domingo, 14 de novembro de 2010

Onde comer em Cusco

Balcão sobre o pátio do Restaurante Pachapapa:
bom achado em San Blas
Cusco sempre fez muito bem para os meus olhos, mas muito pouco por meu paladar. Extasiada com a beleza da cidade, sempre me surpreendia suspirando de saudades de Lima, na hora das refeições. Quando me perguntavam sobre a culinária do lugar, lamentava dizer que beliscar choclos com queso e “churrasquinho-de-gato” de carne de lhama, nas áreas menos turísticas, tinham sido experiências gastronômicas mais gratificantes do que as vividas nos restaurantes da cidade.

Esta nova visita, porém, vai me obrigar a uma retratação: comi muitíssimo bem em Cusco. E não só porque pesquisei mais sobre restaurantes. Mesmo os lugares que resolvi arriscar, descobertos de passagem, surpreenderam positivamente.

Oferendas a Pachamama no pátio do Pachapapa
A memória mais excitante que eu tinha da culinária da Sierra, até essa terceira viagem, era o jantar da véspera de meu aniversário de 2002, num pequeno restaurante de Águas Calientes. Naquela noite, convenci dois incautos amigos a provar um assado de cuy (porquinho-da-índia que é considerado iguaria, na Cordilheira).

O bicho veio inteirinho na travessa, com bigodes unhas e tudo mais... Foi como se tivéssemos jantado Topo Giggio em pessoa (eu contei essa história aqui).

Eu precisava muito me reconciliar com a gastronomia cusqueña e a cidade correspondeu perfeitamente.

Onde comi bem em Cusco

Brava
Portal Espinar 144. Fone 51-84-244664
As arcadas (ou portais) de Cusco 
Foi escolhido ao acaso, quando decidimos jantar meio tarde, para um domingo, e ele era um dos raros restaurantes abertos, às 23 horas. Fica na mesma arcada (ou portal, como se chama em Cusco) do hotel que estávamos hospedadas, o Sonesta Posada del Inca.

A cozinha italiana com toques locais do Brava não decepciona. Pedi fettuccine com aji amarelo, creme de trutas defumadas e langostinos, prato que que estava realmente notável.

O ambiente é bem contemporâneo e eles esticam a happy hour até às 23h, com os drinques à base do "tome dois, pague um". Mas eu preferi tomar um bom vinho de Tacna e não me arrependi. A conta: 45 soles por pessoa (cerca de US$ 16).

Two NationsCalle Arequipa 159, Q'hapchikijilu

O Two Nations funciona no pátio de um antigo palácio colonial. À direita, eu e Simone curtindo uma cerveja Cusqueña
Outra boa surpresa, um restaurante que faz cozinha local com toques australianos (!!). Funciona num simpático pátio de um prédio colonial, bem pertinho de Santa Catalina e do antigo Palácio de Tupac Yupanqui. É um bom lugar para uma relaxada no meio do dia, devidamente acompanhada de uma cerveja Cusqueña.

O pátio do Two Nations
Serve algumas curiosidades, como filé ao molho de coca. Fiquei particularmente interessada no carpaccio de alpaca. No fim, eu e Simone dividimos um filé apimentado com legumes salteados. Veio tostado por fora e vermelhinho por dentro — exatamente como eu gosto —, numa porção mais que suficiente para duas pessoas e estava delicioso. A conta, com várias Cusqueñas, foi de US$ 13 por pessoa.

The Crown
Portal Confituria 233, primeiro andar, em frente à Plaza de Armas. Tem WiFi e também serve café da manhã.

The Crown, boa trilha sonora na Plaza de Armas
Este um pub tem uma vista matadora para a Catedral, instalado no primeiro andar de um dos prédios da Plaza de Armas. Além da trilha sonora perfeita — o velho e bom Rock'n'Roll — o lugar serve pratos tailandeses de responsa, com um serviço muito simpático. Com bebidas, a conta foi de 40 soles.

Jantarzinho thai no The Crown
Trattoria Adriano
Calle Mantas 1205, esquina com Avenida El Sol

Algumas noites, a preguiça batia pesado, depois de um dia inteiro de caminhadas pela cidade e arredores — os 3.400 metros de altitude de Cusco gostam de se fazer notar... Nessas horas, era só atravessar a rua e comer uma pasta simples e caseira ou tomar uma sopinha revigorante, na Trattoria Adriano, bem em frente ao hotel.

 A lasanha a bolonhesa foi responsável pela minha ressurreição, numa dessas noites. Por um prato de massa, com uma taça de vinho, a conta fica em torno dos 30 soles.

Pachapapa
Plazoleta San Blas 120, fone: 51-84-241318

O Pachapapa. Repare o forno a lenha, à esquerda 
Este restaurante no charmoso bairro de San Blas sepultou de vez todas as dúvidas que eu poderia ter em relação à culinária da Sierra. Os Chicharrones (pedaços de porco crocantíssimos) de entrada e o aji de gallina (frango num espesso molho apimentado) como prato principal estavam deliciosos. Adorei, também, o Pisco-Maracuya, drinque refrescante (sim, faz calor em Cusco, e muito, durante o dia), perfeito para variar do Pisco Sour.

O restaurante fica num lindo pátio ensolarado — mesas protegidas por guarda-sóis — de uma das casas da Plaza San Blas. Além dos balcões debruçados sobre o pátio, o forno a lenha e as oferendas a Pachamama dão a sensação de que estamos no quintal da casa de alguém, conversando sem pressa e sendo muito bem tratadas. A conta? 36 soles.

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