sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O que ver Machu Picchu -
e as dicas práticas para organizar a visita

Uma beleza que não cansa: já fui três vezes e quero voltar. Na foto, o Templo Las Tres Ventanas (três janelas), um dos famosos mirantes para a cidade sagrada dos incas
Post atualizado em dezembro de 2016Música deste post: Um Trem para as Estrelas, Cazuza

Não conheço um único viajante que não sonhe ir a Machu Picchu. A cidade sagrada dos incas exerce um imenso fascínio, tanto por sua beleza quanto pelos mistérios ainda não decifrados sobre sua origem, utilização e abandono. Eu visitei Machu Picchu três vezes e confesso que ainda gostaria de voltar.

Neste post, procurei organizar todas as informações sobre Machu Picchu que reuni nessas três viagens. Como ir, como se organizar, o que ver... É a minha contribuição para que você também realize o sonho de descobrir a cidade perdida dos incas, uma das sete maravilhas do mundo e atração imperdível dessa nossa apaixonante América do Sul.




Trate bem de Machu Picchu
O sítio arqueológico mais famoso das Américas é também uma das dez atrações turísticas mais ameaçadas do planeta. O risco não se deve a pressões ambientais, como na Grande Barreira de Corais da Austrália, ou a guerras ou a descasos. O que ameaça matar Machu Picchu é a presença diária e massiva de turistas.

Machu Picchu encanta pelo conjunto e pelos detalhes. Reserve umas cinco horas para ver a cidade com calma
Apesar da limitação ao número de visitantes por dia e uma série de restrições estabelecidas nos últimos anos — não é mais permitido comer no espaço do sítio arqueológico, deitar na grama e usar bastões de caminhada, por exemplo — a pressão ainda é enorme. Faça sua parte, portanto. Obedeça as regras, carregue seu lixo com você e ajude a preservar Machu Picchu para a os próximos viajantes.

A moldura das montanhas é quase tão impressionante quanto a cidade dos incas. A direita, o Templo do Sol 

A Tumba Real, abaixo do Templo do Sol
Principais restrições
É proibido entrar no sítio arqueológico com bagagens pesando mais de 20 kg. Você pode e deve levar um lanchinho (a comida na lanchonete da entrada é caríssima e muito ruim), mas vai ter que sair da área das ruínas para comer.

Sistema de aproveitamento das águas da chuva

Há limite de visitantes/dia. Compre ingresso com antecedência
Nas minhas duas visitas anteriores ao sítio arqueológico, era "liberou geral”: bastava chegar e pagar o ingresso para entrar em na cidade sagrada dos incas. Desde 2008, porém, apenas um máximo de 2.500 de visitantes diários são admitidos em Machu Picchu. E desde 2013, a única maneira de comprar os ingressos é pela internet.

A zona residencial de Machu Picchu
Se você vai de trem de Cusco a Águas Calientes (que agora é chamada de Machu Picchu Pueblo), só compre as passagens quando tiver certeza de que há disponibilidade de ingressos para o sítio arqueológico na data que você quer.

A Trilha Inca também tem restrição no número de viajantes, 500 pessoas. A subida a Huaynapicchu (a montanha que se debruça sobre Machu Picchu) só são admitidos 400 visitantes, divididos em dois horários. 

Dá para distinguir o uso de cada construção pelo acabamento das paredes. Quando mais regulares e bem lavradas são as pedras, mais "chique" era o edifício
Quando ir
A alta temporada (período mais seco) em Cusco e Machu Picchu vai de maio a setembro. No final de junho, por causa da Festa do Sol (Inti Raymi), a afluência de visitantes beira o pandemônio— mas a festa é muito legal e vale a pena. Julho e agosto também são bem muvucados. Eu fui em março de 2002 (alguma chuva), junho de 2003 (sol lindo) e novembro de 2010 (muita chuva). Amei todas as três visitas.

O Templo do Sol (esq) e um conjunto de construções na entrada da cidade, provavelmente usado como alojamento da guarda
Quanto custa o ingresso para Machu Picchu
O ingresso para visitar apenas Machu Picchu custa 128 soles (US$ 38, em dezembro de 2016). Para combinar a cidade com a subida a Huaynapicchu o preço é 152 soles. O site para comprar os ingressos é este: http://www.machupicchu.gob.pe/

A zona residencial de Machu Picchu
Como ir de trem de Cusco a Águas Calientes (Machu Picchu Pueblo)


Euzinha na Estação de Poroy, embarcando no trem Vistadome, em novembro de 2010
Duas empresas operam a rota Cusco-Águas Calientes, a PeruRail e a IncaRail.

Com a PeruRail são três tipos de trem saindo de Poroy, estação que fica nos arredores de Cusco, a 10 km da Plaza de Armas. Tem o luxuosíssimo Hiram Bingham (US$ 800, ida e volta), o Vistadome, muito confortável, com enormes janelas e teto envidraçado (entre US$ 167 e US$ 194, ida e volta, dependendo do horário) e o Expedition, confortável, mas com janelas “normais” (entre US$ 133 e US$ 165, ida e volta, dependendo do horário).

Os terraços de cultivo permitiam o aproveitamento das encostas para o plantio de alimentos e também tinham a função de sustentação e drenagem do solo

Na IncaRail, também são três categorias: Primeira (US$ 242, ida e volta), Executiva (US$ 167, ida e volta) e Econômica Premium (US$ 143, ida e volta). Também tem um serviço de vagão privativo, a "Classe Presidencial", mas não é para o bico de quase ninguém 😁.

Para ir a Poroy, é melhor contratar um táxi com antecedência, já que os trens saem cedo e você não vai querer passar sufoco logo no começo do passeio 😊.

A Estação de Poroy


O Vistadome tem janelinhas no teto, também
Na minha última viagem, em 2010, quando esses trens bacanas já estavam funcionando, eu fui de PeruRail no Vistadome e voltei de Expedition, que também tem janelinhas no teto, mas não oferece tanta visibilidade. Como a viagem foi à noite e não havia lua para iluminar a paisagem, deu pra dispensar a vista panorâmica sem problemas, com uma economia de cerca de US$ 30.


O bilhete do trem fica razoavelmente mais barato (uns 30% de economia), se você topar partir de Ollantaytambo, a 70 km de Cusco, no Vale do Urubamba (Vale Sagrado dos Incas). A vila é a única povoação inca com ocupação contínua desde os tempos do império e é um lugar que, com certeza, você vai visitar. O pernoite por lá para pegar o trem de manhãzinha é uma possibilidade a ser considerada.


O Vistadome serve um café da manhã bem decente. Na foto, minha irmã, Simone, e eu
O Vistadome serve café da manhã, bebidas quentes, refrigerante — um luxo, para quem se acostumou a disputar os choclos com queso, oferecidos nas paradas por vendedores pendurados nas janelas do Backpaker, o velho trem que fazia a rota Cusco-Águas Calientes há alguns anos, e que foi meu meio de transporte nas duas primeiras viagens.


Eu ainda peguei o Backpacker (o trem baratinho), saindo da Estação de Wanchaq, no Centro de Cusco, nas duas primeiras vezes que fui a Machu Picchu. Era mais cômodo para embarcar, pela proximidade da estação, mas a viagem ficava mais de uma hora mais longa, com o trem fazendo um interminável ziguezague nas curvas de nível da linha férrea.

Depois disso, a partida do Backpacker foi transferida para a Estação de Ollantaytambo. Hoje, ele não existe mais não existe mais.

Na ida, são três horinhas confortáveis, curtindo a paisagem
A viagem de trem entre Poroy e Machu Picchu leva em torno de 3 horas, na ida, e 4 horas, na volta. A diferença de tempo se deve ao fato de Cusco estar a 3.400 metros de altitude e Águas Calientes/Machu Picchu Pueblo estar a cerca de 2.300. A volta, portanto, é uma subida.

O interior do Vistadome

Como organizar a visita
O jeito mais confortável de visitar Machu Piccu é viajar para Águas Calientes de véspera, pernoitar e subir para o sítio arqueológico de manhã cedinho, antes da chegada dos trens e da maior parte dos turistas. Foi isso que fiz nas duas primeiras viagens e achei bem mais tranquilo. 

Águas Calientes cresceu, está bem mais arrumadinha e até mudou de nome
A oferta de hospedagem em Águas Calientes tem melhorado cada vez mais (vocês nem imaginam o moquifo onde dormi na primeira visita), mas tem uma coisa que continua valendo (e pra Cusco também): desconfie das pechinchas. Prefira pagar um pouquinho mais caro para ter certeza de que vai realmente ter uma noite confortável.


Lhaminhas fofas pastando em Machu Picchu e, à direita, o Rio Urubamba em Águas Calientes

A cidade melhorou um bocado, desde a minha primeira visita. Em 2002, o povoado era pouco mais que um arruamento precário que acompanhava um pedacinho dos trilhos do trem, com algumas ruazinhas que se enroscavam encosta acima. Em 2010, além de bares, restaurantes e cafés mais arrumadinhos, dava pra ver que a infraestrutura urbana também tinha melhorado.

Minha terceira vez em Machu Picchu, com minha camiseta da sorte (capa do LP dos Sex Pistols). À direita, minha irmã, Simone
Horário de visitas
O Sítio Arqueológico de MachuPicchu abre às 6 da manhã (viu como é bom dormir em Águas Calientes?) e a última entrada é às 16h horas. O parque fecha às 17 horas.

Para explorar e compreender Machu Picchu,
um mapa é fundamental - não estranhe a minha calça colorida. Ela é a representação da Whipala, a bandeira indígena boliviana 😎
De Águas Calientes a Machu Picchu
Do povoado de Águas Calientes, aos pés da "montanha sagrada", sai uma trilha para Machu Picchu. Nunca arrisquei a subida — eu não passo mal na altitude, mas o fôlego fica muito curto. Acho mais confortável subir com o ônibus.

Se você quiser, pode subir de ônibus e descer caminhando. Se o seu joelho for à prova de degraus.

A estação do ônibus para Machu Picchu, em Águas Calientes
A partida dos ônibus é de um pequeno terminal próximo à estação de trem (Avenida Hermanos Ayar). O serviço começa às 5:30h da manhã e funciona até as 16 horas (a última viagem de subida é às 15:30h).

Os bilhetes (ida e volta) custam US$ 24 e não dá pra reservar. Mas os ônibus saem um atrás do outro, então não há risco de você mofar muito tempo na estação, ainda que a fila esteja grande.


Como organizar a visita a Machu Picchu
A área de Machu Picchu tem cerca de 100 mil metros quadrados. Se fosse plana e estivesse no nível do mar, já exigiria um pouquinho (muito) de energia para ser explorada. Agora, imagine o sobe e desce — os degraus são bastante irregulares —a 2.400 metros de altitude e cerca de 170 espaços diferentes e fascinantes para visitar.

Então, é claro que você não vai ver tuuuudo. Mas em cerca de cinco horas dá para ver o principal e ainda tirar um tempinho para a contemplação sossegada, porque admirar o conjunto da cidade sagrada dos incas e as montanhas ao redor é o que há de mais gostoso pra fazer por lá.

O melhor a fazer é contratar um guia para cumprir o roteiro básico. O tour guiado leva cerca de duas horas. Depois, você fica à vontade para explorar a área por sua conta. Para isso, um bom mapa é fundamental.


Como já disse, o melhor é dormir em Águas Calientes, acordar muito cedinho e tentar pegar o ônibus das 5:30h. Os portões abrem às 6h e você terá mais de quatro horas antes da chegada dos trens com as levas de turistas que fazem o bate e volta.

Na minha primeira visita a Machu Picchu, eu cheguei obscenamente cedo e foi uma das experiências mais lindas da minha vida: a cidade ainda estava totalmente envolta pela neblina e eu parei em uma balaustrada para ver as “cortinas” se abrindo aos pouquinhos para o espetáculo. Fico com um nó na garganta só de lembrar, mesmo passados quase 15 anos.

A cidade sagrada dos incas está dividida em duas áreas bem distintas: a zona agrícola, com edificações mais rústicas para armazéns, e os famosos terraços de cultivo. A zona residencial fica na parte mais alta — e quanto mais você sobe, mais requintadas vão ficando as famosas paredes incas, com encaixes cada vez mais perfeitos e pedras cuidadosamente polidas.


Os terraços de cultivo de Machu Picchu são um prodígio. Eles permitiram o aproveitamento de cada pedacinho de encosta para a plantação de alimentos, com um sistema eficiente de drenagem do solo e de aproveitamento das águas da chuva para irrigação.

Na zona residencial, á uma clara hierarquia entre as construções — como eu disse, quanto , mais alto, mais chique. 

O Templo Principal e, abaixo, outro ângulo da construção, com o Templo das Três janelas ao fundo



Uma das estruturas mais famosas de Machu Picchu é o Templo do Sol, facilmente reconhecível por suas paredes curvas, cuidadosamente polidas e com encaixes impecáveis, como era praxe se fazer nos edifícios mais importantes.

Sob o templo há uma espécie de cripta onde se supõe que fossem realizados sepultamentos, possivelmente de incas (o termo designa imperadores, mas acabou virando sinônimo de quéchua, que é o nome do povo que construiu o famoso império).

Caminhando para o Norte, a partir do Templo do Sol, você chega à chamada Praça Sagrada, onde estão o Templo Principal, local dos principais rituais religiosos, e o Templo das Três Janelas ("Três Ventanas").  

Outra estrutura famosa é o Templo do Condor — confesso que precisei de três visitas a Machu Picchu para, finalmente, ver a ave talhada na pedra, mas, sim, ela está lá 😉.

No ponto mais alto, o observatório astronômico, onde fica a Intihuatana (à direita, "pedra de amarrar o sol", à direita), um calendário solar
O Observatório Astronômico fica num dos pontos mais altos da cidade, uma colina que que foi escavada para ganhar a forma de pirâmide. A senhora desse espaço é a Intihuatana ("pedra de amarrar o Sol"), que, hoje acredita-se, teria sido um calendário agrícola.

O povo quéchua (que a gente se acostumou a chamar de “inca”, a partir do título de seus soberanos) considerava filho do Sol e baseava seus rituais religiosos numa forte relação com o astro: a cada solstício de inverno, quando o sol estava mais afastado da terra, os quéchua rezavam, faziam oferendas e homenagens para que ele voltasse.

A Intihuatana permitia o acompanhamento do movimento solar, a partir da direção da incidência dos raios de sol sobre a pedra.

Águas Calientes
Confira todas as dicas, planejamento e roteiro desta viagem:
Peru e Bolívia: Roteiro de La Paz a Machu Picchu

O Peru na Fragata Surprise
Andahuaylillas, Raqchi e Pucará
Cusco
Lima
Puno
Vale do Urubamba (Ollantaytambo, Pisac, Chinchero)

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