sábado, 1 de março de 2003

Rumo a Cuba: um voo turbulento

Cuba, lá vou eu 
(Monumento a Antonio Maceo, 
na Praça da Revolução, em Santiago)
Um sujeito que parecia a réplica em tamanho natural de Teófilo Stevenson sentou-se ao meu lado, na poltrona do meio da estreita fileira do avião. O cara devia estar muito mais espremido que eu, que só tenho um metro e sessenta. Mas não se apertou: repousou tranquilamente o cotovelo esquerdo sobre o meu rim direito, enquanto eu me virava para olhar a chuva pela janelinha.

- "Moço, meu rim tá lhe incomodando?", perguntei, com cara de anjo. "Né por nada, não, mas se o senhor amassar, pode estragar. Vou precisar dele, mais tarde". Bem vinda a Cuba, ou melhor, bem vinda a uma viagem cheia de turbulências à Ilha idílica, que eu sonhei conhecer a vida inteira.

O avião era da Gol, porque deu pane no da Cubana de Aviación. Por conta disso, anteciparam o horário da viagem. Tive que pagar a diferença de tarifa do vôo que me traria de Brasília a tempo. A Cubana fez que não era com ela e não me ressarciu. Morri em R$ 190.

Nada de Tupolev, Yliushin ou seja lá que exemplar de equipamento soviético a Cubana de Aviación usa para transportar passageiros. Em vez disso, vamos num Boeing, com os assentos dispostos para um vôo doméstico, grudados na poltrona da frente. Em nove horas de vôo, vou começar a gangrenar por falta de circulação sanguínea. Imagina o coitado do Teófilo, aí ao lado...

Na poltrona atrás da minha está um rapaz muito alto, que deve sofrer de claustrofobia: toda vez que começo a cochilar ele espanca o encosto do meu assento, como numa convulsão. Ai, Havana, chegue logo!!! Mas, verde mesmo, o claustrofóbico ficou quando paramos em Manaus e a aeromoça avisou que era só "uma escala para abastecimento e para embarcar os botes salva-vidas".

Ah, pra quem não lembra: Teófilo Stevenson foi um dos maiores lutadores de boxe da história. Três vezes campeão olímpico peso-pesado (Munique 72, Montreal 76 e Moscou 80). Jamais se profissionalizou. Preferiu viver em Cuba e competir pelo país como amador.

Para saber como foram as minhas aventuras em Cuba, vejas os posts de Havana  e Santiago

Curtiu este post? Deixe seu comentário na caixinha abaixo. Sua participação ajuda a melhorar e a dar vida ao blog. Se tiver alguma dúvida, eu respondo rapidinho. Por favor, não poste propaganda ou links, pois esse tipo de publicação vai direto para a caixa de spam.


Navegue com A Fragata Surprise

Twitter     Instagram    Facebook    Google+

Nenhum comentário:

Postar um comentário