sexta-feira, 1 de julho de 2005

Um dia no Castelo de Praga

As torres da Catedral de São Vito, no Castelo de Praga,
lá no alto, estão sempre ao alcance da vista
Reserve um dia inteiro para ver o Pražský hrad, o Castelo de Praga, e o lindo bairro de Hradcany, região onde se iniciou a povoação da cidade. Hoje, o Bairro do Castelo é uma sucessão de palácios e jardins espetaculares, alguns deles com vistas maravilhosas para a cidade, lá embaixo.

O jeito mais bacana de chegar ao Castelo
O prazer da visita ao Castelo começa bem antes da gente chegar lá: é muito bacana admirá-lo de longe, de diversos ângulos (praticamente de qualquer lugar, à beira do Rio Vltava e de Mala Strána, coração do Centro Histórico). Depois, é mais bacana ir chegando aos pouquinhos. Esqueça o bonde e vá a pé, subindo a histórica Rua Nerudova. A ladeira vai cobrar bastante do seu fôlego, mas a beleza do casario vale o esforço.

A subida da Rua Nerudova, um dos acessos ao Castelo,
exige algum esforço. Mas o encanto das fachadas compensa
Observe a decoração das fachadas, com detalhes únicos em cada edifício. Essa era a forma de identificar as residências, antigamente, já que as casas não tinham numeração. Os endereços eram mais ou menos assim: “Rua tal, na casa do carneirinho”, ou “Rua Y, na casa dos dois sóis” —  tem jeito mais lindo do que esse?


A decoração das fachadas substituía a numeração. 
Eu queria ter um endereço assim...
As casas dos violinos e da Medusa
atraem filas de turistas para as fotos
Mas também dá para ir de bonde
Se subidas íngremes não forem a sua praia, você pode chegar ao Castelo de Praga com o Tram (bonde) 22, que sobe de Mala Strana para o Bairro do Castelo. A maioria das pessoas desce do bonde na parada Pražský hrad, a mais cômoda.

Entretanto, sugiro que você desça parada Pohořelec e caminhe, ladeira abaixo, passando por Loretánská (Igreja e Convento de Loreto), para admirar seu campanário barroco, e por belos palácios, entre eles os famosos Martinicky e o Toscano.

A Igreja de Loreto, no Bairro do Castelo
O Plaácio Toscano (à direita) é um dos encantos de
Hradčanské náměstí, a praça do Bairro do Castelo
A visita ao Castelo
Há dois tipos de ingresso para o Castelo, mas recomendo fortemente que você compre o mais caro (350 CZK) para fazer o roteiro completo, com acesso a todas as áreas. Os visitantes recebem um mapa explicativo para transitar entre os muitos pátios e pavilhões internos. Recomendo, ainda, o aluguel do áudio-guia, para compreender melhor a história, a arquitetura e as muitas obras de arte expostas — pena que não tenha o roteiro em português.

Não se assuste com esses brutamontes de pedra na entrada do Castelo, Tirando as estátuas, todo o resto é bem cordial :)
A entrada do Castelo. O O edifício à direita  é a sede do governo da República Tcheca
O Castelo é imenso (72 mil metros quadrados) e suas origens remontam ao Século 9, quando a área começou a ser fortificada pela dinastia fundadora do reino da Boêmia. Seu edifício mais famoso é a Catedral de São Vito, construção gótica do Século 14.

Um detalhe interessante é que essa igreja sofreu diversas alterações ao longo dos séculos, o que coloca, lado a lado, vitrais medievais e outros desenhados por Alfons Mucha, o maior expoente tcheco do Jugendstil (vertente da Art Nouveau característica das regiões do antigo Império Austro-Húngaro).
A Catedral de São Vito, edifício mais conhecido do Castelo,
 tem vitrais de diversas épocas...
... incluindo esse, de Alfons Mucha, expoente da Art Nouveau
Entre as demais atrações do Castelo, não deixe de ver a Basílica de São Jorge, do Século 10, com seu rico acervo de arte gótica, barroca e renascentista, o Antigo Palácio Real (Século 12) e a Viela Dourada, uma ruazinha de casas do Século 16, onde Kafka morou por algum tempo.

Detalhes da fachada da Catedral de São Vito
A Viela Dourada
O que mais me encantou no Castelo de Praga, porém, foi a Torre Daliborka, que funcionou como prisão até o Século XVIII. Não que ela seja mais bonita que as atrações que já citei, mas não há como resistir à lenda que cerca seu ocupante mais ilustre, Dalibor de Kozojedy, nobre do Século XV condenado à morte por proteger servos rebeldes.

Conta-se que durante todo o tempo em que esteve preso na torre, Dalibor dedicava-se a tocar violino e a tristeza das notas comovia o povo de Praga que, em retribuição, lhe trazia comida — certamente escassa nas mesas dos pobres da cidade — que ele içava numa cesta atada a uma corda.

O interior da catedral, a Basílica de São Jorge e a Torre Daliborka
A história é contada na Ópera Dalibor, do compositor tcheco Bedřich Smetana. O que o libretto não conta é que “violino” era o nome de um instrumento de tortura, usado na Idade Média. Alguns historiadores sugerem que Dalibor teria comovido o povo de Praga não com música, mas com gritos de agonia... Mas eu prefiro imaginar a melodia escapando pelas janelas da torre.

 Belvedere, antiga residência de verão da realeza. Uma trilha nos Jardins Reais liga esse palácio à parte mais conhecida do castelo
Eu fui ao Castelo de Praga duas vezes. No segundo dia, cheguei lá de outro jeito muito legal: desci do bonde em frente aos Kralovska Zahrada (Jardins Reais) que atravessei para chegar ao Castelo. É um passeio inacreditável de bonito, com uma vista para a cidade de rasgar a roupa (levei quase a manhã inteira por lá). Também é imperdível dar uma parada no Palácio Belvedere, construído no Século 16 como residência de verão da realeza. 

Toda a fachada do palácio é recoberta de decorações em sgrafitto (uma técnica que você vai ver muito em Praga e também em Viena, que consiste na aplicação de muitos desenhos, geralmente florais, com uma espécie de estêncil). Os jardins do Belevedere são lindíssimos e dá para a gente se perder por lá. O perigo é a gente desistir de achar a trilha para o Castelo e ficar o resto do dia morgando naquele sossego verde. 

A chegada ao castelo por Hradčanské náměstí
Na saída dos jardins do Belverede, aproveite para dar uma paradinha no Espresso Kajetánka, um bonito café em Hradčanské náměstí (a Praça do Castelo), ao lado das muralhas, com uma vista linda para a cidade. Eu tomei uma sopa de cebola para espantar o frio, com uma taça de vinho. Paguei 120 CZK (4 euros).

O terceiro trajeto que você pode fazer para chegar ao castelo é pegar o caminho que margeia as antigas fortificações e que começa em Malostranské náměstí (a praça principal de Mala Strána). O charme dessa rota são os exuberantes jardins de diversos palácios que se descortinam ao longo da trilha.


O acesso mais concorrido ao castelo é este caminho
 que vai até Mala Strana
Dicas práticas
Castelo de Praga - Diariamente, das 5h à meia noite, no verão (abril a outubro) e das 6h às 23h, no inverno. Você pode passear à vontade por lá, sem pagar ingresso, mas terá que comprar entrada para ter acesso ao interior das principais construções, que podem ser vistas a partir das 10 até às 18h, no inverno, e até às 21h, no verão.

Todos os dias, ao meio dia, é realizada a cerimônia de troca da guarda no pátio principal. De hora em hora, também há a troca da guarda no portão principal. Os jardins do Castelo são abertos ao público de abril a outubro.


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