a Avenida do Cabo Branco
é exclusiva para pedestres
Esqueça o relógio, o noticiário e a previsão do tempo. Em João Pessoa, a única informação essencial à plena felicidade está na tábua das marés. A primeira coisa que a gente nota nos pessoenses é que todos (mesmo os mais insuspeitos) parecem saber exatamente a hora da preamar e da baixamar.

Primeiro, por motivos práticos: os passeios aos recifes de corais do Picãozinho e ao banco de Areia Vermelha só podem ser feitos na maré baixa. Segundo, por puro deleite: a cidade, bonita até debaixo de chuva, ganha um encanto todo especial quando o mar recua e ganha aquele tom de verde cristalino que só é possível no Litoral do Nordeste. Na maré baixa, o mergulho dá de dez em qualquer Caribe.
João Pessoa tem as melhores praias urbanas do Nordeste
Vinte anos depois de uma temporada de trabalho em João Pessoa, foi um prazer a rever a cidade, nos feriados do Carnaval. Mais bonita, limpa, bem cuidada, com a orla muito preservada, livre daqueles pequenos horrores que se costuma plantar à beira mar em nome do progresso. Bastam uma calçada, coqueiros, muita vegetação nativa e meia dúzia de quiosques: João Pessoa parece obstinada em provar que, quando o assunto é praia, menos será sempre muito mais.

Há duas décadas, o debate sobre a verticalização da orla, suposta saída para “atrair investimentos”, já mobilizava a capital paraibana. O conceito de “cidade para se viver” contrapunha-se ao de “cidade para inglês ver” (que matou Salvador, por exemplo) e vem ganhando a parada, desde então — afinal, os turistas vêm e vão, como as marés.

Com seu jeitinho de beira-mar de antigamente, 
João Pessoa é o Nordeste do futuro
O resultado a gente sente na brisa que sopra livre, sem os anteparos de concreto. Nas dimensões humanas do espaço urbano e no imenso prazer de contemplar a paisagem harmoniosa, dominada pela majestade das falésias do Cabo Branco avançando pelo Atlântico.

A cidade está colhendo os frutos de não ter embarcado na euforia da massificação do turismo, tentação que tirou metade da graça de lugares como Salvador, Maceió e Natal. Com seus pouco mais de 700 mil habitantes, “Jampa” tem toda a infraestrutura para quem não pode ou não quer abrir mão dos confortos urbanos, aliada à cordialidade e ao sossego dos destinos de praia que requerem deslocamentos mais longos e trabalhosos.

A Avenida Cabo Branco, à sombra da falésia, leva até a Ponta do Seixas, o ponto mais oriental do Brasil
De mansinho, com seu jeito de beira mar de antigamente, a pouco badalada João Pessoa vai virando o “Nordeste do futuro”: destino perfeito para o viajante mais relaxado, sem o apego aos programas-clichê que fazem de cada jornada uma gincana — apesar do esforço das agências em badalar o tal pôr do sol no Jacaré, ao som do Bolero de Ravel...

O cuidado em ser “um lugar para se viver” está por toda parte — os arranha-céus estão proibidos na orla, a avenida à beira mar é fechada aos carros, todos os dias das 5 às 8 da manhã. O que Jampa talvez não soubesse é que essa opção acabou sendo muito generosa também com os de fora. Sem as afetações que desgastam os destinos turísticos, esse é um lugar para se voltar sempre — aliás, como as marés...

Onde ficar
A cidade vista da varanda do meu quarto de hotel
Nord Blue Sunset
(que agora se chama Nord Class Cabo Branco)

Avenida Cabo Branco n° 4560. Diárias na suíte dupla, com varanda, a partir de R$ 390


Localizado no finalzinho da avenida, no caminho para a Ponta do Seixas, o hotel fica em um trecho bem sossegado da orla, em frente a um praião de babar.

Fiquei num apartamento com varanda, de frente para o mar, com uma vista espetacular da cidade: dá para contemplar toda a orla, até Cabedelo.

O calçadão para passear à tardinha
O hotel é novinho, inaugurado há cerca de quatro meses. Talvez por isso, o serviço seja um tantinho atrapalhado, embora muito solícito e simpático. A suíte com varanda é bem grande, com um sofá cama na saleta, frigobar, TV LCD, ar condicionado geladinho... Mas eu nem liguei muito para qualquer coisa que não fosse o visual maravilhoso para o mar verdinho.

Meu apartamento tinha quarto, varanda e saleta
A piscina, no terraço, tem uma senhora vista para a cidade. Pena que, sem sequer um guarda sol, fique impossível aproveitar a área como ela mereceria.


Não esqueça
João Pessoa tem as melhores praias urbanas do Nordeste. Bonitas, gostosas, em boas condições de balneabilidade e com uma infraestrutura que não ofende a natureza, mas garante o mínimo de conforto ao banhista.

Muito mais que em qualquer outra capital do Nordeste, ir à praia em João Pessoa é a coisa mais fácil do mundo. Não precisa ficar escolhendo, preocupada se tem boca de esgoto, muvuca ou algum trecho de mar violento.

Da Ponta do Seixas a Camboinha, já no município de Cabedelo, são cerca de 30 quilômetros, margeando um mar muito verde e manso, graças às barreiras de coral que protegem esse trecho de litoral. Dá a sensação de que basta atravessar a rua (qualquer rua) e cair no reino de Netuno.


Tambaú, Bessa e Cabo Branco são as melhores, na cara do gol e acessíveis com transporte público, com o mar morno e cristalino sempre ao alcance da mão.

A praia do Cabo Branco é a mais bonita, pelo efeito dramático da falésia (o cabo), mas acho que no quesito banho de mar o Bessa é mais bacana. No Bessa, também, a infra das barracas é mais sofisticada, até pela oferta de barracas e pelo climão caribenho.

Mais sobre a Paraíba
As praias de Coqueirinho e Areia Vermelha

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