quarta-feira, 23 de março de 2011

Barcelona: um passeio no Raval

Protestos de moradores, na Rambla del Raval: 
"Queremos um bairro decente!"
Hoje de manhã, fomos dar uma volta no Raval. A área não é muito popular entre os turistas, pois carrega uma tradição barra-pesada. Originalmente ocupado por trabalhadores, na época da Revolução Industrial, foi sendo aos poucos tomada pela prostituição e pela criminalidade, que um processo de revitalização o recolocasse no mapa de lugares interessantes para ver em Barcelona.

Hoje, o Raval é um bairro pobre, onde se concentram muitos imigrantes. Suas ruas estreitas e tortuosas, ladeadas por construções antigas, lembram o Bairro Gótico, um "simétrico desigual" do outro lado das Ramblas.

Tão perto do centro, o Raval mostra uma cara de Barcelona que a gente não vê nas áreas turísticas: a longa fila de pobres e desempregados, esperando a abertura do refeitório da Paróquia de Sant Augustí, o desalento no rosto de filipinos, marroquinos e romenos desterrados, engolfados pela crise que assola a economia do Estado Espanhol e não poupa sequer a rica e industrializada Catalunha.

O gato de Botero
(foto: Simone Campos)
Ao contrário da prima rica e esfuziante de turistas, a Rambla del Raval é um calçadão de cidade do interior, onde gatos pingados passam desinteressados pelo imenso gato esculpido por Fernando Botero (o bichano é bem gorducho, como soem ser as obras do colombiano). Nas sacadas e janelas, faixas e cartazes repetem os apelos registrados no Bairro Gótico: "Queremos um bairro digno!" Os moradores pedem mais repressão ao tráfico de drogas, ao barulho e à desordem.

Apesar do sol radiante, do céu sem nuvens e das tintas fortes nas fachadas da Rambla local, a cor do Raval é um cinza angustiado que só fica para trás quando, no final da Avinguda de Drassanes, a profusão de mastros de Port Vell anuncia a proximidade do mar.

Rambla del Raval: clima cinza num dia radiante
Considerado um "patinho feio", o Raval reúne algumas atrações que merecem a visita: Museu d'Art Contemporani, o Centro de Cultura Contemporânea e o Hospital de la Santa Creu, um edifício gótico do Século XV (não confundir com o Hospital de Santa Creu i Sant Pau, célebre exemplo da arquitetura modernista) que abriga a Biblioteca de Catalunya e o Institut d'Estudis Catalans.

Fiquei hospedada aqui, num apartamento alugado, no final de 2007. Minhas amigas foram assaltadas na nossa rua, a Carrer de Unió, na noite de Ano Novo — mas eu fui roubada num pub do Bairro Gótico, na mesma noite, de modo que ponho mais a culpa na confusão da festa do que na vizinhança.

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