sábado, 16 de julho de 2005

Salzburgo:
a rota da Noviça e outras dicas

Salzburgo vista do Nonnberg, o convento onde Maria von Trapp foi noviça (e meio rebelde)
É irresistível: visitar Salzburgo, a terra de Mozart, também é ser enredada nos cenários e climas de um dos musicais mais assistidos e amados da história do cinema. A Noviça Rebelde (The Sound of Music, Robert Wise, 1965) ambientado e filmado lá, atrai milhares de turistas à cidade todos os anos, loucos para embarcar em excursões embaladas pela trilha sonora do filme e ver de perto as locações da história que quase todo mundo sabe de cor.

Salzburgo, porém, tem muitos encantos além das memórias da noviça Maria von Trapp e sua família. É um encanto feito de arquitetura barroca, de uma pujança que remonta aos primeiro milênio da nossa era e de um horizonte alpino emoldurado por montanhas. Uma paixão que já visitei duas vezes e nem penso em dar por encerradas as minhas andanças por lá.

O Hohensalzburg, o castelo dos arcebispos que governaram a cidade por quase mil anos
Nesta postagem, organizei algumas dicas que vão ajudar você a planejar sua viagem. Para ver outras atrações na cidade, veja esse post: Salzburgo, minhas coisas favoritas

As dicas para visitar as casa de Mozart em Salzburgo estão aqui:
Casas-museus: a vida cotidiana de gente muito especial

🎵 Climb every mountain...🎵
O Unterberg, a montanha mais famosa da região, é uma das molduras do horizonte de Salzburgo
Como Chegar
Salzburgo está a 370 quilômetros de Viena, um agradável percurso de trem por belas paisagens, que fica ainda mais gostoso se você topar fazer um desvio para conhecer Melk, Dürnstein e outras preciosidades da Wachau, o trecho mais bonito do Danúbio, pontuado por muitos vinhedos, castelos e outras preciosidades medievais. Foi assim que cheguei lá nas duas visitas à cidade.

Os trens de Viena para Salzburgo partem de hora em hora de Hauptbahnnhof (a estação central) ou de Westbahnnhof. Os horários e preços das passagens você consulta no site da companhia austríaca, a ÖBB.

Um charme local: os campanários com cúpulas em formato de cebola, típicos dos Alpes
Outra boa maneira de chegar a Salzburgo é via Munique, a cerca de uma hora e meia de viagem — Salzburgo está encostadinha na fronteira com a Alemanha — atravessando uma região de lagos e montanhas de beleza extasiante. Veja os horários e preços dos trens no site da DeustscheBahnn.
Salzburgo também tem um aeroporto  e recebe voos de diversas cidades da Europa.

A Linzer Gasse, rua do Centro Histórico onde fiquei hospedada na minha segunda visita, fotografada da janela do meu quarto de hotel. As lojas de Salzburgo não usam letreiros convencionais, para não descaracterizar as fachadas dos edifícios e recorrem a essas placas de ferro que dão um encanto a mais à cidade

Hospedagem
A oferta de hospedagem é farta e o capricho local faz da mais simplezinha das pousadas um lugarzinho sempre aconchegante. Fora da muvuca dos dias de Festival, dá para chegar sem reserva e recorrer ao Escritório de Turismo da cidade, que tem um posto na Estação Ferroviária.

Foi através deles que descobri os simpáticos Adlerhof Hotel (Elisabethstraße 25) e o Goldene Krone (Linzer Gasse 48). O primeiro fica fora da área considerada como Centro Histórico, mas tudo aqui é tão pertinho que vale a pena. O segundo fica numa das ruas mais conhecidas da Cidade Velha, aos pés do Kapuzinnenberg. Ambos estão na faixa de preço dos 50 a 70 euros, dependendo da época e da antecedência da reserva. São duas boas opções.

O tour da Noviça Rebelde
O Nonnberg, convento de Maria von Trapp, com a famosa cúpula vermelha de sua igreja se destacando na paisagem. Subir até lá a pé é um passeio muito agradável
A Noviça Rebelde atrai mais turistas a Salzburgo do que a magnífica paisagem, o patrimônio histórico ou a memória de Mozart, o filho mais célebre da cidade. A oferta de passeios e atividades temáticas em torno do filme ameaça transformar Salzburgo numa espécie de "Disneylândia monotemática"— o que seria um desperdício imperdoável — mas, se você souber usar com moderação, seguir a rota da Noviça pode ser um programa divertido.


A igreja do Nonnberg. Abaixo, a entrada do convento e, sim, claro, você conhece esta fonte. Ela aparece "em close" quando Julie Andrews canta I have confidence. Fica em frente à Catedral

O Sound of Music Tour tem saídas diárias às 9:30h e às 14h, do Terminal de ônibus de Mirabellplatz, em frente a Sankt Andrä Kirche (Igreja de Santo André).

Durante cerca de quatro horas, os turistas percorrem algumas locações do filme, com direito a muita cantoria no ônibus, durante os deslocamentos.Se você faz questão de ver os cenários mais famosos do filme, vale a pena fazer o tour, pois alguns deles são distantes do centro da cidade.

🎵 Dó, ré, mi... 🎵
O número musical mais famoso do filme percorre diversos pontos de Salzburgo. Um deles é o jardim do Palácio Mirabell, do Século  17, construído por um arcebispo da cidade para sua amante, Salomé Alt
O Palácio de Leopoldskron (à direita), foi usado como um dos cenários da residência do Capitão von Trapp e seus filhos
É o caso da  “casa dos von Trapp” (na verdade, o exterior dos palácios de Leopoldskron e Hellbrünn), a igreja onde foi filmado o casamento de Maria com o Capitão (a catedral da cidadezinha de Mondsee) e a paisagem da cena de abertura, no Lago Fuschl, na belíssima região de Salzkammergut. A tarifa para adultos é de 37 euros, mas não há guias em português.

Abadia de Nonnberg



 A cúpula vermelha em formato de cebola da igreja da Abadia é uma visão onipresente na paisagem de Salzburgo. O convento, fundado no Século 8, é a mais antiga clausura feminina ao Norte do Alpes ainda em funcionamento.

A “Montanha das Freiras" é, na verdade, uma ponta no extremo Sul do Mönchsberg, a montanha que domina toda a cidade e onde está construída a Fortaleza dos Arcebispos, o Hohensfestung.  

Nonnberg é o convento onde Maria von Trapp vivia, até ir cuidar dos filhos do capitão, e várias cenas do filme foram rodadas aqui.

Na subida para o Nonnberg, experimente contar quantos campanários despontam no horizonte se Salzburgo (não muuuuitos). este é o de Kajetanerkirche, ou Igreja de São Caetano
Para chegar à Abadia , há três caminhos, mas o meu preferido é a subir pelos Nonnbergstiege, a longa escadaria que começa em Kaigasse. A Igreja pode ser vista desde as 7 da manhã até escurecer, mas preste atenção ao horário das missas, quando a visitação turística é interrompida. 

E leve moedas. Você precisará delas para acionar a iluminação da igreja e ver os lindos murais do Século XII que adornam o coro.

Abadia de São Pedro
St. Peter-Bezirk nº 1 


Sobre o portão principal da abadia está um dos belos relógios de sol de Salzburgo. À direita, a imagem de São Pedro nos jardins 
Esse é um dos melhores programas de Salzburgo, especialmente para quem gosta de arquitetura. A Abadia fica na área mais antiga da cidade e, embora sua data de fundação tenha se perdido, sabe-se que o lugar passou por uma grande reforma no Século 7 (!!!).

Do românico ao rococó, há belíssimos exemplos arquitetônicos que pedem uma visita sem pressa. Perto das catacumbas, com um pouco de sorte, consegue-se comprar pão quentinho, recém saído do forno da Abadia (madrugadores, correi!). Os afrescos rococó da igreja de São Pedro são de rasgar a roupa.

Hohensalzburg, o castelo de Salzburgo


O Hohensalzburg pairando sobre a cidade
Se eu tivesse que escolher o castelo mais impressionante que já vi, acho que a fortaleza dos arcebispos bispos de Salzburgo ganharia o título. A construção branquinha, pairando sobre aquela cidade linda, realmente tem um efeito cênico poderoso sobre os olhos do visitante.

O Hohensalzburg é a própria definição da imponência. Mesmo assim, tem cantinhos absolutamente doces, que parecem traçados com lápis de cor. É pra cair de paixão.

Tão imponente, mas parece desenhado em lápis de cor...
Um relógio de sol e uma árvore centenária em um dos pátios do castelo
No Século 8, Salzburgo era uma cidade-estado (não vinculada a um reino), governada por um arcebispo, uma situação peculiar que a manteve sob a influência do Sacro  Império Romano-Germânico, mas com bastante autonomia. A construção do castelo foi iniciada no Século 11, com a consolidação do poder supremo da igreja sobre a cidade.

Na subida para o castelo, diversos bastiões serviam de posto de controle de acesso. À direita, a catedral vista de uma dessas fortificações
É bem difícil caminhar pelo Centro Histórico de Salzburgo sem enxergar a fortaleza. Lá do alto, a vista é arrebatadora: a cidade inteirinha a nossos pés e os Alpes por todo o horizonte. A Reckturm, uma das torres de vigia, é o ponto favorito para as fotos, oferecendo 360 graus de visão para Salzburgo e as montanhas.

O castelo é considerado uma das maiores estruturas do Século 11 ainda de pé na Europa e seu grau de preservação é impressionante. A longa rampa de acesso (montanha acima), as muralhas e bastões da fortaleza não deixam dúvidas: o Hohensalzburg era virtualmente inexpugnável.



Explorando sua sucessão de pátios, torres e pavilhões, porém, a gente pensa mais na vida cotidiana do quem em cercos e assédios. Lá está o poço que garantia o abastecimento de água, os relógios de sol que marcavam a hora das preces, os depósitos de grãos...

Essa singeleza externa contrasta com o requinte dos Fürstenzimmer (conjunto de aposentos privados do arcebispo), com suas paredes e forros recobertos de madeiras nobres e rica decoração.

Detalhe da decoração dos aposentos dos arcebispos, no Hohensalzbur, e uma peça da coleção de arte sacra

Marionetes da coleção do Hohensalzburg
A visita ao castelo dos arcebispos fica muito melhor com o audioguia, que oferece não apenas as explicações básicas sobre o que estamos vendo, mas também um bocado de contexto histórico, tornando o passeio mais saboroso.

Das muralhas do Hohensalzburg dá para avistar a cidade toda

Hohensalzburg - Diariamente, das 9:30h às 19h (16:30h, no inverno). A entrada custa € 11,30, com direito a usar o funicular — acredite, você vai querer chegar lá no alto desse jeito, pois a subida a pé é um absuuuuurdo. Mas experimente descer caminhando, porque o percurso é bonito, com perspectivas bem legais da cidade.


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