sexta-feira, 6 de fevereiro de 2004

Trinidad e Tobago: passeio a Maracas Bay

Maracas Bay
Port of Spain é animada e interessante. Para quem quer banho de mar, porém, é uma ducha fria: nada de areia branca, nada de aguinha cristalina. Para fugir da área pantanosa que cerca a cidade e ver um Caribe digno do nome, é preciso viajar para o outro lado da montanha que espreme a capital de Trinidad-Tobago contra o mar.

O destino é Maracas Bay, a praia mais próxima da cidade e uma das mais frequentadas da Ilha de Trinidad — dizem que Tobago é muito mais bonita, com praias ótimas, mas não chegamos até lá.

Na nossa pousada, nos ofereceram um passeio de 5 horas, de van até Maracas, com almoço incluído, por US$ 90 por pessoa (!!!!). Assim, na cara dura. É claro que decidimos ir por conta própria. Acordamos cedo, nos mandamos para a rodoviária e descobrimos que tem ônibus de Port of Spain para Maracas a cada três horas.

Eu no "ponto de ônibus", em Maracas Bay
(foto: Marúsia Andrade)
Quer dizer, “ônibus” é bondade minha. Se você assistiu Tudo por uma Esmeralda vai saber do que estou falando — só faltaram as cestas com as galinhas. Na plataforma de embarque, o que estava à nossa espera era um daqueles micro-ônibus dos anos 60, com parte da carroceria de madeira, que no interior da Bahia a gente chama de “marinete”.

A passagem custa 4 $TT (US$ 0,75). A ida e a volta nos custaram exatamente 1,66% do valor do tal “passeio” oferecido na pousada.

Todos a bordo, lá vamos nós. O ônibus vai bem cheio, mas ninguém viaja de pé. Atravessamos a cidade, rumo ao norte e, a partir daí, é um tal de subir e fazer curvas que não acaba mais. A estrada vai cortando a floresta tropical e ficando cada vez mais estreita, pendurada na montanha. Vamos cada vez mais alto e o visual é arrebatador: mar azul e transparente, láááááá em baixo. Mata luxuriante, aqui em cima. E, mesmo bem do alto, é possível ver o fundo do mar, de tão cristalina que é a água.


Tem que ter coração forte. Em Trinidad-Tobago, dirige-se na mão inglesa. Não é fácil trafegar por uma estradinha estreitíssima e tortuosa, com a sensação de que o motorista está o tempo todo na contramão. Se vem carro na direção contrária, então, é taquicardia certa. Mas é tudo tão bonito que quase lamentei o fim da viagem.

Maracas Bay é uma enseadinha de areia branca, cercada de montanhas muito verdes. O mar é azul-caribe, mas quem espera uma piscina morna se decepciona: a temperatura da água estava mais para Rio de Janeiro e a maré é meio agitada — há menos de uma semana, eu estava em Los Roques, portanto estava especialmente luxenta nessas coisas de praia...


A volta para casa não tem segredo: o ônibus para Port of Spain para bem em frente ao mercadinho de beira de estrada que vende frutas e verduras, do outro lado da pista. Depois do banho de mar e de um banquete de tubarão (o bicho é que foi comido, bem entendido), lá fomos nós, de novo, passear na linda montanha russa, cheia de curvas e belas paisagens, a bordo da marinete caribenha que, afinal de contas, foi a melhor parte da viagem.

Guia prático
Os ônibus da PTSC (Public Transport Service Corporation) partem do terminal rodoviário de City Gate, em South Quay. É bom conferir os horários no site. A viagem entre Port of Spain e Maracas Bay é de cerca de uma hora, o ônibus faz várias paradas no caminho — uma delas bem perto de onde estávamos hospedadas, na entrada dos Royal Botanic Gardens, mas não sabíamos disso.

Trinidad-Tobago não prima pelas informações de viagem na internet e mesmo o escritório de turismo foi de pouca ajuda. Descobrimos como chegar a Maracas na base da teimosia — parece que toda a ilha conspirou para nos vender aquele assalto do pacote de US$ 90 — mas valeu a pena, especialmente pela beleza do caminho.

O banquete de tubarão

Adoro as águas mornas do Caribe, mas sei que não sou a única. O conforto amniótico proporcionado pelo mar perfeito também é muito apreciado pelos tubarões. Os ataques desses hooligans do mar não são frequentes, li em algum lugar que o recorde mundial, estabelecido em 2000, era de 79 ocorrências/ano, com 10 mortos — francamente, só na primeira hora do dia eu corro riscos muito mais concretos, tipo escorregar no chuveiro ou engasgar com o café da manhã... Em Trinidad, a galera não liga a mínima para essas estatísticas. Seja por legítima defesa ou pelo simples prazer de subverter a cadeia alimentar, o povo da ilha consagrou o tubarão como principal ingrediente de uma iguaria imperdível, o shark and bake, prato típico de Maracas Bay.

E quer saber? É bom demais. É assim: um bom pedaço de carne de tubarão empanada, frita num tacho que lembra muito o das baianas de acarajé. É servido dentro de um roti — o pãozinho indiano parecido com chapati, só que mais gordinho e frito. Arremata-se com vários tipos de molho. Eu escolhi o de tamarindo.

Na praia de Maracas Bay há uma infinidade de barraquinhas e tabuleiros oferecendo o prato — novamente, a semelhança com as baianas de acarajé é grande. Uma porção do tamanho de um Big Mac custa 12 $TT (US$ 2). Vale por uma refeição, mas a gulosa aqui repetiu a dose...

Mais sobre Trinidad e Tobago
Port of Spain, o "atalho para as Índias"

Curtiu este post? Deixe seu comentário na caixinha abaixo. Sua participação ajuda a melhorar e a dar vida ao blog. Se tiver alguma dúvida, eu respondo rapidinho. Por favor, não poste propaganda ou links, pois esse tipo de publicação vai direto para a caixa de spam.
Navegue com a Fragata Surprise 
Twitter     Instagram    Facebook    Google+

Nenhum comentário:

Postar um comentário