quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Os incas e "os incapazes"

A elegância do encaixe das pedras no antigo Palácio de Inca Roca, em Cusco
A piadinha está num dos diálogos dos “Diários de Motocicleta”, filme de Walter Salles sobre a jornada do jovem estudante Ernesto Guevara pela América Latina. Em Cusco, um pequeno guia turístico mostra ao Che a superioridade das construções do povo quéchua sobre os edifícios erguidos pelos espanhóis: “Em Cusco há os prédios feitos pelos incas e os feitos pelos incapazes”.

Adoro a altivez quéchua, que faz o povo de Cusco muito mais afeiçoado a seu passado nativo — ainda que derrotado pelos invasores europeus — do que à herança dos colonizadores. No Brasil, quando falamos dos indígenas, o pronome é “eles”. Na Cordilheira, os indígenas são “nós”.

A imponência do templo de Saqswayamán,
nos arredores de Cusco
É uma altivez que se impõe nos monumentos oficiais, como na placa de bronze que chama a "Descoberta das Américas" de invasão, em plena Haucaypata, o amplo espaço de celebrações que os espanhóis transformaram em Plaza de Armas e cercaram de igrejas.

Quem olha o esplendor das construções, percebe num mapa o tamanho daquele império e descobre as engenhosas redes de defesas, comunicações e abastecimento montadas pelos incas, tem que concordar com seus descendentes.

Placa em Haucaypata (Plaza de Armas, para os espanhóis): 
Nos 500 anos, glória e honra às vítimas anônimas da invasão e aos heróis da resistência andina.
... E não nos poderão matar. 
Qosqo, 12 de outubro de 1992”.
Cusco, porém,  é generosa também com os "incapazes". É verdade que os colonizadores não aprenderam a domar terremotos. Suas construções plantadas sobre as elegantes paredes incas vez por outro vêm abaixo, sacudidas pelos tremores. Parece que a terra andina gosta de espanar as construções dos invasores, deixando novamente à mostra o engenho e a arte do povo da Cordilheira (contei mais sobre isso neste post).

Claustro do Convento de La Merced
A cidade, porém, está cheia de belíssimos exemplos da arquitetura colonial. Como a Igreja e o Convento de La Merced, um lindo conjunto do Século 17 (a igreja original foi construída em 1535, mas foi varrida, adivinhe... por um terremoto).

Arco de Santa Clara
Além do claustro espetacular, La Merced abriga um pequeno museu, onde está exposta a imagem de uma Pietá quéchua simplesmente arrebatadora. A Catedral de Cusco, o Arco de Santa Clara e a Igreja dos Jesuítas são outros belíssimos exemplares da arquitetura colonial na cidade.

A tentação de instaurar um Ba-Vi (ou um Fla-Flu) entre as belezas incas e coloniais é grande, mas seria um desperdício. A arquitetura de Cusco conta uma história que precisa de ambas as tradições para ser inteira.

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