segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O que fazer em Cusco



Haucaypata (Praça de Armas), o coração da cidade desde o tempo dos incas
O maior erro que se pode cometer em relação a Cusco é encarar a cidade como uma simples base para visitar Machu Picchu. Cusco é um mundo, um espetáculo que, sozinho, já justifica a viagem ao Peru. 

Aventure-se, vire a cidade do avesso, perca-se nas ruas ladeadas de paredes incas e traçado tortuoso. É impossível não se apaixonar para sempre  e já que você não pode ficar a vida inteira por lá, prepare-se com antecedência para aproveitar ao máximo esse espetáculo de cidade. 

Veja as dicas:

Praça de Armas de Cusco
Como aproveitar as atrações de Cusco

Leia antes de ir

Para apreciar mais plenamente as belezas da antiga capital dos incas, recomendo um pouquinho de leitura prévia — o prazer de ver a cidade cresce na proporção da nossa capacidade de entender contextos, reconhecer personagens e cenários.

Tem muita coisa publicada sobre a história de Cusco, livros que você encontra nas lojas da cidade e nas livrarias do aeroporto local e no de Lima.

Eu e minha irmã, Simone, no monumento a  Manco Capac e Mama Ocllo, a quem a mitologia atribui a fundação de Cusco
Talvez a obra mais importante sobre as tradições da Cordilheira, escrita ainda no período colonial, sejam os Comentários Reales de los Incas, de Inca Garcilaso de la Vega, filho de uma princesa quéchua e um comandante espanhol.

Garcilaso é considerado um fundador da literatura peruana, um pioneiro entre os escritores americanos e sua obra é absolutamente fascinante: o autor carrega em si o olhar dos dois mundos que se encontraram e se chocaram no alto da Cordilheira. São cerca de 600 páginas com grande poder hipnótico. Recomendo fortemente.


A arquitetura cusquenha tem o melhor da estética espanhola (foto) e do engenho e arte do povo quéchua (incas)
Contrate um guia
Outra boa fonte de informação são os guias locais, muitos deles estudantes e até professores de história e antropologia, todos muito apaixonados e orgulhosos do passado do povo quéchua.



Compre o Boleto (bilhete) Turístico
Um ingresso, 16 atrações. O Boleto Turístico de Cusco é imprescindível para ver alguns dos lugares mais espetaculares da cidade, arredores e Vale Sagrado dos Incas. Custa 130 soles e tem validade de 10 dias. Expliquei direitinho como funciona e quais as atrações incluídas neste post:
Cusco: O boleto turístico e outras dicas práticas

Paredes incas e balcões espanhóis
Não tenha pressa
E pegue leve: a cidade está a 3.400 metros de altitude e, nos primeiros dias, o soroche pode bater forte. Mais uma razão para você esticar um pouquinho a estada, já que querer ver tudo em ritmo de gincana põe qualquer um a nocaute. Quatro ou cinco dias são a conta ideal.

O que ver em Cusco


Toda a beleza do Templo do Sol
Qorikancha (Templo do Sol)/ Igreja de Santo Domingo
O monumento mais espetacular de Cusco, não só pelo requinte de sua construção, mas também pela importância cultura e religiosa que teve para os incas e por sua história posterior à colonização.
O Sol (Inti) era a divindade máxima do povo quéchua, o pai de todos eles, e seu templo era o centro da vida religiosa de Cusco. Com a chegada dos espanhóis, o local foi parcialmente desmontado para dar lugar à Igreja de São Domingos e suas belas paredes incas como base para a construção católica. Um terremoto se encarregou de botar abaixo parte do edifício colonial trazendo o Qorikancha de volta à luz.

O claustro de Santo Domingo
Não está incluído no boleto turístico. A entrada custa 6 soles. De segunda a sábado, das 8:30h às 17:30h. Domingos, das 14h às 17h.

Leia mais sobre o Qorikancha e sobre a Catedral neste post: 


A fachada da Igreja do Triunfo, que faz parte do complexo da Catedral
Catedral
Mais uma visita imperdível em Cusco. Ligeiramente elevada sobre a Praça de Armas, a Catedral ocupa o local do antigo Templo de Wiracocha (o deus da criação, para os incas) e incorpora uma série de elementos do imaginário quéchua em sua decoração interior. O complexo da catedral abarca, ainda as igrejas contíguas do Triunfo e da Sagrada Família. Preste atenção à belíssima coleção de pintura cusquenha que faz parte do acervo da catedral.

A entrada não está incluída no boleto turístico e custa 25 soles. Diariamente, das 10h às 18.

A Catedral é o edifício mais importante da Praça de Armas


Haucaypata (Praça de Armas)
Cercada por monumentos religiosos (Catedral, Igreja da Companhia de Jesus) e por vistosos palácios coloniais sobre arcadas, a Praça de Armas de Cusco permanece como o centro da vida social, cívica e religiosa da cidade, condição que conquistou ainda na era inca.

O melhor jeito de curtir a beleza e a harmonia arquitetônica de Haucaypata é escolher uma mesa em um dos muitos bares e restaurantes que funcionam nos balcões coloniais debruçados sobre a praça e ver a luz da tarde caindo sobre os belos edifícios que a circundam.

A igreja dos jesuítas, na Praça de Armas
Igreja da Companhia de Jesus
Construída no final do Século 16 sobre o antigo palácio do Inca (imperador) Huayna Cápac e reconstruída no Século 17, após ser arrasada por um terremoto, essa igreja barroca de Cusco já impressiona pela fachada em pedra finamente talhada. Seu interior é um verdadeiro museu de arte sacra, com um belíssimo altar-mor, altares laterais barrocos e platerescos e uma representativa coleção de pinturas da escola cusquenha.


Plaza de Armas s/n. Diariamente, das 9h às 11:30h e das 13h às 17:30h. Também não faz parte de boleto turístico. A entrada custa 10 soles.



Igreja e Convento de La Merced


Fiquei encantada com a beleza desse conjunto barroco do Século 17. O ponto alto, sem dúvida é o belíssimo claustro ajardinado do convento, cercado por dois pisos de galerias ricamente decoradas.


Entre as muitas obras de arte guardadas em La Merced, não deixe de ver a custódia de ouro e pedras preciosas com de 1,30 metros de altura, onde se destaca a segunda maior pérola já encontrada na planeta.

Calle Mantas s/n. De segunda a sábado das 8h às 12h e das 14h às 17h. Entrada: 6 soles.


Lhamas pastam placidamente no complexo do Kusicancha. Ao fundo, a torre de Santo Domingo
Kusicancha


Ao lado do Templo do Sol, esse sítio arqueológico em pleno Centro de Cusco exibe os restos de uma espécie de centro ritual onde eram produzidos os materiais para as cerimônias no Qorikancha. Cerâmicas, tecidos, bebida e comida eram preparados em diferentes pavilhões. No local também foram encontradas tumbas, possivelmente de sacerdotes.

Calle Mauri s/n, de segunda a sexta, das 7h às 14:45h. Entrada gratuita.

São Francisco: a fachada rústica abriga uma boa pinacoteca
Igreja e Convento de San Francisco

Uma autêntica pinacoteca de mestres da pintura cusquenha. O destaque é a tela de 12 x 9 metros retratando a sobre a genealogia da família franciscana. 

Plaza San Francisco s/n. De segunda a sexta, das 9h às 12h. e das 15h às 17:45h. Sábado, das 9h às 12h. Entrada gratuita.

Estreita e íngreme, a rua era o início de uma antiga rota inca
Calle Hatun Rumiyoc
Ligando a Plaza de Armas ao Bairro de San Blás, essa rua era o início da antiga rota inca que levava ao Antisuyo — a “província” amazônica do império. 

Ela é mais famosa pela impressionante parede inca do antigo Palácio de Inca Roca, hoje integrada ao Palácio Arquiepiscopal (onde está pedra de 12 ângulos). Um primor de engenharia, a parede foi montada com encaixes precisos das pedras. 

A Pedra de 12 ângulos e um marco que aponta o caminho ao Antisuyo
Aproveite o passeio pela Calle Hatun Rumiyoc para comprar artesanato nas muitas lojinhas que funcionam nessa rua e em suas transversais.

San Blas é bairro de artesãos e de bons restaurantes

Barrio de San Blas

Boêmio, charmoso e menos muvucado que o Centro de Cusco, San Blas rende um ótimo passeio e combina com almoço ou jantar mais relaxado e menos turístico em um dos bons restaurantes da vizinhança. É o bairro dos artesãos, cheio de pequenos ateliês onde trabalham nomes famosos e anônimos. Não deixe de dar uma olhana na Igreja de San Blas, do Século 16, que tem um púlpito em madeira talhada famoso.

Arredores de Cusco

Saqswayamán
Nas montanhas que circundam a cidade, quatro atrações são simplesmente imperdíveis: Saqswayamán, Q'enko, Puka-Pukará e Tambomachay. Todas estão incluídas no boleto turístico.

O city tour de Cusco passa pelas quatro construções, mas a melhor maneira de explorá-las é por conta própria, no seu ritmo, contratando um guia na cidade para uma visita individual.

Outro jeito legal de ver as quatro atrações é num passeio a cavalo, com direito a explorar as montanhas e visitar também o Templo da Lua, de difícil acesso a pé e aonde não se chega de ônibus ou automóvel.

A cidade vista de Saqswayamán
Saqswayamán é talvez a mais bela construção inca, um espaço ritual fortificado que muitos dizem ter sido traçado no formato da cabeça de um puma. O Inti-Raymi, a Festa do Sol, é celebrado na grande explanada de Saqsaywamán, no Solstício de Inverno.

Q'enko,  ou "o labirinto", era um local de celebração de rituais religiosos. Pukapukará, uma espécie de tambo (hospedaria) e posto de vigia, oferece uma vista magistral para a a imensidão de vales, matas e montanhas que cercam Cusco. Tambomachay, as termas do Inca, ainda tem água corrente que vem das montanhas.


Confira todas as dicas, planejamento e roteiro desta viagem:


O Peru na Fragata Surprise
Andahuaylillas, Raqchi e Pucará
Lima
Machu Picchu
Puno
Vale do Urubamba (Ollantaytambo, Pisac, Chinchero)

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