terça-feira, 29 de março de 2011

Carcassonne: Século 12 ao vivo




Música deste post: Volare, Laura Pausinni & Eros Ramazotti

Carcassonne é assim: você vem andando por uma rua “normal” e, de repente, do outro lado do rio, está uma cidade cercada de muralhas, com ameias, bastiões e torres pontudas (exatamente como nos contos de fadas), no alto de uma colina. Seu coração vai dar uma paradinha e, para o resto da vida, vai ser uma luta para descrever a cidade sem usar pelo menos meia dúzia de superlativos embasbacados, 

Passei anos sonhando com uma visita à cidade e posso garantir que, ainda assim, minhas expectativas foram largamente superadas. Carcassone é bonita desde a chegada, ainda na parte "nova" (com seus prédios de 200 anos). E até antes de chegar, quando, ainda no trem, a gente avista suas muralhas, ao longe.

A Place Carnot, na parte nova da cidade. Abaixo, a Pont Vieux, do Século 14

Cortada pelo Rio Aude, nos Pireneus, Carcassonne viveu o auge de seu esplendor nos séculos 12 e 13, quando a Cité (povoação medieval fortificada) era o centro do poder da família Trencavel, grandes senhores do Languedóc-Roussillon. 

Foi conquistada pelos reis da França, que enfrentaram e venceram os Trencavel na chamada "Cruzada Albigense" — empresa militar e religiosa contra a seita cátara, que tinha a cidade como um de seus redutos. A cidadela foi uma praça militar estratégica nas brigas dos franceses com os catalães e navarros pelo controle dos Pirineus.

A cidade vista das muralhas (esq) e a subida da Rue Trivale, um dos acessos à Cité
Do "lado de cá" do Rio Aude — na margem ocidental, que é normalmente por onde se chega à cidade — fica a Bastide de Saint Louis, povoação iniciada no Século 14. Após uma tentativa dos Trencavel de retomarem a cidade, com a ajuda da população, a coroa francesa expulsou os moradores da Cité para o outro lado do rio, dando origem ao bairro que hoje faz as vezes de Centro da cidade. 

Le Dome ("a cúpula") é tudo o que resta de um velho hospital do Século 18, na Bastide. Abaixo, o afresco que adorna o interior da construção

Para ir da Bastide à Cité, o jeito mais encantador é atravessar o Aude pela bela Pont Vieux, do século 14. A partir daí, várias ruas e trilhas que levam à cidade amuralhada. Prepare as panturrilhas para a subida.

A principal dessas rotas é a Rue Trivalle, que começa mansinha, para logo virar um ladeirão respeitável, ladeado pelas fachadas medievais com as adoráveis janelas que mais parecem portas de celeiro, bem características da região.


O fosso da cidadela virou um gramado ótimo para um piquenique. À direita, um dos acessos à cidade
Quem tem mais fôlego prefere pegar uma das trilhas que serpenteiam pela encosta até as muralhas. A mais conhecida é a que acompanha um caminho fortificado, que ligava a fortaleza a uma de suas barbacãs (defesa externa às muralhas).

Lá no alto, a Porte Narbonnaise é o principal acesso à Cité. O fosso em torno das muralhas está seco, convertido num agradável gramado. A ponte de madeira sobre o fosso já não é levadiça. Mesmo assim, atravessar aquela fortificação é chegar a outra era. Completamente restaurada, a Cité de Carcassonne é o Século 12 ao vivo.

A Porte Narbonnaise já teve uma ponte levadiça. Hoje, a passagem é fixa, mas a sensação de ingressar em uma outra era ao atravessar o portão  é forte 
Place Maclou, coração da cidadela
A Place Marcou é o coração da cidadela, onde se concentram muitos bares, restaurantes e cafés — todos muito turísticos e caros, é bom avisar. As mesinhas ao ar livre, porém, são bem tentadoras. A cidade tem hábitos rígidos: das 16h às 18 horas, todos os estabelecimentos limitam-se a servir sanduíches, crepes e outras comidinhas mais leves. 

No final da tarde, a Cité ferve de turistas entretidos no footing entre as muralhas e nas compras nas lojinhas de artesanato e antiguidades. Está todo mundo fazendo hora para o grande espetáculo: quando anoitece, a cidade, iluminada por milhares de refletores, parece uma miragem. Cena difícil de esquecer.


Carcassonne à noite
Mas, antes das luzes artificiais, o por-do-sol vai deixar as muralhas de Carcassonne ainda mais lindas. A vista mais matadora das muralhas, neste horário, é da Avenue du Genéral Leclerc, lá em baixo, na continuação para o Leste da  Pont Neuf. É o ângulo perfeito para as fotos (que eu não fiz, pois passei de ônibus, a caminho de um banho quente pra espantar a pneumonia).



A tentação é quase irresistível, mas, curiosamente, Carcassonne não é tão “cenário de filme” quanto o lugar-comum que me assombra gostaria: poucas produções foram rodadas aqui. The Lion in the Winter (1968), com Peter O’Toole e Katherine Hepburn, The Bride of Frankenstein (1985), com Sting, e Robin Hood, Prince of Thieves (1991), com Kevin Costner, são as mais conhecidas entre as menos de 20 registradas pelo Escritório de Turismo local.
Na nossa primeira tarde em Carcassonne, nos limitamos a caminhar pelas ruas da Cité. As muralhas e o Chateau Comtal (o castelo) fecham para visitas às 17 horas e nós estávamos mesmo moídas de cansadas  acordamos cedo demais em Barcelona, para pegar o trem. A exploração mais detalhada ficou para amanhã. Mas isso eu conto no próximo post.


A França na Fragata Surprise

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2 comentários:

  1. Que lindo, já faz algum tempo que eu também sonho visitar esse lugar. Agora depois desse post, ainda mais. Abs.

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    1. Oi, Fabio, Carcassonne realmente vale muito a pena. Pra quem está em Barcelona ou no Sul da França, é super fácil de chegar. Espero que você realize seu sonho logo. Beijo

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