quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Natal e Ano Novo em Madri:
Temporada alto astral


Plaza de España

No final de 2006, eu queria inventar um Réveillon diferente. Sem aquelas festas chatas e sem felicidade com hora marcada. Escolhi Madri e acertei em cheio: a cidade me proporcionou uma das viradas de ano mais divertidas da minha vida. E olha que eu estava viajando sozinha!

Madri ferve na virada do ano. A confraternização começa no Natal e se estende até a festa dos Reis Magos (6 de janeiro) quando é feita a troca de presentes entre parentes e amigos. Na véspera, Madri para para ver a Cabalgata de Reyes (Cavalgada dos Reis), um enorme desfile de carros alegóricos e gente fantasiada, na noite de 5 de janeiro.

Entre o Natal e Reis, parece que todos os madrilenhos estão nas ruas, escolhendo presentes, encontrando amigos, comprando perucas absurdas, apitos e cornetas para o Dia de los Santos Inocentes — e fazendo um barulho infernal com eles —, no Mercadillo de Navidad, na Plaza Mayor.

Sou apaixonada pelas fachadas do Centro Histórico da capital espanhola, área também chamada de Madri de los Áustrias, em alusão à dinastia Habsburgo, que reinou na Espanha entre 1519 e 1700
Chegar em Madri nesta época é sucumbir ao efeito de uma felicidade instantânea — talvez aquela felicidade que as pessoas buscam no Réveillon brasileiro, só que sem a obrigação de usar salto alto na areia da praia e de abraçar efusivamente pessoas pra quem a gente não liga muito o resto do ano. A alegria aqui é sem afetação, meio doméstica, suave.

Suave, mas abarrotada: estar em Madri entre o Natal e o Ano Novo é estar permanentemente cercado por multidões. Por exemplo: estava louca para provar os maravilhosos doces de La Mallorquina, na Puerta Del Sol, mas nem o refinado treinamento dos meus cotovelos, adquirido em muitos Carnavais da Praça Castro Alves, foi capaz de vencer a massa compacta, eternamente postada na porta da confeitaria — só no quarto dia de esforço consegui acesso ao paraíso.

Não tem importância: a cada tentativa frustrada, bastava caminhar uma quadra pela Calle de Arenal e comer um dos deliciosos sanduíches de pão de miga de Las Tapas de Ferpal. O sanduíche de patê de lagosta, servido no balcão, com uma taça de vinho, é irresistível.

Detalhe de uma taberna do Barrio de las Letras, que ganhou esse nome em função de muito moradores ilustres, como Lope de Vega e Cervantes
Doze horas depois do meu desembarque em Madri, uma bomba explodiu no estacionamento do Terminal 4 do Aeroporto de Barrajas, matando dois equatorianos que dormiam em seus carros enquanto aguardavam o voo que chegaria de Quito. Foi a segunda ação do grupo separatista basco ETA a ocorrer na minha “vizinhança”. Em 2005, quando percorria o Caminho de Santiago, uma bomba havia explodido em Compostela, também num estacionamento, dias antes de eu chegar à cidade.

Os jornais só falavam do assunto, mas o atentado não arrefeceu a euforia das ruas de Madri. As pessoas com quem conversei não demonstravam grande preocupação com o episódio: “Uma insensatez”, diziam. Mas não demonstravam estar aterrorizados. Ninguém cogitava, por exemplo, deixar de ir à Porta do Sol, no Ano Novo, por medo de uma nova ação do ETA.

Se eles estavam calmos, não era eu que ia me preocupar. Desde a minha primeira hora em Madri, tratei de aproveitar ao máximo o bom astral da cidade, o movimento incessante das ruas e a gentileza de um inverno europeu a 12 graus de temperatura. Em menos de 24 horas, eu já estava completamente apaixonada pela cidade.

Calle de Alcalá, uma das ruas mais movimentadas do Centro de Madri

Onde me hospedei

Hotel Gran Atlanta
Calle Comandante Zorita 34 (Estação de Metrô Nuevos Ministérios).

 Hotel bem convencional, padrão três estrelas, com serviço impessoal, mas correto. A calefação central não tinha controle individual nos apartamentos, o que me faz passar algum calor no quarto, sem que a administração conseguisse resolver o problema.

Fica numa área segura e bem servida de transportes, próxima de uma loja do El Corte Inglés e do Estádio Santiago Bernabeu, do Real Madrid. Na semana entre o Natal e o ano novo, paguei 80 Euros no apartamento single.


Mais sobre Madri
Dicas gerais
Hospedagem em Madri – o animado bairro de Chueca
Excelente destino pra quem viaja sozinha
O Mercado de San Miguel e outros lugares para comer bem no Centro Histórico
Comida madrilenha: callos e outras delícias
Como aproveitar uma conexão: 8 horas em Madri
A noite de Madri: farra para todas as idades
Dica de hospedagem próxima ao aeroporto de Barajas
Passeios e atrações
Madri desencanada: Chueca e Malasaña
Domingo em Madri: o Rastro e o Retiro
Roteiro em Madri: da Praça de Espanha ao Palácio Real
Passeio pelo Barrio de las Letras
Um passeio pelo Século de Ouro (e todas as atrações são grátis!)
Roteiros literários: a Madri dos Áustrias 
Três museus que valem a viagem
Ano Novo em Madri: como é a festa na Porta do Sol

A Espanha na Fragata Surprise
Andaluzia: CádisCórdobaGranadaRonda e Sevilha
Castela e La Mancha: Toledo
Catalunha: BarcelonaGirona Tarragona
Galícia: Santiago de CompostelaCaminho de Santiago e cidades da rota


Curtiu este post? Deixe seu comentário na caixinha abaixo. Sua participação ajuda a melhorar e a dar vida ao blog. Se tiver alguma dúvida, eu respondo rapidinho. Por favor, não poste propaganda ou links, pois esse tipo de publicação vai direto para a caixa de spam.
Navegue com a Fragata Surprise 
Twitter     Instagram    Facebook    Google+

Nenhum comentário:

Postar um comentário