domingo, 26 de setembro de 2010

San Gimignano, a cidade das torres

A cidade vista do jardim 
da Rocca de Montestaffoli
Hoje foi dia de despedidas. Amanhã cedo estarei a caminho de Roma e de horas intermináveis de voo, de volta a Brasília. Então, tinha que ser um dia muito especial: fui finalmente conhecer San Gimignano, a pequenina pérola toscana “com mais torres que habitantes”— claro que isso é uma brincadeira, mas San Gimignano, com sete mil habitantes, gosta de se apresentar ao mundo como a "a cidade das torres".

Seguindo a trilha em torno das muralhas, a gente 
tem a sensação de que está pairando sobre a Toscana

Dizem que na Idade Média, cada família abastada construía a sua torre. A pequena e orgulhosa república chegou a ter 72, no auge de sua pujança, no Século XII. Muitas já ruíram, eu contei 14 ainda de pé, mas deve haver mais.

A cidade é um destino perfeito para um bate e volta, a partir de Siena: a parada de ônibus fica a pouco mais de uma quadra do meu hotel, no centro da cidade. É uma linha do tipo pinga-pinga, coisa que na Toscana significa atravessar cidadezinhas simpáticas, belos campos, com todas aquelas cores inacreditáveis (o outono aqui é mesmo um escândalo de bonito).

Na Idade Média, cada família abastada construía a sua torre. Dizem que San Gimignano chegou a ter 72 delas. Hoje, restam 14 ainda de pé
Os companheiros de viagem dizem buon giorno ao subir no coletivo e desejam auguri (sorte) quando chegam às suas paradas. Após cerca de uma hora de percurso — uma breve imersão no cotidiano da região —chegamos ao estacionamento que fica fora das muralhas de San Gimignano, bem em frente à Porta de San Matteo. O centro antigo da cidade não aceita automóveis.

A cidade ainda é toda cercada por muralhas e os carros ficam do lado de fora. Os ônibus param em frente à porta principal de San Gimignano
GoogleEarth ao vivo: a vista to topo da Rocca
Postada no alto de uma montanha, a cidade velha San Gimignano é totalmente cercada pelas muralhas medievais. Em torno desse cinturão estão os bosques de pinheiros, cortados por uma deliciosa trilha que contorna todo o perímetro dos muros.

Os caminhos, pavimentados de pedriscos, estão bem sinalizados, ladeados por banquinhos à sombra, sempre com vista para o abismo e para as cores outonais da Toscana, lá em baixo. Dá para dar a volta completa na cidade antiga, parando nos mirantes mais espetaculares para curtir o sossego e o cheiro de pinho.



Uma cidade que recebe a gente desse jeito não precisa oferecer mais nada para despertar paixões. Mas espere até atravessar as muralhas. Lá dentro, duas praças concentram os principais edifícios, a do Duomo e a da Cisterna. Ruazinhas muito antigas e silenciosas convidam para horas de caminhadas, fuçando as lojinhas de artesanato — a cidade tem longa tradição em peças de feltro e de alabastro — e saboreando o famoso gelatto local.

Guarde alguma disposição para a parte mais bacana da visita: do centro da cidade, perto do Duomo, uma ladeira muito íngreme leva até o ponto mais alto da cidade, o topo da Rocca de Montestaffoli, onde estão as ruínas de uma antiga fortaleza. A velha Torre de Vigia, ainda de pé, é um espetacular balcão sobre a Toscana.


Leve um farnelzinho, pois a Rocca está cercada por um parque muito agradável e, dentro das muralhas em ruínas há um jardim perfeito para recuperar o fôlego e fazer um piquenique aproveitando a vista quase hipnótica dos telhados e campanários da cidade.

Só não deixe o piquenique saciar todo o seu apetite, porque San Gimignano reserva grandes surpresas para o paladar. O ideal é almoçar na companhia do maior orgulho da cidade, o Vernaccia, vinho branco que carrega a cidade no sobrenome e é uma tradição que remonta ao Século XIII. Eu saboreei duas taças enquanto traçava um belo agnello al forno (cordeiro assado). O maior espetáculo da refeição, porém, é a sobremesa, o Panforte di San Gimignano, bolo à base de amêndoas. É um doce típico da Toscana, mas os locais fazem cara feira para a generalização. Dizem que o feito por eles é especial. E quer saber? É mesmo.


Dicas práticas


Piazza della Cisterna
Como chegar
Para quem está em Siena, não é preciso nem ir até à Rodoviária, pois o ônibus passa pelo Centro, na Viale Cavour. A passagem custa € 6, (informação atualizada em 1/12/2013).

Para checar, horários e itinerários, consulte o site da Toscana Mobilitá, que dá informações sobre toda a região

Onde comer
Ristorante Le Vecchie Mura, Via Piandornella nº 15, perto bela Piazza della Cisterna. Tem um disputadíssimo terraço sobre as muralhas, que oferece vistas incríveis para os campos da Toscana. Infelizmente, não pude almoçar do lado de fora, pois o terraço fecha durante os meses de frio.

No verão, é imprescindível fazer reserva para pegar uma “mesa com vista”. O cordeiro estava bem gostoso, mas quem bateu um bolão mesmo foi o Panforte da sobremesa.

Comprinhas
Um dos orgulhos de San Gimignano é o artesanato em alabastro. Todas as lojas de lembrancinhas da Via San Matteo vendem caixinhas talhadas nesta pedra muito branca, quase translúcida, que são ótimas lembrancinhas de viagem. As caixinhas são arrematadas por tampas muito delicadas, numa espécie de “renda”, feita de metal, que não deixa de ter alguma semelhança com a filigrana de Toledo.

Também estão por toda parte as peças de feltro. Comprei uma bolsa maravilhosa deste material.

Lojinha de peças de alabastro 

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Vêneto: Burano e Veneza


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2 comentários:

  1. Adorei essa cidade. As torres, as ruelas estreitas e, claro, o autoproclamado Melhor Sorvete do Mundo (não é, mas é uma delícia!). Fizemos um bate-volta, mas é um lugar onde vale a pena se hospedar!

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    Respostas
    1. E tem o Vernaccia, que é bom pra caramba, né Fábio? Também acho que San Gimignano merece mais que o bate e volta, apesar de ser tão pertinho de Siena.
      Abs
      PS: ~Todo mundo~sabe que o melhor sorvete do mundo é o da Sorveteria da Ribeira, em Salvador, rsssss

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