sexta-feira, 30 de janeiro de 2004

Los Roques: o paraíso existe!

Los Roques, mas pode chamar de paraíso
Não precisei morrer nem prestar contas dos meus pecados. Cheguei ao paraíso de avião, num começo de manhã exuberante, cercada de azul por todos os lados. Fui recebida por uma profusão de seres alados: pelicanos, gaivotas, fragatas, andorinhas, petréis... E nada de harpa. A algazarra das aves marinhas é o único som que se ouve por aqui.

Uma característica marcante de Los Roques é a grande população de aves marinhas, que não faz a menor cerimônia em confraternizar com os visitantes

Gran Roque, a única povoação do arquipélago, vista do alto do morro do farol
Acabei de desembarcar em Gran Roque, a principal ilha do Arquipélago de Los Roques, um atol a 130 quilômetros da costa venezuelana, transformado em parque nacional em 1972. Simplesmente perfeito: silêncio, tranqüilidade e cenários de sonho. Céu azul, águas cristalinas, calmas e mornas, com milhares de peixinhos de todas as cores nadando em torno de mim-- vez por outra, um mais afoito me dava uma mordiscada: quem manda ser branquela e sardenta?

O aviãozinho a hélice da Aerotuy veio voando baixo, desde Maiquetia, o aeroporto que serve Caracas. São 30 minutos de viagem, trailer de um filme espetacular: lá do alto, a gente vê o fundo do mar branquinho, sob as águas azuis transparentes, e vai ficando ansiosa para chegar.

O aeroporto de Gran Roque

O aeroporto de Gran Roque é um risco de asfalto à beira d’água e só. Pagamos a taxa ambiental (15.000 Bolívares) e tratamos de arrastar a bagagem pela areia até a pousada. Não há calçamento nas ruas da ilha e o único veículo que circula aqui é um caminhãozinho que recolhe o lixo, todas as tardes. Mala de rodinhas é uma péssima ideia por aqui. Prefira a mochila e modere no peso, porque é você que vai carregar tudo o que levar para lá.

Ficamos hospedadas na pousada Canto de La Ballena, bem em frente ao píer. A varanda da casa é a areia da praia. A pousada é ótima, aliando o rústico ao confortável. O quarto é grande, com uma cama de casal e uma cama de solteiro que fica no alto, como um dossel. O banheiro amplo não tem água quente, mas não precisa, porque faz calor, mesmo à noite.

A "varanda" da nossa pousada era a areia da praia. E os dias terminavam assim
Logo na chegada à pousada, um cartão de visitas e tanto: fomos recebidas com um lauto café da manhã, onde as estrelas foram as com arepas de milho, bolinho típico da região e que substitui muito bem o pão. Uma descoberta deliciosa.

Depois, foi só tratar de vestir o biquíni e cair no mundo.

Eu em Gran Roque
Uma rua do povoado de Gran Roque
A beira-mar em Gran Roque
Gran Roque é a única ilha permanentemente habitada do arquipélago. Novas construções estão proibidas e as casinhas da antiga vila de pescadores agora estão quase todas convertidas em pousadas e restaurantes. Nada aqui tem mais que dois pavimentos.

As praias de Gran Roque, porém, não são páreo para as das ilhas vizinhas. A doce rotina, em Los Roques, é acordar, tomar um lauto café da manhã e embarcar numa lanchinha para uma das muitas ilhotas: Francisqui e Madrisqui, mais próximas, são as mais populares. Cayo de Água, uma das mais distantes, é a mais bonita.

Eu nas águas de Madrisquí
A dura rotina em Los Roques: um guarda sol, a cadeirinha e esse mar
A infra para passar o dia nas ilhas é providenciada pela pousada: uma caixa térmica é preparada, todas as manhãs, com sanduíches, refrigerantes, cerveja e frutas. Cadeirinha de praia e guarda sol também são essenciais. Além do “kit de sobrevivência”, o protetor solar e o snorkel são obrigatórios na bagagem.

O único trabalho que se tem é embarcar na lancha e chegar a praias praticamente desertas, passar um dia à beira do mar mais perfeito, com um bom livro e a disposição de não fazer nada. Exceto suspirar, de vez em quando, e comentar que a vida é mesmo maravilhosa.

Cayo de Água, a ilhota mais bonita do arquipélago
Informações práticas


Vidão...
Como chegar
A Aerotuy tem vôos em diversos horários entre o Aeroporto Internacional Simón Bolívar e Gran Roque, a US$ 300 a tarifa de ida e volta. O aeroporto fica em Maiquetia, na costa, a 40 minutos de Caracas. A oferta de hotéis próximos é farta, portanto, não há necessidade de subir até a capital, caso seu vôo do Brasil chegue à noite.

Foi o nosso caso: pernoitamos no Hotel Santiago (US$ 40 no duplo) em Maiquetia, para pegar o voo das 7 da manhã para Gran Roque.


Em Cayo Pirata, você escolhe a sua lagosta, paga e leva a um restaurante improvisado para que seja preparada
Onde ficar

Posada El Canto de La Ballena- Literalmente na beira do mar, no estilo “rústico-charmoso”, confortável e agradável. A dona do lugar, Nelly Camargo, fala português, cozinha divinamente — o restaurante é considerado um dos melhores da ilha — e cuida de todos os detalhes das viagens diárias às praias próximas.

Em janeiro de 2004, pagamos US$ 70 pelo apartamento duplo, com pensão completa — café da manhã, lanche (levado para as ilhas na caixa térmica) e jantar. O “restaurante” da pousada funciona na areia da praia, sob a luz de lampiões, e Nelly faz questão de reunir todos os hóspedes numa mesa grande e sempre animada.

Cayo Pirata

O banho de Mar em Fancisquí
Seis anos depois de minha visita a Los Roques, o lugar foi “descoberto” e os preços subiram bastante. As diárias das pousadas de bom padrão, hoje, estão em torno dos 100 Euros por pessoa. (atualizado em 01/11/2010)

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